Ao amor que não me foi dado

Junho 4, 2013 § Deixe um comentário

Entrei mais uma vez onde meus sonhos são só delírios inconsequentes, beijei as paredes e dormi nos tetos molhados. Tudo escorria e por todos os cantos eu podia sentir as paredes derreterem nos solavancos. Estava cansada, talvez já com frio demais para dormir ou para me levantar, permaneci por tempo o suficiente para apreciar a aparente falta que já me falava alto. Beijei as paredes e me apoiei no abrigo. Respirei minha alma, tomei banho, tomei um danone e tomei alguns remédios. Os dedos dos pés arrastando pela casa com um sonido inaudível e repreensível. Amei tanto e por tanto tempo que chorei até me afogar. Haviam peixes por todos os lados que acariciavam meus dedos, pude rir, mas as bordas continuavam se afastando mais e mais. As minhas principais ambições morreram, morri por alguns momentos em várias situações, me senti emocionada, me senti tocada, me senti intrínseca comigo mesmo por não saber quem sou e não ter ideia. Sempre um abismo do “eu” em mim. O amor vem tão violento quanto um soco. Eu estou chorando! Percevejos andam pelas minhas pernas arrepiadas de frio e de feridas abertas e brancas enquanto eu amo o amor que não foi me dado.

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Maio 31, 2013 § Deixe um comentário

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Maio 31, 2013 § Deixe um comentário

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O Cansaço do Eu

Maio 31, 2013 § Deixe um comentário

Estou cansada, cansada, triste, fraca, pesada. Me arrastando pelas estações que já foram tantas vezes. Talvez seja o frio. Talvez seja a estagnação. Talvez seja a doença. Meus pés doem. Talvez seja hora de partir, eles dizem. É preciso. Tenho tantas preces e nenhum deus para atendê-las. Tenho tanta pressa e nenhum lugar para chegar. Ainda fico desesperada quando tudo se esvai. Assisto minha própria morte nos dias que passam com uma calmaria tamanha que beira ao tédio.

No meu corpo já haviam tantas feridas quanto é possível. Carcaça sobressalente. Continuei andando, me arrastando por onde eu me perdia de mim aos pedaços. Estava tão triste e tão pequena que comecei a rachar. A chuva começa a despencar das perolas. Estamos perdidos, eu sempre dizia para mim mesma. Não sei se consigo respirar. Tinha mais motivos para ceder que pra desistir.

Nos despedimos enquanto me atacavam as dores estomacais. Senti cheiro de terra, cheiro de fumaça e de cabelo. Foram mais dolorosas as suas dores do que eu pode imaginar. “Você não vai levar nada a sério enquanto se sentir segura no outro que se faz de ti”. É só mais uma repetição monótona do meu estomago dolorido. Vêm de todos os lados. Eu podia ver mais felicidade, mas a tranquilidade que me foi posta me impede.

Pensei em me mudar para um floresta. Um ninho de solidão e paz. Gravetos e frutas. Pelos e chuvas fortes. Pensei em ficar onde estou, estagnar, manter, preservar. Sem ir, sem ficar, me locomovo em mim pela necessidade e pelo impedimento. Eu não faço a menor ideia de quem eu sou. Me procuro nos outros e tento salvá-los até me cansar desse pedaço de mim que vejo neles. Estou mancando. Estou tão triste que vou no colo. Estou tão confortável que me esqueço. As últimas promessas já morreram.

Ressurreição

Maio 23, 2013 § Deixe um comentário

Cambaleamos até a calçada, tão próximos quanto podíamos para nos protegermos tanto mais do frio de uma madrugada que já foi  agitada, barulhenta, ofuscante, abafada e lotada. 3h47 AM. Agora tudo está parado, silencioso, escuro, gelado e vazio. Somente nós dois sentados na calçada enquanto o vento grita. Tudo parece sujo, cru e abandonado. Dormimos um no ombro do outro como crianças de rua. As mãos tão apertadas quanto encardidas. Havíamos sido esquecidos. Quase mortos. Quase vivos. Naquele momento, já não havia mais nada a dizer. Entregues a o que quer que fosse, nos desviamos das possibilidades. A madrugada avança e o sol não nasce, o ônibus não chega, o cansaço não passa, a dor nos pés pisados não ameniza, a minha fome desvairada da sua. Tudo segue um mesmo ritmo de estagnação e necessidade. Nada será o mesmo. Nenhuma palavra. Eu sonho enquanto durmo sentada no concreto duro e frio, a cabeça apoiada no seu ombro e as pernas descuidadas, ansiosas.

O ônibus chega e nós corremos. Dormimos instantaneamente. Meus pés doem tanto que tiro as botas, deixo os dedos repousarem saltados das meias furadas. Em cada espasmo de consciência recobrada, um beijo. É quase desesperadora a ânsia. Chegamos ao ponto. Estou a ponto de vomitar àquilo que sempre esteve engasgado. Nenhum som. As ruas estão amontoadas de lixo e fedor como de praxe… e nada mais. Estou feliz. “É assim, que eu gosto daqui.”, ele diz com a voz tão cansada que não o escuto. Sem pessoas, é assim que ele gosta de qualquer lugar. Eu sou uma ponta do que nele ainda há de interesse externo à si.

Corro para debaixo dos cobertores e desabo. Frio, sono e cansaço. Energias renováveis e infinitas eliminam absolutamente tudo quando ele se volta para mim. Não há mais frio, tiro a roupa. Não há mais sono, o encaro com os olhos abertos. Não há mais cansaço, me agarro com tanta força quanto nunca pensei que poderia à alguém. É o desespero e é a loucura. “Não se esqueça de enlouquecer”, bem, é o que ele sempre diz. Naquele momento, quis me desfazer nele e o faria se soubesse que aquele seria o fim.

Talvez eu não faça parte do seu interesse externo a si. Talvez não por que sinto tão bem ser ele quanto sinto que ele também sou eu quando o é.

Por Constance, constantemente afundada na loucura e naquilo o que não pode deixar de ser.

I am a lost cause

Maio 15, 2013 § Deixe um comentário

It’s only lies that I’m living
It’s only tears that I’m crying
It’s only you that I’m losing
Guess I’m doing fine

Por Ora…

Maio 13, 2013 § Deixe um comentário

Eu estou sentindo o tempo passar como areia lenta queimando os meus olhos. Vivo na letargia da espera por algo que eu não aguardo. Minhas dores se aliviaram, minhas ambições morreram, minhas vantagens aguardam, minhas mãos estão livres. Tudo esvoaça a minha frente como açúcar molhado. A água molha os meus pés, deixo até que os abraços durem mais, mais beijos, mais memórias, mais vida na minha existência, milhares de explosões silenciosas  Até mesmo a dor é calma, até mesmo a agonia é calma, até mesmo a violência é calma.  Por ora, sem medo, sem aflições, sem precipícios.

Estou calmamente bem,
lentamente feliz.

Attila Ovari

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