Necrofilia

Outubro 22, 2012 § 2 comentários

Tão dócil, tão fria
Não aproxima com beijos e súplicas
Não afasta com o desgosto típico
Não me convence pelo charme
Não repudia com deboche
Nunca
Nunca mais

A feição clara e limpa
Nos olhos, a vazies que me tem como todo
Eu permaneço

Tão dura comigo, oh, não se dá ao trabalho!
Mas nada me nega
De ti, tenho tudo e tudo mais
Não me envolve
Não me impede envolver
Não me beija
Nunca me impede beijar

Sempre tão quietinha, tão silenciosa
Não me nega nada

Tenho-lhe os braços, os beijos, as pernas,
e os suspiros, todos meus!

Não me julga pela falta de modos e ora, você também não os tem!
Mas eu a adoro e a adoro e a adoro por isso e tudo!
O tudo que não é mais seu e que não me nega!

Levo a mão ao seu rosto, lhe moldo um sorriso
Tão fria e sempre tão doce!

Por esse momento eu te adoro, tão cedo começa a feder
Solta, eu lhe adoro, solte já seus fluídos
Que eu também solto já os meus

Toco sua mão gelada
Me agarro ao momento para já esquecer
Com a efemeridade do nosso amor
Você me cede todos os seus encantos
No último beijo, a culpa
Na última palavra, a saudade da sua voz
Mas eu só pude te amar calada
Assim, como não deixará de ser
Fria e calada

Erato

Agosto 31, 2012 § Deixe um comentário

Erato ressupino amável, virgem e pueril

Dos olhos absortos, solenidade lírica

Sensualidade inexequível, erotismo juvenil

Estimula em artistas à profunda inspiração onírica

 

Erato, a Amável, assim como as outras oito musas, Erato é uma virgem. Erato era assim chamada pois faz os que são instruídos por ela serem desejados e dignos de serem amados. Era a musa da poesia romântica,representada com uma lira, e dos hinos. É representada com uma lira e por vezes com uma coroa de rosas.

[Uma tentativa de poesia por Musa – ERATO]

Mar de Sensações

Maio 9, 2012 § Deixe um comentário

Olho para o espaço

Numa alusão daquilo o que foi

Sinto sem poder direcionar

Aquilo o que sinto

Sem sentir por mais

Vou andar

Pelas milhas distantes

E dentro da minha cabeça

Encontrar você

Encontrar aquilo o que inventei pra sentir

E vale a pena gritar por isso

Vale a pena esperar por isso

Vale a pena sentir

Dentro da minha cabeça submersa

Em Mar de sensações

Augusto dos Anjos

Março 8, 2012 § Deixe um comentário

Estou passando por um período especialmente complexo em termos psicológicos e espirituais e devo atribuir esse estado à leitura e estudo excessivo de poesia! Descobri que a poesia pode ser completamente devastadora para a cabeça e alma de uma pessoa já propícia ao mal da inspiração. Pelo fascínio que me causa!

SOLITÁRIO

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
— Velho caixão a carregar destroços —

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Por Constance e Augusto, constantemente mórbidos e escrevendo

Volúpias de Poeta

Fevereiro 21, 2012 § Deixe um comentário

Sinto faltar

o farfalhar

da quimera

na realidade

aquilo espera

à insalubridade

que por coragem

saúde e chantagem,

abandonei:

os vícios,

os pecados,

volúpias de poeta

não mais sonhei

Movida por uma onda Simbolista, venho me arriscando à escrever alguns poemas inspirados. Sei que os resultados são terríveis, definitivamente não tenho a menor habilidade com poesia, de qualquer forma, me achei no simples direito de tentar por vontade. Aqueles mais críticos dirão que o meu poema não é nenhum pouco simbolista, mas de maneira alguma quis alcançar tal êxito! Só acho bela a forma como buscam sonhos em vícios e se viciam pela busca, mesmo que frustrante que se faz toda arte. Viva o ópio, viva as bebidas, viva a insalubridade produtora das artes. Viva ao pecado e viva a tudo aquilo capaz de inspirar. Muito antes conhecer paraísos em quimeras, trazendo delas versos eternos, que viver a mercê da realidade vazia e efêmera. O final é igual para todos e o que determina a vantagem não é o tempo vivido, mas o que foi deixado enquanto se viveu.

Por Constance, constantemente voluptuosa

Imperturbável

Fevereiro 15, 2012 § 1 Comentário

Perturba a imensidão do intocável

Com seus louros e vivos glamoures

A dor é insólita, ainda assim genuína

A paz, inalcançável, se posta atrás de mim

E com a crépida imagem daquilo que jamais vi

Fujo aos sentidos das sensações imagináveis

Beijo os lábios da incerteza

Aprofundo-me na imaturidade das minhas concepções

E em passos vertiginosos, eu caminho diretamente sem rumo

Para as águas rasas e ímpias dos meus sonhos, minhas loucuras

Por Constance, constantemente perdida em si mesma

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with Poesia at Old Consciousness.