Ode à Henry Miller

Abril 17, 2013 § 4 comentários

H. Miller et moi

Em tempos como estes que por uma questão de proteção ou de ataque bruto necessitamos nos agarrar a alguma crença para nos sentirmos vivos, eu decidi me agarrar a um deus terreno e muito maior que todos aqueles que já foram citados. Um deus pessoal? Um deus pessoal para mim. Pessoalíssimo.

A verdade encarnada, os sentidos, as sensações os sentimentos, as vontades e até mesmo a loucura e o prazer entregues à ele sem nenhuma pretensão se não almejá-lo inclinada.

São tempos difíceis para qualquer um que tente sentir de verdade. São tempos difíceis para os ultra sensíveis de tato e de intelecto. São tempos difíceis dentro de tudo aquilo o que se pode, de fato, acreditar com fervor. São tempos difíceis para aqueles que sonham com a liberdade e o manifesto dela e só dela. São tempos difíceis para aqueles que buscam a verdade naqueles que vivem de mentiras.

Me deito aos pés do meu deus por ocasião e sentido e com isso o beijo, me entrego completamente e seria capaz de dispensar-lhe minhas entranhas somente como agradecimento. Céus e mais uma vez eu penso, volto a você como uma manifestação escrita de tudo o que o tudo pode ser e não existem limites, nada à altura. Eu seria capaz de dispensar-lhe os meus pulmões, útero e unhas somente como agradecimento.

Toda a necessidade saciada pela manifestação da falta. Ele me espanca com palavras e luz.

Henry Miller, muito mais que uma descoberta literária. A cada frase que leio, eu choro, a cada parágrafo esperneio e a cada página me descontrolo. Ele é um espasmo vivo daquilo o que é impossível ser manifestado. E nenhuma descrição poderia ser mais específica para deus.

Henry Miller, aqueles que o chamam de pornógrafo são simplesmente insensíveis, o que ele escreve é tão grande, tão intenso, tão intrínseco que na debilidade de compreende-lo absorvem somente as palavras que lhes vêm à mente como místicas numa obscenidade infantil, o que pode ser mais natural que o sexo quando se deve falar sobre as coisas vivas? Quando tudo aquilo pelo o que se fala são sentidos, vida e dor?

Me agarro a necessidade da adoração deste deus que me completa, me representa, me corresponde, me liberta e me sensibiliza. Me agarro a adoração deste deus agora já invisível e inalcançável. Deste deus num delírio. Deste deus físico tanto quanto eu sou, pois é exatamente aqui onde todos eles estão e nada mais além disso o torna especialmente um deus. O meu deus pessoal. Pessoalíssimo.

Alice no País das Minhas Maravilhas

Setembro 22, 2012 § Deixe um comentário

Alice das Maravilhas

Eram duas horas da manhã segundo o relógio cuco, estava atrasada! Atrasada para desaparecer, era quase a hora do chá!Alice olhava para os lados, sorria, desaparecia, aparecia de novo – das vistas de sua mãe. Alice corria, tomava seu chá às seis, às cinco, às oito e às dez. Sempre era a hora do chá! Soluçava, impaciente “quem sou afinal?!”, filosofava também. Olhava para os lados encontrava-se em meio à estupidez e insanidade daquele mundo completamente sem sentido. Porque as pessoas agiam daquela forma?! Ficava impressionada, e para acalmar-se, ora dançava a quadrilha das lagostas! Porque nada podia ser tão óbvio quanto realmente é? Cansava-se logo de tudo o que via. O mundo não podia ser mais impressionante que sua verdadeira realidade.

-Estão todos loucos do lado de fora! – pensava quando olhava para fora de sua própria cabeça. – deveria existir alguém para cortar-lhes as cabeças…

Confirmava num balanço de cabeça, concordando consigo mesma e ia jogar whist.

Por Constance, constantemente dentro de sua própria cabeça

“O prazer de um ódio recíproco desenvolvendo seu papel sexual”

Setembro 16, 2012 § 1 Comentário

-Você sabe alguma coisa sobre intensidade?

-Do que é que você está falando?

-Você sabe o que é sentir alguma coisa de verdade, intensamente?

Entreabriu os lábios para responder, um sorriso largo se desenhou. “Nada do que remeta ao sexual, Laura!”, pensei, mas não o disse. Hipnotizado. Era o que eu ficava na sua presença, hipnotizado de uma forma asquerosa. Com ela, me esquecia do cansaço emocional que ela mesma sempre me proporcionava. A sua repetitiva atuação parecia renovar-se. Ganhava todas as cores que perdia quando não estava por perto, por que distante, eu realmente gostava dela, e gostando me dava liberdade para ser honesto sobre todos os seus aspectos. Próximo, a odiava e é o ódio que intensifica todas as sensações. O único motivo que me leva a pensar na verdadeira razão de tanto admirá-la é por que ela da única forma capaz de me fazer odiá-la, tira-me do tédio psicológico. A intensidade na minha resposta caso ela venha a me falar de um orgasmo e depois retorne com um “e você?” seria muito claramente “o ódio que sinto por você.” Depois de tanto tempo você se depara com uma realidade palpável da qual já tanto falaram. As pessoas tanto ficam próximas de quem amam que acabam por resultar num relacionamento seco e desgastado. O ódio aproxima duas pessoas mais do que qualquer outra coisa.

Fiquei excitado com a sua voz quando respondeu “intensamente?”. Com o canivete de bolso, fiz-lhe um corto do colo, o sangue lhe escorreu por entre os seios e ela suspirou de dor. Aqueles que transam com amor de suas vidas e são simplesmente incapazes de fazer tal coisa jamais saberiam qual é o prazer de um ódio recíproco desenvolvendo seu papel sexual.

Laura me pareceu menos esgarçada dessa vez. Estive por um momento pensando na Alice enquanto transávamos, olhei para o seu rosto depressa para obter um choque reacional, eu não soube que podia me tornar tão brutal, por um momento ela parou de gemer alto e debochadamente como sempre fazia, passou a gemer baixo e contido, começava a machucá-la e ela estava plenamente satisfeita com isso.

Trecho de Atmosfera

Quem sabe um dia eu volto a ter extrema vazies e desgaste emocional para escrever este livro. E é o meu favorito.

Jordana Bevan

Agosto 15, 2012 § Deixe um comentário

lo li ta

Março 12, 2012 § Deixe um comentário

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne.
Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.

Por Constance e seu constante contato com esse livro.

Cartas ao Oscar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

Meu caro,

Eu não queria escrever-lhe esta carta, mas necessito fazê-la, do contrário sinto que o acúmulo de todo esse sentimento seja capaz de conduzir-me ao mais profundo túnel da desolação. Hoje, depois de muito tempo, venho escrever-lhe e a sua preocupação não deve girar em torno dos motivos que me levam a escrever-lhe e sim os motivos pelos quais permaneci em silêncio por tanto tempo. Pode-lhe parecer estúpido, mas evitei o contato propositalmente, você bem sabe o quanto a rejeição me apavora, e escrever-lhe com a clara ideia de que não obterei respostas é muito frustrante para não dizer doloroso.

Esta manhã, tudo pareceu tranqüilo, o sol estava muito forte como raramente costumávamos vê-lo, lembrei-me de quando íamos ao parque, de como sorria nosso pequeno Cyril e tão logo me senti mal o suficiente para querer que todas essas coisas jamais tivessem acontecido. Não foi preciso muito mais tempo para que eu me mortificasse sobre tal pensamento, voltando à mim mais uma agonia, minhas languidas saudades!

A cada pensamento, a cada reflexão, tenho a mais clara ideia de que tudo o que se passou é tão palpável quanto os meus sonhos, mas que mesmo assim, esses sonhos me parecem ainda mais reais que a realidade que vivo. Sinto-me viva por uma questão insólita, não existe mais nada o que fazer, não existe mais nada o que esperar, o que havia para ser vivido, esperado, já aconteceu e hoje de tudo perdeu-se o valor, apenas o que me resta é a mórbida lembrança de tudo o que houve e não pode ser revivido, alterado. Se ao menos tudo tivesse acabado naquele momento!

Minha alma não mais espera poder viver ao seu lado, não, já me contentei com o contrário e muitas vezes sou bem realista quanto a esse ponto (seja lá o que realista queira dizer), e da mesma forma como desejo abandonar todas as lembranças passadas apenas para não mais sofrer em nome do passado, temo em dizer que minha única felicidade esteja em recordar o que tenho de ti.

Não tenho mais nada o que dizer, creio que eu não possa ter ainda mais o que dizer. A minha forma de amor por você, permanece a mesma, terna e silenciosa, seu amor por mim, posso sentir a sua sinceridade, mas ela jamais desfará o sofrimento que carrego e é somente por este sofrimento que pude identificar suas origens até mesmo hoje.

Termino por aqui esta simplória e ainda sim intensiva carta, sem esperanças de que você a leia, sem esperanças de que um dia eu possa obter alguma resposta, sem esperanças de com ela reavivar alguma sensação passada e perdida, apenas escrevo porque me é o que parece sensato fazer, e por que sinto que se o fizesse, acabaria perdendo-o, e a sua lembrança dentro de mim por pior que seja, é a única coisa que tenho, prefiro conservá-la a perdê-la.

Com todos os meus saudosos sentimentos, Contance.

Nada neste mundo poderá nos separar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

-Querido, tenho tanto medo de perdê-lo…

-Meu bem, o mundo é grande, imenso, gigante… e temo em dizer que nele existam desgraças demais, todas elas determinadas a nos separar. Furacões, terremotos, febre, a avareza de seus pais e a falta de um título que tanto assola a minha família e não embeleza o meu nome. Ainda existe a tentação e a morte.

-Eu… eu, eu não posso acreditar que o mundo possa ser tão terrível para conosco.

-Não chore meu bem, não chore… suas lágrimas afundam-me em melancolia e só no que quero pensar é em felicidade à nossa união.

-Querido, não estamos unidos, não por ora…

-Não pense em união de forma apenas matrimonial, oras, o que há de representar a formalização de nossos sonhos? Nada mais se não estarmos juntos como estamos agora.

-Você me encanta, sinto-me tão feliz contigo! Sinto-me entorpecida de felicidade quando estou com você! Oh, se pudéssemos ficar juntos, como agora, para sempre!

-Lhe prometo, juro! E isso se trata de nós, que nada neste mundo deverá nos separar. Nada, em absoluto, dou-lhe minha palavra: nada neste mundo conseguirá nos separar!

-Me beije, querido, você é tudo o que eu preciso!

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