Mais sábados

Março 10, 2012 § 1 Comentário

Mais um dia em que a combinação sábado e chuva se fazem presentes em minha vida para torná-la ainda mais emocionante. Oh, emoção provinde da melancolia, quanto mais distante fica, mais a quero perto e quanto mais se aproxima, mais me conformo.
Conformismo.
Haverá um dia em que essa coisa será tirada de mim?

Penso se um dia não seremos só nós. Um dia, todos os dias serão sábados. E todos os sábados serão chuvosos.

Ultimamente está tudo tão fora de controle, uma situação remetente a minha antiga rotina me pareceu um tanto desesperadora, o fato de não saber agir nos momentos em que eu deveria saber.

A pior coisa de se sentir bem é se viciar. Que coisa terrível! Melancolia me envolve pelos dias em que eu me comportava mais pacificamente comigo mesma.

Tudo é silêncio. Acho que comecei a sentir a arte ao invés de tentar entendê-la. Tudo é sensação.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

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Brilho Eterno de Uma Tarde Chuvosa de Sábado

Fevereiro 26, 2012 § Deixe um comentário

Não, não existe de fato o sentimento de contentamento humano. Não existe a amplitude do seu conformismo para com sua posição diante do mundo. Não existe felicidade crônica, não existe autenticidade, não existe o fim da agonia Não existe verdade, mal existem os sentimentos, programamo-nos para melhor adaptação de nossas próprias prioridades superficiais. Não existe linha de chegada para os nossos desejos, não existe ponto final para o nosso descontentamento. Estamos todos lutando contra nós mesmos numa corrida infinita em direção as nossas falsas noções de felicidade. Sempre que alcançamos um objetivo, seja qual for, colocamos a nossa frente, outro, ainda mais impossível e terrivelmente inalcançável, tudo pelo simples âmbito de nos sentirmos insatisfeitos com a nossa própria capacidade. A pior coisa em sofrer esse mal, é saber sofrê-lo.

Sábados, à tarde e chuvosos costumam ser, para mim, muito mais melancólicos do que qualquer outro dia. Talvez não por coincidência, todas as vezes em que esses dias chegam, me sinto estranhamente sozinha, tudo se esvai e o que permanece é uma lembrança solitária de tudo aquilo que está distante. Eu sinto como se eu mesma houvesse me abandonado, sinto-me estranhamente dentro de mim, pura, livre e suspensa.

Costumam dizer que nos dias ruins a tendência é de que tudo dê errado, essa concepção é tão relativa… Hoje o dia não foi em todo ruim. Foi um dia triste. Um dia solitário de eu mesma. O amaciante terminou quando fui lavar roupa, a carne queimou, o bolo embatumou, houve uma pequena lagoa dentro de casa devido as goteiras, mas economizei água lavando roupa, os riscos da carne mal passada foram eliminados, o bolo ficou parecendo um pudim e a lagoa molha meus pés, deixando-os refrescados. Meu dia só foi melancólico. Um daqueles dias que nos prendem a esse tipo de sentimento. Existe, no entanto, dias pressupostos a melancolia, como hoje. Dias em que as coisas que dão errado insistem em nos causar um grau quase infantil de frustração, apenas para vermo-nos sorrindo diante da nossa própria falta de sorte e talvez sorrindo ainda mais embaraçosamente por sorrirmos sozinhos. É uma melancolia profunda, é um sentimento delicado e muito sensível, algo que nos dá a impressão de ser e não ser simultaneamente. Um daqueles dias em que simplesmente achamos que deveríamos estar vivendo qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar, com alguém, é inclusive nestes momentos em que sentimos a simples falta de alguém. São nesses dias principalmente que achamos que a nossa vida está sendo desperdiçada e rimos, sim, nós rimos por estarmos sós e não podermos fazer absolutamente para mudar isso, ainda assim, existe um contentamento patético que nos diz estar pensando bobagens, o que nos torna ainda mais frustrados pela falta de atitude e indiretamente pela auto-aceitação de sermos aquilo o que não gostaríamos de ser, com o fundo melancólico da chuva e de um piano que serve para te alimentar daquele seu estado de espírito. De qualquer forma, eu gosto de me sentir assim. Me faz escrever coisas que eu julgo profunda, me faz gostar da minha reação diante de situações tão rotineiras, me faz me orgulhar da minha visão analítica para com essas coisas e dar a elas um fim poético. A melancolia é como ar de sonho em meio à realidade, transforma uma tarde de sábado em um vertiginoso sentimento. É uma doce tristeza que eu gosto de sentir nos dias chuvosos de sábado. Enquanto tomo meu café com canela e rio da minha solidão, ainda frustrada por rir sozinha. Existe uma linha tênue entre a felicidade e a tristeza. Nesses dias de sábado, eu me deito de olhos fechados sobre essa linha.

Tal tipo de melancolia costuma vir em temporadas, mas sempre quando vêm, habituo-me a entregar-me a ela. Tudo aquilo o que a estimula, direta ou indiretamente, eu utilizo para compor o meu dia. Esta manhã de sábado, para mim, ainda na cama, representava tal sensação, mas inconscientemente, me ocorreu de assistir a um filme que marcou significantemente a impetuosidade desta sensação. E é ai que surgem as coincidências que quase me fazem querer acreditar na palavra “destino”. Porque eu assisti a aquele filme, hoje? Percebi que existe tanto de mim naqueles personagens! Ambos! Tanto! Por um momento me perdi em mim mesma, sem saber quando ou quem eu já havia apagado da memória e quantas vezes… tudo isso sem nem mesmo ter ido à uma clínica, tudo isso sem nem mesmo a realidade existente no filme! E o que mais do que tudo me afetou, foi o simples fato de entre essas pessoas já esquecidas, não restar um “que” sequer de arrependimento, tampouco imaginar uma só pessoa por quem, em longo prazo, eu não faria essa cirurgia. Tudo se trataria de fazer novas amizades e como eu, ainda por cima, sou péssima com tal atitude, me afundaria mais e mais no profundo poço dos meus próprios desejos. Eu não sei, esse foi, talvez, apenas um dos meus muitos pensamentos relacionados ao filme. Eu gostaria de assisti-lo novamente, eu gostaria de ter um acompanhamento psicológico acerca da minha reação e motivos, mas a incerteza que me faz encontrar tantas ramificações talvez me ajude a chegar a algum lugar, mesmo que eu já saiba que no fundo, no fundo, tudo isso se trata de mera questão de solidão confortável a qual eu me adaptei. É vergonhoso, mas enquanto eu ainda não providenciei um caderno para ter como diário, não importa, o texto é grande o suficiente para que eu saiba que ninguém irá lê-lo.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

Chuva numa madrugada de Sábado

Fevereiro 12, 2012 § Deixe um comentário

Não existem dúvidas de que a chuva me é extremamente inspiradora, principalmente nas madrugadas de sábado. Ultimamente estive empenhada em escrever artigos políticos, tanto para um maior conhecimento da minha parte sobre o assunto, quanto para sair da minha própria zona de conforto, no entanto, nada mais romântico do que a chuva numa madrugada de sábado para me fazer querer escrever algo mais sentimental.
Apesar da imensa propensão para tal, não me sinto melancólica, não me sinto nem mesmo melancólica pelo fato de não me sentir melancólica, como costumava ser antigamente, onde tudo era motivo para uma melancolia tocante que tanto fazia parte dos meus escritos. Desta vez escrevo sem nenhum fundamento sentimental ou romântico, apenas reflito logicamente sobre a influência da chuva nas madrugadas de sábado para escritores românticos como eu, que apesar de todas as minhas mudanças para com meus escritos, ainda me considero tal. Não banalizo os sentimentos sobre os quais já tanto escrevi, tampouco desejo parar de escrevê-los. Existe alguma coisa na natureza humana que me impede disso. Mas neste momento, apenas reflito de um ponto de vista muito mais racional a importância dos sentidos para com um todo e não só romântico, sentindo como se o som das gotas caindo no meio do silêncio sombrio da madrugada fosse capaz de inspirar a qualquer um, com qualquer propósito, tanto um matemático, quanto um músico, tanto um governador quanto um pensador político, tanto um filósofo quanto um médico. A chuva, o silêncio e a escuridão são extremamente inspiradores para qualquer um com o propósito de reflexão. Tudo fica mais belo, mais intenso, mais vivo nestas condições. A natureza humana une-se com as naturezas externas, criando um estado de criação propício a qualquer um com o simples desejo de refletir, criar e concluir. Oh, se todos pudessem ver e sentir como eu sinto. Se todos pudessem se deixar sensibilizar por este encanto… creio que o mundo precisa de profissionais mais sensíveis, creio que o mundo precise de um pouco mais de contemplação para com as coisas simples e simplesmente inspiradoras, estimular-se-ia o caráter e as ideias.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

Reflexões na chuva

Janeiro 1, 2012 § Deixe um comentário

A chuva caindo fina e silenciosa bate na janela da minha sala. Estou sentada no sofá, uma música toca no fundo, é um ritmo lento e intenso, minha cabeça gira em torno de ideias sem nenhum fundamento. Eu queria fugir agora, mas até mesmo a fuga corre de mim. Olho para o céu pálido, com um suspiro encaro a realidade dos meus sonhos, eu jurei me desapegar a eles também, mas eles não desapegam de mim, ainda sinto falta de um sorriso direcionado à mim. Pode parecer bobagem, sim, é uma grande bobagem, mas sinto falta das grandes bobagens, sinto falta daquelas risadas no dia frio, de abraços quentes, de lágrimas pesadas. A chuva intensificou, parece agora cobrir a cidade com sua melancolia vertiginosa. Entre nós a semelhança da vazies de propósito e beleza da profundidade. A mesma chuva que temos aqui, temos também em toda parte. Um dia eu vou ir embora para bem longe, aqui vai restar alguma coisa de mim? A minha vontade de fugir tinha o princípio de abandonar a tudo, inclusive uma parte de mim que ficará aqui e que em nada me agrada, mas agora, como se eu já tivesse ido, como se eu já estivesse distante, sinto o peso da falta de lembranças, o abandono apesar de tudo, me fez pensar também que de mim, aqui não restará nem mesmo memórias, nem mesmo saudades. Durante todo esse tempo, eu fui uma sobra, vazia, inaudível, imensurável. Que bobagem! Novamente, quanta bobagem! Tudo isso acaba sendo dramático demais e talvez seja por isso que por tantos eu fui esquecida. A intensidade foi feita para ser explicita e não para ser profunda. Vivo procurando motivos para acreditar nas minhas verdades, mas nem mesmo eu as entendo, quando isso acontece, mais uma vez me sinto perdida. Sobre isso ninguém entende, ninguém quer ouvir, passa a ser então somente mais um pedaço de consciência, mas afinal, é bom sentir-se estar vivo e ainda ser humano, sentir falta das pequenas bobagens da vida, aquelas que ignorei para assumir uma posição mais sensata, a sensatez me encaminha para a verdade que muitas vezes me é tão dura que mal posso carregá-la, assim como a chuva, também tenho momentos banais em que me descarrego de toda essa carga emocional acumulada num rosto impaciente e intolerante, e um coração também, mas não deixa de ser uma essência de um todo. Verdade seja dita, tal melancolia incentivada pela chuva é provinde da minha ausência imediata. Não ainda me fui, mas a sensação para comigo e com todos a minha volta é inegavelmente a mesma, e já posso imaginar perguntarem por mim como alguém que já se ouviu falar e não mais se lembra o nome, vão dizer “ela se foi”, e a resposta será uma exclamação vazia e sem importância… e mesmo que eu queira ficar distante de todas essas pessoas, me doe saber que não existe mais ninguém aqui capaz de sentir verdadeiramente a minha falta e então por essa linha de raciocínio logo me vem a mente a solidão na qual me encontro e a insignificância da minha posição social por todo esse tempo. Quantas bobagens, em breve afogo-me na profundidade das minhas reflexões, a chuva delas não para dentro da minha mente como não para lá fora, na rua.

Por Constace, constantemente  inspirada pela chuva .

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