Alice no País das Minhas Maravilhas

Setembro 22, 2012 § Deixe um comentário

A Alice de Carroll

Alice, cabelos curtos, negros e desgrenhados, olhos grandes terríveis e impacientes, e uma boca pronta a beijar seu adorador. Alice, impositiva, birrenta, adorável, mal vestida, descalça, livre. Alice, sonho impossível, inspiração, nuvens e ares, cheiro e sabor. Alice, pequena, frágil, delicada, um desejo de posse, o motivo de suspiros, tristezas, desejos de morte. Alice, doce, amarga, azeda, deliciosa! Alice, dona de preces e desejos ocultos, dona da lembrança de uma infância que aquele jamais pôde ter. Alice, curiosa, maluca, louca, bela, astuta, atrevida, sonhadora, preciosa Alice! Alice, passos languidos, sorrisos ambíguos, infantilidade adulta, desejo e falta, caminho e perdição. Alice, preciosa, encantadora, beijoqueira. Alice, retrato de um apaixonado, a mais especial de suas fotografadas! Alice, amiga fiel, amiga sincera, amiga concreta, amiga criança. Alice, inspiradora Alice!

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Alice no País das Minhas Maravilhas

Setembro 22, 2012 § Deixe um comentário

Efadonha Alice

Alice era uma garota crua, fria, calculista. As bochechas rosadas e cheias de sardas, ocultavam todos os seus traços e ela mal sorria. Talvez por falta de hábito, talvez por que o peso das bochechas a impedisse. Tinha o cabelo enorme, repleto de cachos ruivos. Prendia-o com um lenço no topo da cabeça, assim como há de ficar uma tiara, para que não lhe caíssem aos olhos, que eram tão azuis quanto pode-se ser o mar visto da lua. Usava um vestido branco, repleto de bordados, rendas e gomos. Os pés descalços caminhavam pelo gramado, enquanto sua irmã lia um livro encostada à uma árvore, sem notar sua presença. O ar entediado, saía de sua respiração a cada bufada impaciente, o que era constante, dando-lhe o ar de criança mimada e consecutivamente amarga. A verdade é que Alice não era curiosa, não era corajosa nem perseguidora de coelhos brancos. Só era uma menina chata demais para ter amigos que fossem reais.

Alice no País das Minhas Maravilhas

Setembro 22, 2012 § Deixe um comentário

Alice das Maravilhas

Eram duas horas da manhã segundo o relógio cuco, estava atrasada! Atrasada para desaparecer, era quase a hora do chá!Alice olhava para os lados, sorria, desaparecia, aparecia de novo – das vistas de sua mãe. Alice corria, tomava seu chá às seis, às cinco, às oito e às dez. Sempre era a hora do chá! Soluçava, impaciente “quem sou afinal?!”, filosofava também. Olhava para os lados encontrava-se em meio à estupidez e insanidade daquele mundo completamente sem sentido. Porque as pessoas agiam daquela forma?! Ficava impressionada, e para acalmar-se, ora dançava a quadrilha das lagostas! Porque nada podia ser tão óbvio quanto realmente é? Cansava-se logo de tudo o que via. O mundo não podia ser mais impressionante que sua verdadeira realidade.

-Estão todos loucos do lado de fora! – pensava quando olhava para fora de sua própria cabeça. – deveria existir alguém para cortar-lhes as cabeças…

Confirmava num balanço de cabeça, concordando consigo mesma e ia jogar whist.

Por Constance, constantemente dentro de sua própria cabeça

Constance no País das Maravilhas

Dezembro 30, 2011 § Deixe um comentário

Tenho a sensação de que não gostaram de minha última Alice, a Alice de Carroll.

-Sua Alice ou Alice de Carroll? Porque teima em sempre complicar as coisas?

-Nada complico, pelo visto nem mesmo você anda acompanhando meu trabalho!

-Se acompanho meu próprio trabalho logo me canso de trabalhar. O trabalho não deveria ser enfadonho.

-Fala belamente!

-Falo como Oscar Wilde em um livro importante e demasiadamente sério.

-Fala belamente!

-Tudo em Oscar a remete ao belo, Constance.

-Nisso devo, finalmente, concordar. Por fim, sinto-me desmotivada à escrita.

-Então porque está escrevendo agora, neste momento?

-Por que me sinto sozinha.

-Deve reavaliar seus conceitos de solidão. Começa a me dar pena!

-Isso pouco importa. Penso que não gostaram de minha última Alice.

-Se tanto insistes, pergunto. É uma pena que não saiba o quanto ficas patética quando insiste na aquisição de uma pergunta. Porque pensa que não gostaram, seja lá quem forem essas pessoas, de sua última Alice?

-Isto é óbvio minha cara! Porque ela é demasiadamente real!

-Desculpe-me, mas quem é a senhorita? – perguntou um homem atarracado e ruivo, tinha olhos verdes perdidos nas órbitas e uma cartola enorme.

-Constance. – respondeu com simplicidade.

-Vive olhando para os céus!

-Para os céus! – repetiu num grito estridente, uma lebre falante e maluca.

-Venho convidá-la para o chá.

-Não sinto-me convencida a participar do chá com um pedido tão medíocre. Convida a todas as jovens loiras que por aqui passam?

-Já convidei morenas, garotos e até um cavalo também, não se sinta exclusiva! Posso oferecer-lhe café.

-CAFÉ? – gritou a lebre.

-Naturalmente. – concordou Constance.

-Café. – sibilou a lebre.

-Café? – perguntou o chapeleiro.

-Prefiro, de qualquer forma, o chá. – respondeu Constance por fim.

-Não deve se deitar em chá com qualquer maluco, mesmo que este seja um chapeleiro, um ótimo chapeleiro, mas ainda assim um chapeleiro. – disse um ser metade homem, metade flor. Sua parte flor dava a ele um ar adorável e imbecil.

-Engula suas palavras! – esperneou o chapeleiro – é chá de excelentíssima qualidade!

-Não é culpa dele, são apenas efeitos de uma série de sessões de inalação de Mercúrio. – disse Constance para tomar ar de sensatez.

-Foi para Mercúrio? – pergunto o homem-flor.

-Prefiro Plutão aos sábados. – respondeu o chapeleiro.

-Não há nenhuma razão para ser diferente. Mercúrio dá uma bela cor ao chapéu, mas não oferece serviço de quarto! – concluiu filosoficamente o homem-flor.

-Talvez essa seja a falta de realidade que me estava faltando. – sibilou Constance, todos riram. – Mas tudo o que eu preciso são meias novas e um futuro próximo e não leitores contentes.

-Tão enfadonho é agradar! Ergh. – disse o homem flor tirando uma de suas pétalas. – Mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer. Todas as pétalas só sabem dizer isso!

-Comece arrancando-as pelo outro lado! – gritou Constance!

-Sim, sim, faz todo o sentido! – agradeceu o homem flor.

-Agora preciso voltar. – suspirou Constance.

-Para onde? – quis saber o homem-flor e o chapeleiro.

-Para Mercúrio, é claro.

-Plutão é muito melhor. – disseram o chapeleiro e o homem-flor juntamente.

-Mercúrio dá-me inspiração, sua inalação causa-me aquilo que preciso para compor, um pouco menos de consideração à realidade.

-Em Plutão despreocupa-se com a existência a existência. – argumentou o homem flor.

-Isso sem contar o serviço de quarto!! – berrou o chapeleiro conclusivamente.

1– Antigamente, Mercúrio era utilizado no processo de confecção de alguns chapéus, não sendo possível evitar a inalação desses vapores. Chapeleiros frequentemente sofriam de intoxicação, causando problemas neurológicos, incluindo desordem na fala e visão distorcida; Não era incomum aos Chapeleiros aparentarem perturbados e mentalmente confusos; muitos morriam cedo como resultado desta grave intoxicação.

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