Por Ora…

Maio 13, 2013 § Deixe um comentário

Eu estou sentindo o tempo passar como areia lenta queimando os meus olhos. Vivo na letargia da espera por algo que eu não aguardo. Minhas dores se aliviaram, minhas ambições morreram, minhas vantagens aguardam, minhas mãos estão livres. Tudo esvoaça a minha frente como açúcar molhado. A água molha os meus pés, deixo até que os abraços durem mais, mais beijos, mais memórias, mais vida na minha existência, milhares de explosões silenciosas  Até mesmo a dor é calma, até mesmo a agonia é calma, até mesmo a violência é calma.  Por ora, sem medo, sem aflições, sem precipícios.

Estou calmamente bem,
lentamente feliz.

Anúncios

À vontade

Maio 7, 2013 § Deixe um comentário

“Num mundo extremamente desigual e autoritário, superficial e mentiroso, ou você se revolta, ou se suicida. Não há razão para continuar vivendo, Deus não existe – a única saída é a transformação radical do mundo em que se vive. Se não for desta forma, não vale a pena estar vivo. Na verdade, se não for desta forma, de certo modo não se está vivo: se está existindo. Apenas.” Albert Camus.
Em meio a tantas manifestações recentes, eu pergunto seriamente se estamos vivendo por lutas ou lutando pela existência. Me pergunto se dentro da nossa cabeça sabemos de fato quais os ideias pelos quais lutamos e para quê. Resultados individuais ou não. Me pergunto quantas vezes paramos para pensar no efeito antes de gritar a ocorrência de causas. E quando tudo acabar? E quando vencer-se a guerra? Qual a remuneração que te espera? Qual a cura que seu grita por? Mais dinheiro? Mais igualdade? Mais chances de ostentar insolência? Um mundo inteiro feito de heterossexuais? O fim do consumo de carne? Mais educação? Só o que eu peço para esse mundo é um pouco mais de vontade, um pouco mais de sensibilidade para com os próprios desejos que tantas vezes se tornam o eco de um grito de outra pessoa repetido por milhares que o defendem apaixonadamente sem noção da sua própria condição. E que haja vontade, que haja dor e luta para todos aqueles que realmente queiram lutar, pois a vontade é a única coisa capaz de fazer o ser humano se mover nem que seja do sofá para ir pegar o controle da televisão pela vontade de trocar de canal. Qual é a vontade que verdadeiramente lhe inspira? Para desejar é preciso ser, ser o Eu do eu e para isso é necessário sensibilidade e força da própria existência e ainda manifestá-la. É cansativo, é pesado, é indignante e cruel, mas libertador.

Manifesto Sedentário

Maio 2, 2013 § 1 Comentário

Eu me sinto verdadeiramente desconfortável em postar esse tipo de coisa sem fazer nada. É o tipo de manifesto sedentário que a maioria de nós passou a assumir pra ter pra si a consciência de ainda se sentir humano. Mas eu realmente não sei de onde é que vem  essa nossa concepção de realidade. O que é e onde estão os nossos princípios. É preciso repensar um monte de coisas, mas não há mais tempo, nem possibilidades. Eu sinceramente estou me sentindo muito mal nos últimos dias com essas noções de moralidade. Elas são uma espécie de fantasma social que muda de tempos em tempos a forma com a qual nos sobreporemos humanamente de acordo com fatores que não tem absolutamente nada a ver com a humanidade e o convívio. “Ser útil”, essa é chamada. Ser útil para o que? Ser útil para quem? É inacreditável que tenhamos chego a um ponto onde pessoas e semelhantes tenham perdido o seu valor representativo, o valor foi transferido para instituições, órgãos dos quais são compostos por nós e que nos oprime. Somos células sempre dispostas a multiplicar esses tumores sem razão de ser, imaginando sempre uma única figura capaz de consolidar ou fazer desabar com toda a nossa estabilidade.  Não existe um fator único. Não existe um único opressor. Não existe uma única ideia. Estamos todos condicionados a fatores inalcançáveis e inatingíveis. Somos criaturas minusculas dentro da nossa consciência, e mesmo assim, viramos as costas para tudo o aquilo o que há de mais simples dentro de nós: o reflexo.

transe

Abril 2, 2013 § Deixe um comentário

Aquilo era um sono, um sono leve, um sono letárgico de primavera em que não se distingue naquilo o que é uma reconstituição mental da realidade. A minha inconsciência muito acordada enquanto eu dormia. Nesse meio termo morno e indistinguível, você vem lento e suave, me larga aonde sua mão leva e eu permaneço pulsando a sensação do toque. Imaginando-o ou dando-o continuidade. Os beijos acabam e os meus lábios continuam abertos, no torpor da sensação do toque, recém recebido como que recém descoberto. É tudo muito lento ou muito invasivo. Gritei, suspirei em silêncio, abafei o silêncio, saliva na sua mão, mas todos os acontecimentos tão sensitivos quanto um cheiro.  Eu nunca soube o que estava acontecendo. A música me elevava ainda para este sentido. Me senti uma memória. Tudo era sobre carne e sentidos. Eu adormecia e acordava para a sensibilidade pura de cada toque. Tudo eram sensações e delírios.  Havia toda a minha suplica e o meu desespero. Beijei-o como se fosse vapor, trocávamos de estado, você desaparecia da minha percepção para voltar como um choque elétrico. Mais uma vez, era tudo sobre carne e sentidos. “Eu não vim preparada para isso”, houve um “disse”. Foi talvez um espasmo de lucidez. Eu não queria que fosse mais invasivo sem estar tão dentro de onde eu nem podia alcançar e você chegava. Eu nem conhecia quem era aquela que o recebia, tão desesperada ou receptiva. Foi um vício e durou uma eternidade. Foi uma restituição e eu perdi tudo. Eu gostaria de morrer ali pra me entregar aquilo que eu conheci como sensibilidade, pureza, absurdo e prazer. E nem mesmo mil orgasmos me levariam de volta aquilo. A música não parava, a palavra “transe” que vem aqui como a mais bela definição de um todo. Eu deixei de existir, de pensar, consegui viver o sentir. Foi uma respiração. Alcance ao etéreo. Mas muito mais do que eu posso dizer.

O Deus do Eu

Outubro 17, 2012 § Deixe um comentário

A religião muitas vezes nos fala de um deus que cria o universo, cria as pessoas do nada, dá-lhes uma razão de viver, as pune quando crê necessário, da mesma forma como as presenteia. Um deus cujo controle da realidade é absoluto e pleno. Um deus que está em todos os lugares a todo o tempo e sabe de todos os segredos mais profundos e secretos. Um deus misericordioso e por vezes, extremamente cruel e impetuoso. Um deus cujo mundo coordena à sua vontade, aos seus modos, a sua forma. Um deus do certo e errado. Um deus solitário, no total altruísmo da sua relação com os demais, se faz ser mais importante e relevante, um completo egoísta. Ora, sou deus. Pois crio e não vejo uma só característica acima da qual não seja partidária. Crio universos, rejo consciências e destinos. Estabeleço por mim as noções de certo e errado. Estou em todos os lugares, em todas as descrições, a todo o tempo. Me considero excelentíssima e o melhor de mim mesmo, numa posição que pode-se considerar, hm, de um modo ou de outro, altruísta. E principalmente sou eu e somente eu quem escrevo “fim” na última página daquilo o que crio.
Se existe um deus, ele está na terra e anda entre nós. Sabe tanto quanto nós e o é deus justamente por que, ainda que nessa condição, ele cria, move, e altera tudo aquilo o que é metafísico e espiritual nas pessoas com quem têm contato.
De mim para mim, e para todos aqueles que sentem, eu sou deus, que por inspiração e contato com demais deuses, me auto-considero única.

Que me importa?

Setembro 16, 2012 § Deixe um comentário

Que me importa o que dirão os críticos?
Os professores, os estudantes ou os leitores em geral?
Que me importa o nome que querem me dar.
O estilo que a mim atribuírem
Que me importa?

Que me importa se serei considerada medíocre,
literatura esdruxula, falta de estilo ou forma,
péssima qualidade, mal gosto
O que isso me importa?

Escrevo para mim, escrevo por gosto, escrevo por que sinto, escrevo por que preciso fisiologicamente escrever, escrevo, só!
Não escrevo para os outros, não escrevo para o gosto alheio, não escrevo para que sintam, não escrevo para quem precisa!
(Já existem tantos que o façam!)
Só o que eu faço é escrever
E só
Eu escrevo e só
Sempre e só

Pedaço de Carne que Escreve

Setembro 2, 2012 § Deixe um comentário

Escrevo pela inspiração que me falta. Escrevo para anunciar a falta de palavras que agora me exprime em sentido de tanto existirem e em nada poderem me ajudar. Escrevo pela vazies, que numa tão marcada madrugada de sábado, não me fere nem me difere. A vazies, o irrevogável tédio. Escrevo agora pelos motivos que, não sei, não agora, não quero. Escrevo pela falta de interesse em qualquer outra coisa, pela decepção do todo e pela falta em si. Escrevo agora e descrevo o processo pelo o qual minha mente trabalha sem trabalhar, escrevendo para marcar o momento em que em mim o mais profundo tédio, o mais profundo desinteresse em todas as coisas – inclusive escrever, me obriga a anunciar para o agora toda essa transposição de estado de espírito. Devo procurar saber os motivos que me trazem a tal inexorável estado de depreciação do todo? Do ser, do meu ser! Fujo de tudo e do processo de consciência. Nada mais sou que um pedaço de carne regido por pensamento. Um pedaço de carne que tenta comunicar os sentidos com palavras. Palavras, técnica. O tédio que me aprofunda é o de não saber como esclarecer a mim mesma os mistérios do meu próprio ser como muito mais que um só pedaço de carne. Tantos dizem, dizem tanto sobre! Em silencio, me comunico.

Where Am I?

You are currently browsing entries tagged with Demagogia at Old Consciousness.