Uma Última Carta

Abril 2, 2013 § Deixe um comentário

[…]Eu estou de volta e eu estou cansada, você vai me perdoar meu bem, mas meu calor tá se apagando tão rápido quanto a minha disposição. Eu disse pra você me esperar no carro, não disse pra você me esperar em casa por que a gente vai para os lugares e sempre volta. Me esperar no carro poderia ser em qualquer lugar. Eu me apaixonei pela sua ingenuidade e quis te proteger, agora você já é um fardo e eu gostaria de poder aproveitar um pouquinho da minha vulnerabilidade com alguém. Eu realmente não quero parecer fria, na verdade isso tudo carrega uma puta melancolia, a qual eu não sei mais desassociar a qualquer coisa com relação a nós. É tudo sempre assim, e não sei se por receio ou culpa, tanto eu quanto você sentíamos esse desconforto e continuávamos empurrando esse relacionamento com a barriga. Mas agora eu tenho certeza que já conseguimos deixar essa situação muito pior do que seria o término. Eu vou me sentir sozinha sem os seus olhos chorosos, eu vou me sentir perdida sem ter mais que te guiar, você vai se sentir muito mais sensível, você vai se sentir muito mais perdido, vai ficar tão horrível que nem vamos sentir falta da falta que nos uniu. Depois desse dia, não me procure. Eu provavelmente vou estar com um cara maior e mais forte, alguém que faça comigo o que eu cansei de fazer por você e isso pode ser constrangedor para triplas as partes. É só uma questão de evolução ou adaptação. Não se sinta mal, eu vou me enjoar dele também. Eu sei que você vai dizer que seria incapaz de se enjoar de mim se fosse antes, mas é assim que acontece, as pessoas quem queremos por perto são as que vão embora e você vai deixar alguém um dia. Os caminhos continuam se criando e a nossa relação já criou o número de variáveis necessárias pra você conhecer a próxima pessoa que não será eu.  A gente ia ficar de dividir os móveis na semana que vem – segundo os meus planos-, mas vou me utilizar dessa carta pra dizer que eu só vou precisar da TV, eu gosto mesmo daqueles programas de construção dos canais fechados e além de me fazer bem quando eu estiver sozinha, você nunca ligou para a televisão. Minha mãe não vai ficar surpresa com o fim da relação, mas diz pra sua mãe que eu gostei um pouquinho dela. Enfim, eu não se há mais o que dizer. Desde que nos conhecemos eu quis ficar com você por que a sua vulnerabilidade te fazia precioso pra mim, eu gostaria de me sentir segura como eu iria fazer você sentir, mas eu falhei na minha missão por inveja própria. Era difícil ver você tão feliz quando eu não estava. Egoísta ou idiota, eu estou tentando ser sincera, ok? Nunca escrevi uma carta e pensei que talvez fosse melhor te escrever um e-mail, por que você poderia apagá-lo com mais facilidade que queimar essa carta, por que queimar fede e faz sujeira, tá bem não precisa ser tão poético, só joga a coisa no lixo, por que vai ser muito deprimente se você guardar. Finalizo por aqui por que o papel já está acabando e os meus dedos doem por falta de hábito. (Depois que a gente sai do colégio nunca mais pega um lápis. Bem, você não, mas sabe como eu sou “pragmática”.) Nos vemos algum dia quando deixarmos de sermos quem somos agora e nos transformarmos em outras pessoas. Você mais forte e eu menos triste.
Um beijo, Samantha

 

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Cartas ao Oscar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

Meu caro,

Eu não queria escrever-lhe esta carta, mas necessito fazê-la, do contrário sinto que o acúmulo de todo esse sentimento seja capaz de conduzir-me ao mais profundo túnel da desolação. Hoje, depois de muito tempo, venho escrever-lhe e a sua preocupação não deve girar em torno dos motivos que me levam a escrever-lhe e sim os motivos pelos quais permaneci em silêncio por tanto tempo. Pode-lhe parecer estúpido, mas evitei o contato propositalmente, você bem sabe o quanto a rejeição me apavora, e escrever-lhe com a clara ideia de que não obterei respostas é muito frustrante para não dizer doloroso.

Esta manhã, tudo pareceu tranqüilo, o sol estava muito forte como raramente costumávamos vê-lo, lembrei-me de quando íamos ao parque, de como sorria nosso pequeno Cyril e tão logo me senti mal o suficiente para querer que todas essas coisas jamais tivessem acontecido. Não foi preciso muito mais tempo para que eu me mortificasse sobre tal pensamento, voltando à mim mais uma agonia, minhas languidas saudades!

A cada pensamento, a cada reflexão, tenho a mais clara ideia de que tudo o que se passou é tão palpável quanto os meus sonhos, mas que mesmo assim, esses sonhos me parecem ainda mais reais que a realidade que vivo. Sinto-me viva por uma questão insólita, não existe mais nada o que fazer, não existe mais nada o que esperar, o que havia para ser vivido, esperado, já aconteceu e hoje de tudo perdeu-se o valor, apenas o que me resta é a mórbida lembrança de tudo o que houve e não pode ser revivido, alterado. Se ao menos tudo tivesse acabado naquele momento!

Minha alma não mais espera poder viver ao seu lado, não, já me contentei com o contrário e muitas vezes sou bem realista quanto a esse ponto (seja lá o que realista queira dizer), e da mesma forma como desejo abandonar todas as lembranças passadas apenas para não mais sofrer em nome do passado, temo em dizer que minha única felicidade esteja em recordar o que tenho de ti.

Não tenho mais nada o que dizer, creio que eu não possa ter ainda mais o que dizer. A minha forma de amor por você, permanece a mesma, terna e silenciosa, seu amor por mim, posso sentir a sua sinceridade, mas ela jamais desfará o sofrimento que carrego e é somente por este sofrimento que pude identificar suas origens até mesmo hoje.

Termino por aqui esta simplória e ainda sim intensiva carta, sem esperanças de que você a leia, sem esperanças de que um dia eu possa obter alguma resposta, sem esperanças de com ela reavivar alguma sensação passada e perdida, apenas escrevo porque me é o que parece sensato fazer, e por que sinto que se o fizesse, acabaria perdendo-o, e a sua lembrança dentro de mim por pior que seja, é a única coisa que tenho, prefiro conservá-la a perdê-la.

Com todos os meus saudosos sentimentos, Contance.

Cartas ao Oscar

Agosto 11, 2011 § Deixe um comentário

Queridíssimo e amado Oscar…

Meu Querido Oscar! Há quanto não o escrevo! Devo assumir que isto só se deve ao fato de que você nunca o faz! Mas tudo bem, por que não consigo, jamais, ficar sem escrever-lhe! Vêm-me o imenso medo de que você possa vir a esquecer-me! Espero que isso não aconteça nunca. Sei que não me ama da forma como o amo, mas o que seria de mim… Agora, uma Constance moderna, não tanto quanto ti, mas sim, agora… um pouco mais moderna, sem um platonismo? Após tantos anos, não sei se ainda o conheço, e talvez seja esse o motivo pelo qual cultivo tanto amor por você. O fato de não conhecê-lo! É maravilhoso sonhar todas as noites com os lábios mais macios e sensuais, com o toque mais formidável e com as palavras que jamais direcionaria a mim com sinceridade se não fosse um sonho, planejamento idealizado pelo fato de não ter de você, conhecimento necessário para saber que jamais diria essas coisas tão românticas, talvez também, profanas, que cabem tão belamente à minha imaginação! O que diria você dessas palavras que escrevo-lhe tão ardidamente?! Jamais haverei de saber? É triste, muito, muito triste. Por que nunca, jamais, em nenhuma outra circunstancia fui tão sincera!

Carinhosa e apaixonadamente, Constance.

Previsível por ser Constante?

Julho 25, 2011 § Deixe um comentário

Amado Oscar,

Mais uma vez escrevo-te, sim meu amor, meu querido, escrevo-te por que sinto saudades, sinto mais a sua falta do que posso sentir, por isso, escrevo. Espero que de alguma forma possa ler meus escritos, de alguma forma, eu espero que receba essa mensagem e tenha conhecimento do meu amor por você que é manifestado com um pulsar retumbante de meu coração sempre que de ti me lembro. Ora e faço questão de procurá-lo em todos os lugares, o tempo todo e por isso, faço de minha rotina sentir a sua falta. Quando hei de encontrá-lo? Se eu estou aqui, por aqui há você de estar em algum lugar, de alguma forma, há de procurar-me e se possível, sentir minha falta tanto quanto de ti eu sinto. É importante para imaginar que o sinta, do contrário, posso morrer, sinto que posso! E se pronuncio essas palavras, bem sabe da facilidade que as tenho em fazê-lo, pois “o segredo do amor é maior que o segredo da morte” . E morrer é absurdo, mas é demasiadamente prático e previsível fazê-lo, não há segredos na morte, se há, é um segredo sem estímulos, todos o conhecerão. Já o amor, é algo tão raro, tão incompreensível e por isso tão desafiador e encantador. Sinto-o por você e isso me o suficiente para querer acreditar que existe motivos para tal.

Com amor, Constance.

O platonismo é a única forma de amor possível a um artista. por Constance, constantemente saudosa.

 

Cartas à Oscar como sendo interprete para a sociedade

Julho 2, 2011 § Deixe um comentário

Hoje estou triste, um tanto quanto decepcionada comigo mesma. Você, tão vivaz, tão apaixonado, tão intenso… Escrevia comédias, enquanto a mim, um pedaço vazio sem expectativas, sem sentimentos, talvez, quase sem vida… Escrevo romances que jamais vivenciarei, que jamais acreditarei. Me coloco limites, mesmo que eu não me rotule, sei o que sou e isso é tudo, pois não sou nada. Nesse momento uma crise me aflora e sinto como se apenas a impossibilidade fosse capaz de mover-me. Mover-me para os caminhos sórdidos onde não quero chegar, pois meus desejos vão além da minha capacidade e assim, por esse motivo, os romances que escrevo se tornam tão intensos. Mas então, olhando para mim eu vejo um pedaço de nada. Quem dera eu pudesse parar de escrever! Quem dera eu pudesse viver e sentir mais do que posso transmitir em palavras. Quem dera eu pudesse ser a rainha de mim mesma!

Gostaria eu de te um coração, pois sinto como se apenas eu tivesse um espírito produtor! Gostaria eu de não possuir um coração, que tivesse sido ele roubado e deixasse-me a mercê de qualquer expectativa! Quem dera eu querer dar tudo por alguém… Quem dera eu não ter nada por já tê-lo entregado a alguém. Quem dera eu ter olhos para com mais alguém além de mim mesma. Quem dera eu viver a vida e não os dias!

Quem dera eu viver os romances e não escrevê-los!

Por Constance, constantemente saudosa, submissa e infeliz…

 

Cartas ao Oscar

Julho 1, 2011 § Deixe um comentário

Por que o estimo? Oh, o amor é de fato uma coisa valiosa, valiosíssima, na verdade! Maior é o seu mistério que qualquer outro! Mesmo após tantos anos, prevalece em mim uma espécie de respeito e admiração apenas a pronunciação do seu nome. Quem foi você, ou o que o era para mim? Seja lá o que havia sido, ainda existem vestígios. Perdoe-me se soei rude em minhas palavras, prometo encontrar-me com você em breve, talvez em um sonho ou em uma página de um livro, por que sei que sua influência está exercida sobre mim de foma acentuada, é inegável!
Tenho medo de estar soando demasiadamente tola, mas a verdade é sempre muito profunda para ser compreendida, automaticamente acaba por receber o título de mentira… e isso é tão profano!
Gostaria de poder esperar respostas suas, mas sei que poderei encontrá-lo um dia, e com a irreverência que me fascina, me fará apaixonar-me novamente…
E se assim o vejo por minha simples ignorância em desconhecer demasiados autores, por que em meio aos tantos poucos que conheço, você se destaca nessa forma de platonismo? Sim, devo eu assumir minha tendência ao platonismo de forma extremista  e muito organizada, sendo classificada em gêneros, mas isso não é assunto para essa carta, o que devo dizer é que penso estar enlouquecendo, de qualquer forma, vou terminar a carta por aqui, por que imaginação, por algum motivo (ou simplesmente por falta de motivos) já parou de processar a ideia.

Saudosamente, Constance

Cartas Roubadas

Junho 30, 2011 § Deixe um comentário

16, Maio

August, estou respondendo esta carta apenas por que acredito ser algo adequado a uma dama do meu porte fazê-lo, no entanto sei o quanto deve estar a palpitar por estar em mãos com um pedaço de papel cujo minhas mãos cuidadosamente trabalharam, mas peço-lhe que não tarde a se animar pois este é o meu primeiro e último trabalho para com você!

Não consigo acreditar em como consegue rogar-me à boas memórias sendo que prevalece em minha memória todos os maus momentos! Em minha alma, todo o repúdio e em minha pele, as marcas por ti causadas. Não escreverei para ti uma sequer palavra de compaixão ou bem dizer. Não consigo para contigo, reservar um só sentimento se não o ódio e sequer as longas tardes de outono ao seu colo me foram foram valiosas, se não válidas para aumentarem o valor da imoralidade que exerce sobre mim.

Em minhas longas e incansáveis cartas, não só a ti mas a todos para o qual escrevo apenas de ti sei falar em palavras dolorosas e profanas a sua pessoa!

August, se soubesse, se soubesse o quão forte, intenso e vívido és o meu ódio por ti. Se soubesse ao menos o quanto desejo ver o seu rosto para difamá-lo e detestá-lo! Se ao menos soubesse o quanto meu coração bate ao vê-lo, estremece de inquietação, uma inquietação dolorosa e horrenda! Responsável, é claro, pleo meu ódio por ti, e só!

                                                                                                             Desgostosa, Camile. 

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