Uma volta da Terra em torno do sol com Ulysses

Janeiro 1, 2012 § Deixe um comentário

No quarto silencioso, parado, vazio, me sentei na cama amontoada de objetos e roupas. Ulysses tocava repetidamente, grudou em mim as palavras: “While I sit and hear sentimental footsteps”. Minha cabeça girava e eu girava junto, num universo de pensamentos clichês: todo o passado e o futuro incentivado pela perspectiva de um ano novo, velho, próximo, distante, desconhecido e cheio de ambições, “Well I’ve found a new way I’ve found a new way”. Eu encontrei um novo caminho, encontrei uma nova forma de me distanciar de tudo aquilo o qual me aproximei ou o qual eu deveria ser próxima. Toda uma ambiguidade de relações pareceu me distanciar dos propósitos práticos, práticos com relação ao contato social. Não sou mais obrigada a aturar: “I don’t need your sympathy,”  toda essa falsa simpatia me angustia “What’s the matter there? Feeling kinda anxious? That heart that grew cold.”… É – pensei suspirando – cheguei aqui por cansaço. Eu realmente não me importo com tudo aquilo que aconteceu ontem, vivemos a época dos momentos e eu sinto ser a única sincera o bastante pra confessar isso, o passado é tão insignificante quanto o meu apreço pelo futuro “Yeah everyone, everybody knows it. Yeah everyone, everybody know it. Everybody knows I…” Todos sabem a importância que dou as coisas sem valor, todos sabem o quanto me importo, ou pelo menos não saibam suficientemente por não ler esse escrito que vai longe de meus princípios, tão longe que cá estou, enquanto a eles? Onde estão, onde estarão? Já o hoje se encontra distante, estou chapada, embriagada em meus próprios sentimentos e falta deles, questionando-me a normalidade de tais desapegos e feliz por tê-los alcançado.

Not Ulysses, baby.
No, lalalala oohoo
You’re not Ulysses, oohoo
Lalalala, oohoo..

…Vamos, meus amigos,Não é tão tarde para buscar um mundo novo.Desatracai, e sentados bem em ordem bateiNas esteiras sonantes; pois meu intento continua a deVelejar além do pôr-do-sol, e dos mergulhosDe todas as estrelas ocíduas, até que eu morra.Pode ser que os golfos nos devorem:Pode ser que toquemos as Ilhas Afortunadas,E ver o grande Aquiles, a quem nós conhecemos.

Ulysses, Alfred Tennyson

Por Constance, constantemente Ulysses

Where Am I?

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