Necrofilia

Outubro 22, 2012 § 2 comentários

Tão dócil, tão fria
Não aproxima com beijos e súplicas
Não afasta com o desgosto típico
Não me convence pelo charme
Não repudia com deboche
Nunca
Nunca mais

A feição clara e limpa
Nos olhos, a vazies que me tem como todo
Eu permaneço

Tão dura comigo, oh, não se dá ao trabalho!
Mas nada me nega
De ti, tenho tudo e tudo mais
Não me envolve
Não me impede envolver
Não me beija
Nunca me impede beijar

Sempre tão quietinha, tão silenciosa
Não me nega nada

Tenho-lhe os braços, os beijos, as pernas,
e os suspiros, todos meus!

Não me julga pela falta de modos e ora, você também não os tem!
Mas eu a adoro e a adoro e a adoro por isso e tudo!
O tudo que não é mais seu e que não me nega!

Levo a mão ao seu rosto, lhe moldo um sorriso
Tão fria e sempre tão doce!

Por esse momento eu te adoro, tão cedo começa a feder
Solta, eu lhe adoro, solte já seus fluídos
Que eu também solto já os meus

Toco sua mão gelada
Me agarro ao momento para já esquecer
Com a efemeridade do nosso amor
Você me cede todos os seus encantos
No último beijo, a culpa
Na última palavra, a saudade da sua voz
Mas eu só pude te amar calada
Assim, como não deixará de ser
Fria e calada

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Que me importa?

Setembro 16, 2012 § Deixe um comentário

Que me importa o que dirão os críticos?
Os professores, os estudantes ou os leitores em geral?
Que me importa o nome que querem me dar.
O estilo que a mim atribuírem
Que me importa?

Que me importa se serei considerada medíocre,
literatura esdruxula, falta de estilo ou forma,
péssima qualidade, mal gosto
O que isso me importa?

Escrevo para mim, escrevo por gosto, escrevo por que sinto, escrevo por que preciso fisiologicamente escrever, escrevo, só!
Não escrevo para os outros, não escrevo para o gosto alheio, não escrevo para que sintam, não escrevo para quem precisa!
(Já existem tantos que o façam!)
Só o que eu faço é escrever
E só
Eu escrevo e só
Sempre e só

Erato

Agosto 31, 2012 § Deixe um comentário

Erato ressupino amável, virgem e pueril

Dos olhos absortos, solenidade lírica

Sensualidade inexequível, erotismo juvenil

Estimula em artistas à profunda inspiração onírica

 

Erato, a Amável, assim como as outras oito musas, Erato é uma virgem. Erato era assim chamada pois faz os que são instruídos por ela serem desejados e dignos de serem amados. Era a musa da poesia romântica,representada com uma lira, e dos hinos. É representada com uma lira e por vezes com uma coroa de rosas.

[Uma tentativa de poesia por Musa – ERATO]

Mecanismos Marítimos

Agosto 18, 2012 § Deixe um comentário

1

Existia antes de conhecê-lo
Sentia sua falta por instinto

E o que se parece agora
É um pedaço de imaginação carnal

Que quando me abraça
Escorre por entre meus braços e consciência

Me beija com lábios que não sei se são seus
Ou meus

Existia antes de eu conhecê-lo
E se deixou continuar existindo depois disso

Mar de Sensações

Maio 9, 2012 § Deixe um comentário

Olho para o espaço

Numa alusão daquilo o que foi

Sinto sem poder direcionar

Aquilo o que sinto

Sem sentir por mais

Vou andar

Pelas milhas distantes

E dentro da minha cabeça

Encontrar você

Encontrar aquilo o que inventei pra sentir

E vale a pena gritar por isso

Vale a pena esperar por isso

Vale a pena sentir

Dentro da minha cabeça submersa

Em Mar de sensações

A Dança

Abril 6, 2012 § Deixe um comentário

Eu decidi ir pra longe, sujar os pés em outro caminho
Eu decidi abandonar as minhas dores, acompanhar o vento
Eu decidi trocar meu silêncio pela tranquilidade
Decidi acompanhar o vento com um sorriso

Eu decidi não me preocupar mais
Eu decidi não me encontrar mais
Decidi não procurar mais

Eu decidi fugir dos meus sonhos
Eu decidi entrar em colapso num tranquilidade astuta
Decidi me atirar de vez nas efêmeras monções
É tudo o que me resta

Decidi acompanhar o vento com um sorriso
Eu danço enquanto as desgraças acontecem
Na decepção encontrei um par
Na tristeza, danço

Augusto dos Anjos

Março 8, 2012 § Deixe um comentário

Estou passando por um período especialmente complexo em termos psicológicos e espirituais e devo atribuir esse estado à leitura e estudo excessivo de poesia! Descobri que a poesia pode ser completamente devastadora para a cabeça e alma de uma pessoa já propícia ao mal da inspiração. Pelo fascínio que me causa!

SOLITÁRIO

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos contorta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
— Velho caixão a carregar destroços —

Levando apenas na tumba carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!

Por Constance e Augusto, constantemente mórbidos e escrevendo

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