Jordana Bevan

Agosto 15, 2012 § Deixe um comentário

O Mar

Março 11, 2012 § Deixe um comentário

Vejo o mundo como um mar profundo no qual estou submersa. O mundo me envolve, mas não posso envolvê-lo. Escorre, se agita, ondulante, violento e impetuoso mar. Por quanto tempo ainda aguentarei prender a respiração?
Por Constance, constantemente submersa.

Brilho Eterno de Uma Tarde Chuvosa de Sábado

Fevereiro 26, 2012 § Deixe um comentário

Não, não existe de fato o sentimento de contentamento humano. Não existe a amplitude do seu conformismo para com sua posição diante do mundo. Não existe felicidade crônica, não existe autenticidade, não existe o fim da agonia Não existe verdade, mal existem os sentimentos, programamo-nos para melhor adaptação de nossas próprias prioridades superficiais. Não existe linha de chegada para os nossos desejos, não existe ponto final para o nosso descontentamento. Estamos todos lutando contra nós mesmos numa corrida infinita em direção as nossas falsas noções de felicidade. Sempre que alcançamos um objetivo, seja qual for, colocamos a nossa frente, outro, ainda mais impossível e terrivelmente inalcançável, tudo pelo simples âmbito de nos sentirmos insatisfeitos com a nossa própria capacidade. A pior coisa em sofrer esse mal, é saber sofrê-lo.

Sábados, à tarde e chuvosos costumam ser, para mim, muito mais melancólicos do que qualquer outro dia. Talvez não por coincidência, todas as vezes em que esses dias chegam, me sinto estranhamente sozinha, tudo se esvai e o que permanece é uma lembrança solitária de tudo aquilo que está distante. Eu sinto como se eu mesma houvesse me abandonado, sinto-me estranhamente dentro de mim, pura, livre e suspensa.

Costumam dizer que nos dias ruins a tendência é de que tudo dê errado, essa concepção é tão relativa… Hoje o dia não foi em todo ruim. Foi um dia triste. Um dia solitário de eu mesma. O amaciante terminou quando fui lavar roupa, a carne queimou, o bolo embatumou, houve uma pequena lagoa dentro de casa devido as goteiras, mas economizei água lavando roupa, os riscos da carne mal passada foram eliminados, o bolo ficou parecendo um pudim e a lagoa molha meus pés, deixando-os refrescados. Meu dia só foi melancólico. Um daqueles dias que nos prendem a esse tipo de sentimento. Existe, no entanto, dias pressupostos a melancolia, como hoje. Dias em que as coisas que dão errado insistem em nos causar um grau quase infantil de frustração, apenas para vermo-nos sorrindo diante da nossa própria falta de sorte e talvez sorrindo ainda mais embaraçosamente por sorrirmos sozinhos. É uma melancolia profunda, é um sentimento delicado e muito sensível, algo que nos dá a impressão de ser e não ser simultaneamente. Um daqueles dias em que simplesmente achamos que deveríamos estar vivendo qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar, com alguém, é inclusive nestes momentos em que sentimos a simples falta de alguém. São nesses dias principalmente que achamos que a nossa vida está sendo desperdiçada e rimos, sim, nós rimos por estarmos sós e não podermos fazer absolutamente para mudar isso, ainda assim, existe um contentamento patético que nos diz estar pensando bobagens, o que nos torna ainda mais frustrados pela falta de atitude e indiretamente pela auto-aceitação de sermos aquilo o que não gostaríamos de ser, com o fundo melancólico da chuva e de um piano que serve para te alimentar daquele seu estado de espírito. De qualquer forma, eu gosto de me sentir assim. Me faz escrever coisas que eu julgo profunda, me faz gostar da minha reação diante de situações tão rotineiras, me faz me orgulhar da minha visão analítica para com essas coisas e dar a elas um fim poético. A melancolia é como ar de sonho em meio à realidade, transforma uma tarde de sábado em um vertiginoso sentimento. É uma doce tristeza que eu gosto de sentir nos dias chuvosos de sábado. Enquanto tomo meu café com canela e rio da minha solidão, ainda frustrada por rir sozinha. Existe uma linha tênue entre a felicidade e a tristeza. Nesses dias de sábado, eu me deito de olhos fechados sobre essa linha.

Tal tipo de melancolia costuma vir em temporadas, mas sempre quando vêm, habituo-me a entregar-me a ela. Tudo aquilo o que a estimula, direta ou indiretamente, eu utilizo para compor o meu dia. Esta manhã de sábado, para mim, ainda na cama, representava tal sensação, mas inconscientemente, me ocorreu de assistir a um filme que marcou significantemente a impetuosidade desta sensação. E é ai que surgem as coincidências que quase me fazem querer acreditar na palavra “destino”. Porque eu assisti a aquele filme, hoje? Percebi que existe tanto de mim naqueles personagens! Ambos! Tanto! Por um momento me perdi em mim mesma, sem saber quando ou quem eu já havia apagado da memória e quantas vezes… tudo isso sem nem mesmo ter ido à uma clínica, tudo isso sem nem mesmo a realidade existente no filme! E o que mais do que tudo me afetou, foi o simples fato de entre essas pessoas já esquecidas, não restar um “que” sequer de arrependimento, tampouco imaginar uma só pessoa por quem, em longo prazo, eu não faria essa cirurgia. Tudo se trataria de fazer novas amizades e como eu, ainda por cima, sou péssima com tal atitude, me afundaria mais e mais no profundo poço dos meus próprios desejos. Eu não sei, esse foi, talvez, apenas um dos meus muitos pensamentos relacionados ao filme. Eu gostaria de assisti-lo novamente, eu gostaria de ter um acompanhamento psicológico acerca da minha reação e motivos, mas a incerteza que me faz encontrar tantas ramificações talvez me ajude a chegar a algum lugar, mesmo que eu já saiba que no fundo, no fundo, tudo isso se trata de mera questão de solidão confortável a qual eu me adaptei. É vergonhoso, mas enquanto eu ainda não providenciei um caderno para ter como diário, não importa, o texto é grande o suficiente para que eu saiba que ninguém irá lê-lo.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

O que é Constante

Fevereiro 2, 2012 § Deixe um comentário

Música: Punk e New Wave, Rockabilly e Indie
Filme: Bela fotografia e enredo
Livros: Aqueles que me façam desenvolver minhas qualidades analíticas
Roupas: Neutras, cor pastel
Sapatos: Vermelhos
Amanhã: Ser escritora, morar sozinha e ter paz
Ontem: Sempre esquecido
Presente: Faz tanto tempo que eu não ganho nada que qualquer coisa relacionada a cavalos ou Elvis me deixaria feliz
Nunca: Sempre
Bebida: Coca-cola, Contini
Constantemente: Inconstante

Where is my cigarette?

Fevereiro 2, 2012 § 1 Comentário

Filmes Para Relatar

Janeiro 24, 2012 § Deixe um comentário

Segue os trailers dos filmes que assisti nessas férias e um comentário bem pessoal a cerca de cada um deles:

J’ai Tué Ma Mère

A atuação das personagens principais (mãe e filho) é simplesmente excelente, foi um dos poucos filmes capaz de prender a minha atenção, até porque faço o tipo que se entendia facilmente, e com este filme, me senti bem inspirada se tratando de relações familiares, já que justamente esse filme trata da relação mãe – filho, relação essa que confesso ser bem delicada para mim.

Submarine

O filme me passou a sensação de ser numa visão geral, pouquíssimo admirável, mas que aos meus olhos adquirira uma certa magia ligada às coisas específicas. Específicas eu digo no sentido de: 1- O casaco vermelho da Jordana, que causava aos meus olhos admiração automática. 2- A narrativa e a personalidade do Oliver, inocente, puro e diferente na medida daquilo o que me é interessante. 3- O filme conta com praias desertas como cenário. 4- A trilha sonora. 5- O pai do Oliver me é fascinante. Enfim, existem um milhão de motivos específicos que faturam a minha mais profunda admiração para com esse filme.

The Aviator

É difícil falar deste filme e ainda assim soar natural, este filme fora, sem dúvidas uma das obras primas do Leonardo DiCaprio, a quem eu já admirava, mas que depois deste filme tornara-se meu ator favorito. E como se não bastasse, a trilha é magnífica, o figurino é impecável, e nem mesmo a fotografia deixa a desejar! Isso sem dizer o quanto o roteiro é fabuloso.

Total Eclipse

Mais um filme que me faz ter o DiCaprio como ator favorito. Neste ele interpreta fabulosamente o poeta Arthur Rimbaud, juntamente com David Thewlis no papel de Paul Verlaine. É claro que como sempre, mentiram e omitiram alguns detalhes ao que remete a vida dos dois poeta, mas o filme não me deixou de ser completamente fascinante.

Premonição

Não foi um filme surpreendente, mas o assisti com o meu pai e não existe nada que eu goste mais que assistir filmes com ele, eu não sei, tenho a sensação de que apenas nesses momentos nos tornamos íntimos de verdade, então o filme em si não faz muita diferença. Isso sem contar que, depois de Pretty Woman, Sandra Bullock não precisa impressionar muito mais.

Scarface

Tive a maldita sensação de “onde eu estive esse tempo todo que ainda não assisti esse filme?”. Quase chorei de tão empolgada com a cena final do filme, o que se compara com a minha emoção em cenas mais violentas de O Poderoso Chefão, mas essa comparação já é velha e por falar nisso não posso deixar de citar o qual irônico é ver Al Pacino dizer que detesta os “malditos mafiosos italianos”.

The Truman Show

É um filme bem emocionante, na medida que se espera com a atuação do Jim Carrey, mas devo assumir o quanto o final me abalou, o disparate dele para com a vida real depois de jogar toda a sua vida pelo lixo, pior, descobrir que toda a sua vida na verdade não aconteceu e de repente, passar a vivê-la. Procuro agora, menos indícios de que a minha vida possa ser falsa, o pavor de me deparar com a resposta me aflige demais pra isso.

Elvis – Paradise Hawaiian Style

Me dei de presente o box de musicais do Elvis Presley edição de aniversário e como se eu já não tivesse assistido a todos os filmes milhares de vezes, achei que simplesmente deveria incluir este aqui pela quantidade de vezes que o assisti. O Elvis é simplesmente fantástico, e como meu pai costuma dizer: foi o cara mais lindo que já existiu haha. Nisso eu devo concordar plenamente, está aí minha tatuagem que não me deixa mentir o fascínio.

The Great Dictator 

O assisti por recomendação da Vitoria e não preciso dizer o quão satisfatório me foi. Devo assumir que fiquei particularmente afetada em algumas cenas, cuja a eloquência simbólica fora muitíssimo bem representada. Gostei muito também do previsível final e da beleza como se encerrou. Mas não posso me esquecer que antes de tudo, estamos falando de Chaplin.

The Melancholy Death of Oyster Boy

Outubro 27, 2011 § Deixe um comentário

He proposed in the dunes,

they were wed by the sea,

Their nine-day-long honeymoon
was on the isle of Capri.

For their supper they had one specatular dish-
a simmering stew of mollusks and fish.
And while he savored the broth,
her bride’s heart made a wish.

That wish came true-she gave birth to a baby.
But was this little one human
Well, maybe.

Ten fingers, ten toes,
he had plumbing and sight.
He could hear, he could feel,
but normal?
Not quite.
This unnatural birth, this canker, this blight,
was the start and the end and the sum of their plight.

She railed at the doctor:
“He cannot be mine.
He smells of the ocean, of seaweed and brine.”

“You should count yourself lucky, for only last week,
I treated a girl with three ears and a beak.
That your son is half oyster
you cannot blame me.
… have you ever considered, by chance,
a small home by the sea?”

Not knowing what to name him,
they just called him Sam,
or sometimes,
“that thing that looks like a clam”

Everyone wondered, but no one could tell,
When would young Oyster Boy come out of his shell?

When the Thompson quadruplets espied him one day,
they called him a bivalve and ran quickly away.

One spring afternoon,
Sam was left in the rain.
At the southwestern corner of Seaview and Main,
he watched the rain water as it swirled
down the drain.

His mom on the freeway
in the breakdown lane
was pouding the dashboard-
she couldn’t contain
the ever-rising grief,
frustration,
and pain.

“Really, sweetheart,” she said
“I don’t mean to make fun,
but something smells fishy
and I think it’s our son.
I don’t like to say this, but it must be said,
you’re blaming our son for your problems in bed.”

He tried salves, he tried ointments
that turned everything red.
He tried potions and lotions
and tincture of lead.
He ached and he itched and he twitched and he bled.

The doctor diagnosed,
“I can’t quite be sure,
but the cause of the problem may also be the cure.
They say oysters improve your sexual powers.
Perhaps eating your son
would help you do it for hours!”

He came on tiptoe,
he came on the sly,
sweat on his forehead,
and on his lips-a lie.
“Son, are you happy? I don’t mean to pry,
but do you dream of Heaven?
Have you ever wanted to die?

Sam blinked his eye twice.
but made no reply.
Dad fingered his knife and loosened his tie.

As he picked up his son,
Sam dripped on his coat.
With the shell to his lips,
Sam slipped down his throat.

They burried him quickly in the sand by the sea
-sighed a prayer, wept a tear-
and they were back home by three.

A cross of greay driftwood marked Oyster Boy’s grave.
Words writ in the sand
promised Jesus would save.

But his memory was lost with one high-tide wave.

Where Am I?

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