O Verme

Junho 25, 2012 § Deixe um comentário

Como um verme, tão faminto quanto asqueroso, eu espero por você.

Parasita, me infiltro nas suas entranhas, absorvendo de você aquilo o que você mais precisa.

Como um verme, sempre rastejando aos seus pés numa tentativa de aproximação do qual você, enojada, se afasta.

Adoece por minha causa, febril e amarela, você implora por uma cura, ainda pode ser tarde demais.

Já pensou que isso pudesse ter sido evitado se você tivesse tomado as medidas preventivas?

Como um verme, você me chamou de repugnante, você se lembra disso?

Como eu verme, eu estou nos lugares onde você não quer pisar, nas fezes, mas você pisou até me deixar entrar, não é?

Como um verme, eu estou nos lugares onde você não quer sair pra jantar, nos alimentos contaminados, mas você comeu com vontade até se contaminar, não é?

Como um verme, comumente conhecido como solitário.

E os sintomas lhe vieram, você vomitou, teve tontura e insônia, tinha desejos estranhos e uma fome que não saciava.

Como uma esquistossomose, a barriga cresceu, você estava grávida, por que mais uma vez, como um verme, eu adentro seu corpo para deixar meus ovos.

Ah, minha querida, talvez fosse filária, você ficou com uma aparência monstruosa, mas eu, ainda como sendo um verme, a contemplo.

Eu, como um verme, aquilo o que você nunca cansava de deixar bem claro, eu a possui.

O Julgamento

Junho 14, 2012 § Deixe um comentário

Como se fosse um dia remoto, nós acreditamos em todos os conceitos que já tanto estabeleceram. Unido-nos uns aos outros por tentativas de felicidade. Estou sob julgamento: “você é feliz?” Eu poderia ficar pelo fato de acreditar neles, embora não sinta. Eu tento, eu juro, tento… vamos tentar afundando cada vez mais na areia movediça da nossa obstinação forçada. Partimos pelas luzes sempre nas temporadas, unindo-nos um ao outro para chorar nossas dores, noite impraticável num amontoado de saudades, eu sinto! Ah, sentimos saudades das nossas dores de tanto forçar a felicidade nos outros que não encontramos nunca. Volto mais uma vez, criança crescida, é o que eu tenho de ser. Estou sob julgamento, mais uma vez: “você é feliz?”. É importante que sejamos, é no mínimo importante que façamos tudo para sê-lo, é o que sempre dizem… Mas mais uma vez me uno a você para chorar minhas dores, me uno a você para não sumir sozinha. Nossos pais lamentam esse dia, mas mais uma vez partimos pelas luzes sempre na temporada. Posso sofrer todas as dores à luz das temporadas.

(Um Conto Por Música: The Penalty, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Where Am I?

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