À vontade

Maio 7, 2013 § Deixe um comentário

“Num mundo extremamente desigual e autoritário, superficial e mentiroso, ou você se revolta, ou se suicida. Não há razão para continuar vivendo, Deus não existe – a única saída é a transformação radical do mundo em que se vive. Se não for desta forma, não vale a pena estar vivo. Na verdade, se não for desta forma, de certo modo não se está vivo: se está existindo. Apenas.” Albert Camus.
Em meio a tantas manifestações recentes, eu pergunto seriamente se estamos vivendo por lutas ou lutando pela existência. Me pergunto se dentro da nossa cabeça sabemos de fato quais os ideias pelos quais lutamos e para quê. Resultados individuais ou não. Me pergunto quantas vezes paramos para pensar no efeito antes de gritar a ocorrência de causas. E quando tudo acabar? E quando vencer-se a guerra? Qual a remuneração que te espera? Qual a cura que seu grita por? Mais dinheiro? Mais igualdade? Mais chances de ostentar insolência? Um mundo inteiro feito de heterossexuais? O fim do consumo de carne? Mais educação? Só o que eu peço para esse mundo é um pouco mais de vontade, um pouco mais de sensibilidade para com os próprios desejos que tantas vezes se tornam o eco de um grito de outra pessoa repetido por milhares que o defendem apaixonadamente sem noção da sua própria condição. E que haja vontade, que haja dor e luta para todos aqueles que realmente queiram lutar, pois a vontade é a única coisa capaz de fazer o ser humano se mover nem que seja do sofá para ir pegar o controle da televisão pela vontade de trocar de canal. Qual é a vontade que verdadeiramente lhe inspira? Para desejar é preciso ser, ser o Eu do eu e para isso é necessário sensibilidade e força da própria existência e ainda manifestá-la. É cansativo, é pesado, é indignante e cruel, mas libertador.

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Manifesto Sedentário

Maio 2, 2013 § 1 Comentário

Eu me sinto verdadeiramente desconfortável em postar esse tipo de coisa sem fazer nada. É o tipo de manifesto sedentário que a maioria de nós passou a assumir pra ter pra si a consciência de ainda se sentir humano. Mas eu realmente não sei de onde é que vem  essa nossa concepção de realidade. O que é e onde estão os nossos princípios. É preciso repensar um monte de coisas, mas não há mais tempo, nem possibilidades. Eu sinceramente estou me sentindo muito mal nos últimos dias com essas noções de moralidade. Elas são uma espécie de fantasma social que muda de tempos em tempos a forma com a qual nos sobreporemos humanamente de acordo com fatores que não tem absolutamente nada a ver com a humanidade e o convívio. “Ser útil”, essa é chamada. Ser útil para o que? Ser útil para quem? É inacreditável que tenhamos chego a um ponto onde pessoas e semelhantes tenham perdido o seu valor representativo, o valor foi transferido para instituições, órgãos dos quais são compostos por nós e que nos oprime. Somos células sempre dispostas a multiplicar esses tumores sem razão de ser, imaginando sempre uma única figura capaz de consolidar ou fazer desabar com toda a nossa estabilidade.  Não existe um fator único. Não existe um único opressor. Não existe uma única ideia. Estamos todos condicionados a fatores inalcançáveis e inatingíveis. Somos criaturas minusculas dentro da nossa consciência, e mesmo assim, viramos as costas para tudo o aquilo o que há de mais simples dentro de nós: o reflexo.

Where Am I?

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