Hjartað Hamast

Outubro 14, 2013 § Deixe um comentário

O coração golpeia,
Como sempre, mas desta vez
Fora do ritmo com o tempo
Perdido e esquecido em casa
Prestes a explodir pelo nariz
Volto-me ao suor das cobertas
Observo a ferrugem que cresce em mim
Que come lá embaixo da concha
Eu paro em pé, tonto / atordoado
Eu me esfarelo
Ando em círculos
Ando após mim mesmo
Tiro toda minha roupa
E completamente nu
Acordado mas posto para dormir
Eu não durmo nem o mínimo

 

Refrão:
Eu falo alto e viajo por dentro de mim mesmo
Vasculhando procurando por vida por um instante que seja
Fico parado em meu lugar
Com a esperança como amiga e ganho um tempo
Procuro por um começo perfeito
Mas ele se torna um desapontamento

 

O coração pára
Não se mexe
Eu insiro um marcapasso (que engulo e escondo)
Encontro um cabo de ligar (e me ligo)
Vejo tudo dobrado (duplo escuro)
Falha do sistema (o cérebro recusa)
Continuo a procurar (…)
Incontrolável (informação)
Eu tenho que alimentar (me alimentar)

Para um demônio

Outubro 5, 2013 § Deixe um comentário

Eu estou escorrendo para dentro das orelhas, eu me sinto transbordar, ouço o som de mim mesma derreter e se auto absorver em seguida. É a música que me transporta para onde não posso auferir, tão próximo que é inalcançável. Eu espero que isso me faça lembrar das palavras que eu ainda não disse, eu espero que isso seja um bom sinal, a completa continuidade ao contato. Olhos de demônio ele tem, o que pelo nome o tornou um demônio completo. Me persegue até mesmo quando não há sinal. Eu anseio. Sem expectativas, sua simples existência me desafia a tranquilidade quando tantas coisas mais sufocam! O que pode despistar as almas que me perseguem? Já não é mais tempo para voar. O mundo está ficando pequeno e super-lotado de famintos e loucos, é inacreditável que os olhos ainda se encontrem.

Deveríamos ser criaturas aquáticas. Já percebeu o quanto o corpo pesa em terra? Tudo nos prende. Um dia voltaremos para onde nunca deveríamos ter saído. Voltaremos para as altas montanhas onde residem as lembranças boas de pés que nunca pisaram lá. Falta pouco, o caminho é raso. São tempos difíceis para tudo o que se dê ao luxo de estar vivo. Tirar tempo para respirar e voltar as origens do ser é quase impossível e isso só me faz pensar o quanto eu sinto falta, uma saudade excruciante de alguma coisa sem nome ou forma, ainda. Novas interações, continuidade ao contato revelará seus mistérios. São tantos! Eu penso se poderia viver sem eles. Nunca é o suficiente, Por maior desvantagem de informações que se estabeleça.

A verdade é que estamos no lugar errado. Dentro ou fora. Não é onde deveríamos estar. Não. Sempre em nós. Dentro ou fora. Introspectividade não passa de uma forma melancólica de se dizer egocêntrico. Eu sinto falta das origens que nunca voltarão a ser. Sinto falta da terra e do ar. Dos passos lentos. Da fragilidade inconsequente. Eu vou me entregar assim que tiver uma chance. Sou mole e pequena. Quase imperceptível, essa é a verdade. Fecho os olhos para negar a existência. É um longo caminho para onde não se pode chegar e eu, estou me arrastando.

Espero encontrá-lo lá. Isso é pretensioso? Eu realmente gostaria de encontrá-lo lá.

 

 

Ressurreição

Maio 23, 2013 § Deixe um comentário

Cambaleamos até a calçada, tão próximos quanto podíamos para nos protegermos tanto mais do frio de uma madrugada que já foi  agitada, barulhenta, ofuscante, abafada e lotada. 3h47 AM. Agora tudo está parado, silencioso, escuro, gelado e vazio. Somente nós dois sentados na calçada enquanto o vento grita. Tudo parece sujo, cru e abandonado. Dormimos um no ombro do outro como crianças de rua. As mãos tão apertadas quanto encardidas. Havíamos sido esquecidos. Quase mortos. Quase vivos. Naquele momento, já não havia mais nada a dizer. Entregues a o que quer que fosse, nos desviamos das possibilidades. A madrugada avança e o sol não nasce, o ônibus não chega, o cansaço não passa, a dor nos pés pisados não ameniza, a minha fome desvairada da sua. Tudo segue um mesmo ritmo de estagnação e necessidade. Nada será o mesmo. Nenhuma palavra. Eu sonho enquanto durmo sentada no concreto duro e frio, a cabeça apoiada no seu ombro e as pernas descuidadas, ansiosas.

O ônibus chega e nós corremos. Dormimos instantaneamente. Meus pés doem tanto que tiro as botas, deixo os dedos repousarem saltados das meias furadas. Em cada espasmo de consciência recobrada, um beijo. É quase desesperadora a ânsia. Chegamos ao ponto. Estou a ponto de vomitar àquilo que sempre esteve engasgado. Nenhum som. As ruas estão amontoadas de lixo e fedor como de praxe… e nada mais. Estou feliz. “É assim, que eu gosto daqui.”, ele diz com a voz tão cansada que não o escuto. Sem pessoas, é assim que ele gosta de qualquer lugar. Eu sou uma ponta do que nele ainda há de interesse externo à si.

Corro para debaixo dos cobertores e desabo. Frio, sono e cansaço. Energias renováveis e infinitas eliminam absolutamente tudo quando ele se volta para mim. Não há mais frio, tiro a roupa. Não há mais sono, o encaro com os olhos abertos. Não há mais cansaço, me agarro com tanta força quanto nunca pensei que poderia à alguém. É o desespero e é a loucura. “Não se esqueça de enlouquecer”, bem, é o que ele sempre diz. Naquele momento, quis me desfazer nele e o faria se soubesse que aquele seria o fim.

Talvez eu não faça parte do seu interesse externo a si. Talvez não por que sinto tão bem ser ele quanto sinto que ele também sou eu quando o é.

Por Constance, constantemente afundada na loucura e naquilo o que não pode deixar de ser.

Por Ora…

Maio 13, 2013 § Deixe um comentário

Eu estou sentindo o tempo passar como areia lenta queimando os meus olhos. Vivo na letargia da espera por algo que eu não aguardo. Minhas dores se aliviaram, minhas ambições morreram, minhas vantagens aguardam, minhas mãos estão livres. Tudo esvoaça a minha frente como açúcar molhado. A água molha os meus pés, deixo até que os abraços durem mais, mais beijos, mais memórias, mais vida na minha existência, milhares de explosões silenciosas  Até mesmo a dor é calma, até mesmo a agonia é calma, até mesmo a violência é calma.  Por ora, sem medo, sem aflições, sem precipícios.

Estou calmamente bem,
lentamente feliz.

Oceano de prazer e pungência…

Maio 12, 2013 § Deixe um comentário

To cansada, cambaleante, cega, tateando a saída de mim mesma afogada nos outros. Eu amo o amor e ele está em todas as partes que envolva. Eu amo o alívio na dor que o acompanha, mas ele nunca parece ser o suficiente para o meu desespero desenfreado de tudo aquilo o que será logo em seguida.  Eu peço para que me beije e se afaste. Me adore e se esquive. Estou mergulhada num oceano de prazer e pungência.

Manifesto Sedentário

Maio 2, 2013 § 1 Comentário

Eu me sinto verdadeiramente desconfortável em postar esse tipo de coisa sem fazer nada. É o tipo de manifesto sedentário que a maioria de nós passou a assumir pra ter pra si a consciência de ainda se sentir humano. Mas eu realmente não sei de onde é que vem  essa nossa concepção de realidade. O que é e onde estão os nossos princípios. É preciso repensar um monte de coisas, mas não há mais tempo, nem possibilidades. Eu sinceramente estou me sentindo muito mal nos últimos dias com essas noções de moralidade. Elas são uma espécie de fantasma social que muda de tempos em tempos a forma com a qual nos sobreporemos humanamente de acordo com fatores que não tem absolutamente nada a ver com a humanidade e o convívio. “Ser útil”, essa é chamada. Ser útil para o que? Ser útil para quem? É inacreditável que tenhamos chego a um ponto onde pessoas e semelhantes tenham perdido o seu valor representativo, o valor foi transferido para instituições, órgãos dos quais são compostos por nós e que nos oprime. Somos células sempre dispostas a multiplicar esses tumores sem razão de ser, imaginando sempre uma única figura capaz de consolidar ou fazer desabar com toda a nossa estabilidade.  Não existe um fator único. Não existe um único opressor. Não existe uma única ideia. Estamos todos condicionados a fatores inalcançáveis e inatingíveis. Somos criaturas minusculas dentro da nossa consciência, e mesmo assim, viramos as costas para tudo o aquilo o que há de mais simples dentro de nós: o reflexo.

Filha e Amante

Abril 18, 2013 § Deixe um comentário

Minha querida, vem, vamos pensar na vida e nas coisas, vamos ser razoáveis até onde a medida do possível nos permite ser presíssimos na sua liberdade. Eu estou aqui há tempo demais e você está lá para vir, mas nada a faz ver onde estão verdadeiramente os seus olhos. Canso fácil. Canso já. Vem aqui, me dá um beijo, me agarra nesses braços pontiagudos. Ah… se você soubesse. Se você soubesse o quanto o seu olhar me fita, se soubesse o quanto o seu abraço me afaga, se soubesse o quanto suas coxas me prendem, me quer todo seu e não me dá nada. Ou me dá coisa demais e quer de volta, deixa aqui vai. Nada há nada que você queira escrever-me que já não tenha dito com aqueles beijinhos, aquelas mãozinhas, aquelas caricias, aquele gemidos e sorrisinhos, e já nem é mais deboche, mas tudo é graça, tudo é graça!

Você vem ou vai, vem aqui, me deixa mais em mim. Tem tanto de mim em ti que quando se vai eu me perco em tudo aquilo o que eu já não mais sou, tudo aquilo o que você se apropriou para ti. Vem em mim nas lágrimas, no espirro, no esporro, vem sempre que quer, vem sempre, vem tanto que eu nem espero e ainda assim, não se faz minha mas me pega todo pra si.

Minha filha e minha amante, vem que eu te quero já, me renova na sua falta de senso, vem pra rir e acaba por chorar, vem abraçar meu braço, ficar no meu encalço, eu te presenteio, te adoro e escarneio, mas é só pra te manter aqui, só pra me manter em você e no seu interesse. Minha filha e amante vem pra eu te abraçar, beijar sua testa, abrir suas pernas, te fazer rir e gritar. Afagar seu cabelo e as suas pernas, apertar suas mãos e os seus seios, beijar sua testa e a sua boca. Minha filha e amante vem pra eu acalmar sua cabecinha histérica, ajudar a organizar suas ideias, acalmar-te das suas faltas, das suas dúvidas, dos seus remorsos. Vem pra eu tirar de você o controle da voz, do peito, de tudo aquilo o que eu posso tocar. Minha filha e amante, vem me falar dos seus meninos de ocasião, apresenta-me todos eles na sua voz de prazer e deboche, ostenta pra mim essa sua liberdade pra logo em seguida se livrar de todos eles e se prender em mim.

Minha menina, menina minha que tem tanto prazer de se fazer minha para os outros e que para mim só se entrega para ganhar. Adorando o prazer de estar onde não pode chegar, se faz toda minha na confiança da sua liberdade, na sua confiança na ferrugem nas minhas correntes em outras pessoas.

Vem à mim e me fala de tudo, dos seus segredos, das suas pessoas, das suas posses, da sua escrita, da sua fala, da sua briga, da sua sensação, da sua cabeleira, das suas amigas, da sua calma, da sua falta de sono, da sua bebida, da sua dor, do seu prazer, dos seus planos, de alguns nossos planos, mas nada nosso se permite levar a série no medo da evidência. Vem à mim e me pede, me pede pra ficar perto, me pede um beijo, me pede um livro, me pede um abraço, me pede um afago, me pede uma piada, me pede um ponto de vista, me pede um convite, me pede uma noite e outro e outro e mais um beijo.

Minha pequena você vem e um dia vai. Vai, mas volta. No seu medo do medo, medo de ter medo de mim, vem pra mim que para ti nada em mim é nocivo. Tudo o que eu quero para ti é estabilidade e o conforto conjunto. Como você mesmo dizia, “nós somos cumplices”, um pedaço um do outro que não pode deixar de ser.

Where Am I?

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