Eu quero a paz na minha vulnerabilidade

Outubro 26, 2012 § Deixe um comentário

Escrevo agora sem intenções, sem inspirações, sem motivações.
Escrevo por que preciso escrever, ah, já é tudo tão simples, tão inexplicável, tão fisiológico.
Eu não quero o retorno que eu posso ver.
Eu não quero nada mais que a simples satisfação pessoal
A mesma satisfação em comer quando se está com fome
Uma necessidade simples e extrema,

Escrevo

Me deixe escrever, me deixe só isso fazer
Que eu tenho mais muitas outras necessidades calejadas
E a minha paciência já está dolorida
Me deixa, mundo, me deixa!
Que eu já não quero dinheiro
Nem sorrisos
Nem nada
Eu quero a paz na minha vulnerabilidade
Eu quero a mim mesma num monte de gente

Necrofilia

Outubro 22, 2012 § 2 comentários

Tão dócil, tão fria
Não aproxima com beijos e súplicas
Não afasta com o desgosto típico
Não me convence pelo charme
Não repudia com deboche
Nunca
Nunca mais

A feição clara e limpa
Nos olhos, a vazies que me tem como todo
Eu permaneço

Tão dura comigo, oh, não se dá ao trabalho!
Mas nada me nega
De ti, tenho tudo e tudo mais
Não me envolve
Não me impede envolver
Não me beija
Nunca me impede beijar

Sempre tão quietinha, tão silenciosa
Não me nega nada

Tenho-lhe os braços, os beijos, as pernas,
e os suspiros, todos meus!

Não me julga pela falta de modos e ora, você também não os tem!
Mas eu a adoro e a adoro e a adoro por isso e tudo!
O tudo que não é mais seu e que não me nega!

Levo a mão ao seu rosto, lhe moldo um sorriso
Tão fria e sempre tão doce!

Por esse momento eu te adoro, tão cedo começa a feder
Solta, eu lhe adoro, solte já seus fluídos
Que eu também solto já os meus

Toco sua mão gelada
Me agarro ao momento para já esquecer
Com a efemeridade do nosso amor
Você me cede todos os seus encantos
No último beijo, a culpa
Na última palavra, a saudade da sua voz
Mas eu só pude te amar calada
Assim, como não deixará de ser
Fria e calada

Permanece em Silêncio

Maio 9, 2012 § Deixe um comentário

O sono envolvia. Abriu os olhos, mas teve a sensação de tê-los ainda fechados, pesavam. Olhou para os lados, deitou. Esperou mais alguns segundos antes de pensar naquilo o que viria a seguir. Sua mão se movimentou quase sem poder controlá-la. Tocou-lhe a face com a ponta dos dedos. Lentamente contornou-lhe os lábios, o nariz, as bochechas, as sobrancelhas, a testa, o queixo, mais uma vez os lábios, com os seus. Mergulhou em plenitude e sentiu-se envolvida sem ser abraçada, sorriu. Pronunciou duas ou três palavras, mas não houve voz. Nunca há. Respiravam e sentiam. Tanto sentiam quanto respiravam. Afogados por um mar de tantos outros inconscientes. Ela o perguntou sobre banalidade das coisas. Riam e com um sorriso inventavam qualquer motivo silencioso para permanecerem. Não houve voz quando o disse que tudo aquilo era pretexto. Nunca há e pretextos ou não, permanecem. Respiram e sentem, em silêncio, permanecem.

O sono sempre envolvia, ela o encarou mais uma vez. Suas palavras foram diretas, mas ainda assim não houve voz. Ele sorriu, concordou, descordou, a abraçou. Sentiu-se envolvida sendo abraçada. Sempre a menos de cinco centímetros daquilo o que a falta aproxima. Se preparou para a despedida ficando mais próxima, e tanto ficou pra cá e bem próxima que não se foi. Permaneceram.

Já havia mais motivos para ir embora do que gostaria de contar. Olhou para os lados. Mesmo em silêncio não pode encontrar ainda mais pretextos. Envolveu-o mesmo sabendo todos os riscos, e como precaução não usou os braços. Um último beijo. Se foi, e ainda assim, permaneceu.

(Só para contradizer toda a ideia de sábado)

Mar de Sensações

Maio 9, 2012 § Deixe um comentário

Olho para o espaço

Numa alusão daquilo o que foi

Sinto sem poder direcionar

Aquilo o que sinto

Sem sentir por mais

Vou andar

Pelas milhas distantes

E dentro da minha cabeça

Encontrar você

Encontrar aquilo o que inventei pra sentir

E vale a pena gritar por isso

Vale a pena esperar por isso

Vale a pena sentir

Dentro da minha cabeça submersa

Em Mar de sensações

Existe alguma coisa…

Março 8, 2012 § Deixe um comentário

Existe alguma coisa de fascinante na atenção prestada pelas pessoas que não têm a menor obrigação de fazê-lo!

Volúpias de Poeta

Fevereiro 21, 2012 § Deixe um comentário

Sinto faltar

o farfalhar

da quimera

na realidade

aquilo espera

à insalubridade

que por coragem

saúde e chantagem,

abandonei:

os vícios,

os pecados,

volúpias de poeta

não mais sonhei

Movida por uma onda Simbolista, venho me arriscando à escrever alguns poemas inspirados. Sei que os resultados são terríveis, definitivamente não tenho a menor habilidade com poesia, de qualquer forma, me achei no simples direito de tentar por vontade. Aqueles mais críticos dirão que o meu poema não é nenhum pouco simbolista, mas de maneira alguma quis alcançar tal êxito! Só acho bela a forma como buscam sonhos em vícios e se viciam pela busca, mesmo que frustrante que se faz toda arte. Viva o ópio, viva as bebidas, viva a insalubridade produtora das artes. Viva ao pecado e viva a tudo aquilo capaz de inspirar. Muito antes conhecer paraísos em quimeras, trazendo delas versos eternos, que viver a mercê da realidade vazia e efêmera. O final é igual para todos e o que determina a vantagem não é o tempo vivido, mas o que foi deixado enquanto se viveu.

Por Constance, constantemente voluptuosa

Imperturbável

Fevereiro 15, 2012 § 1 Comentário

Perturba a imensidão do intocável

Com seus louros e vivos glamoures

A dor é insólita, ainda assim genuína

A paz, inalcançável, se posta atrás de mim

E com a crépida imagem daquilo que jamais vi

Fujo aos sentidos das sensações imagináveis

Beijo os lábios da incerteza

Aprofundo-me na imaturidade das minhas concepções

E em passos vertiginosos, eu caminho diretamente sem rumo

Para as águas rasas e ímpias dos meus sonhos, minhas loucuras

Por Constance, constantemente perdida em si mesma

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