transe

Abril 2, 2013 § Deixe um comentário

Aquilo era um sono, um sono leve, um sono letárgico de primavera em que não se distingue naquilo o que é uma reconstituição mental da realidade. A minha inconsciência muito acordada enquanto eu dormia. Nesse meio termo morno e indistinguível, você vem lento e suave, me larga aonde sua mão leva e eu permaneço pulsando a sensação do toque. Imaginando-o ou dando-o continuidade. Os beijos acabam e os meus lábios continuam abertos, no torpor da sensação do toque, recém recebido como que recém descoberto. É tudo muito lento ou muito invasivo. Gritei, suspirei em silêncio, abafei o silêncio, saliva na sua mão, mas todos os acontecimentos tão sensitivos quanto um cheiro.  Eu nunca soube o que estava acontecendo. A música me elevava ainda para este sentido. Me senti uma memória. Tudo era sobre carne e sentidos. Eu adormecia e acordava para a sensibilidade pura de cada toque. Tudo eram sensações e delírios.  Havia toda a minha suplica e o meu desespero. Beijei-o como se fosse vapor, trocávamos de estado, você desaparecia da minha percepção para voltar como um choque elétrico. Mais uma vez, era tudo sobre carne e sentidos. “Eu não vim preparada para isso”, houve um “disse”. Foi talvez um espasmo de lucidez. Eu não queria que fosse mais invasivo sem estar tão dentro de onde eu nem podia alcançar e você chegava. Eu nem conhecia quem era aquela que o recebia, tão desesperada ou receptiva. Foi um vício e durou uma eternidade. Foi uma restituição e eu perdi tudo. Eu gostaria de morrer ali pra me entregar aquilo que eu conheci como sensibilidade, pureza, absurdo e prazer. E nem mesmo mil orgasmos me levariam de volta aquilo. A música não parava, a palavra “transe” que vem aqui como a mais bela definição de um todo. Eu deixei de existir, de pensar, consegui viver o sentir. Foi uma respiração. Alcance ao etéreo. Mas muito mais do que eu posso dizer.

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lo li ta

Março 12, 2012 § Deixe um comentário

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne.
Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.
Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.

Por Constance e seu constante contato com esse livro.

O Mar

Março 11, 2012 § Deixe um comentário

Vejo o mundo como um mar profundo no qual estou submersa. O mundo me envolve, mas não posso envolvê-lo. Escorre, se agita, ondulante, violento e impetuoso mar. Por quanto tempo ainda aguentarei prender a respiração?
Por Constance, constantemente submersa.

Chuva numa madrugada de Sábado

Fevereiro 12, 2012 § Deixe um comentário

Não existem dúvidas de que a chuva me é extremamente inspiradora, principalmente nas madrugadas de sábado. Ultimamente estive empenhada em escrever artigos políticos, tanto para um maior conhecimento da minha parte sobre o assunto, quanto para sair da minha própria zona de conforto, no entanto, nada mais romântico do que a chuva numa madrugada de sábado para me fazer querer escrever algo mais sentimental.
Apesar da imensa propensão para tal, não me sinto melancólica, não me sinto nem mesmo melancólica pelo fato de não me sentir melancólica, como costumava ser antigamente, onde tudo era motivo para uma melancolia tocante que tanto fazia parte dos meus escritos. Desta vez escrevo sem nenhum fundamento sentimental ou romântico, apenas reflito logicamente sobre a influência da chuva nas madrugadas de sábado para escritores românticos como eu, que apesar de todas as minhas mudanças para com meus escritos, ainda me considero tal. Não banalizo os sentimentos sobre os quais já tanto escrevi, tampouco desejo parar de escrevê-los. Existe alguma coisa na natureza humana que me impede disso. Mas neste momento, apenas reflito de um ponto de vista muito mais racional a importância dos sentidos para com um todo e não só romântico, sentindo como se o som das gotas caindo no meio do silêncio sombrio da madrugada fosse capaz de inspirar a qualquer um, com qualquer propósito, tanto um matemático, quanto um músico, tanto um governador quanto um pensador político, tanto um filósofo quanto um médico. A chuva, o silêncio e a escuridão são extremamente inspiradores para qualquer um com o propósito de reflexão. Tudo fica mais belo, mais intenso, mais vivo nestas condições. A natureza humana une-se com as naturezas externas, criando um estado de criação propício a qualquer um com o simples desejo de refletir, criar e concluir. Oh, se todos pudessem ver e sentir como eu sinto. Se todos pudessem se deixar sensibilizar por este encanto… creio que o mundo precisa de profissionais mais sensíveis, creio que o mundo precise de um pouco mais de contemplação para com as coisas simples e simplesmente inspiradoras, estimular-se-ia o caráter e as ideias.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

Capacidade interpessoal de perturbação [I]

Dezembro 23, 2011 § Deixe um comentário

Existem outros meios e outras formas com o qual posso manifestar este sentimento, no entanto, nenhuma dessas formas é capaz de à olhos alheios ser levada a sério, e exatamente por esse motivo que com palavras que demonstrem um pingo de sutileza, ouso manifestar estes já óbvios (pelas minhas feições faciais facilmente perceptíveis) sentimentos de angústia e implicação.

São tantas as pessoas capazes de, hoje em dia, tirar-me do sério. Lembro-me do tempo em que imaginava uma série de coisas por cima disto: por vezes desesperava-me acreditando tudo isso ser uma conspiração universal contra mim, outras vezes culpava alguma espécie de karma, o qual eu deveria passar e que me fazia acreditar ter vivido em uma vida anterior algum tipo de general de guerra cruel e impiedoso, e ainda culpava a mim mesma, chamando-me de intolerante, insuportável, anti-social, desinteressante, implicante, hipócrita, supérflua, medíocre. Enfim, todas as qualidades necessárias a alguém que não consegue encaixar-se em nenhum grupo social seja ele qual for. Tais conceitos foram superados e hoje apóio-me em apenas uma só ideologia: a capacidade interpessoal alheia de perturbação unida a minha percepção para com indivíduos concebidos de transtorno de ideias ou em palavras sonoramente gesticuláveis, babaquice, fazem com que a qualidade do meu envolvimento social diminua consideravelmente. Sinto-me perturbada com esse tipo de coisa, tento, por muitas vezes mostra-me simpática e até envolvente para com as demais pessoas, mas devo confessar o quão isso me parece difícil, pois a minha percepção aguçada impede-me de deixar fugir os detalhes e estes tantas vezes mostram-se ser os mais sórdidos e intragáveis movimentos de uma pessoa que merece com todas as minhas forças ser desprezada.

No fim, sei e tenho muita noção de que a solução para isso pode estar bem distante, talvez, eu não esteja tendo contato com as pessoas certas! Talvez todas as pessoas estejam de fato evoluindo suas capacidades interpessoais de perturbação com um sentido novo de irritabilidade o qual coincidentemente se adéqua a mim. Não importa, pessoas são pessoas e estão sempre demasiadamente sucessíveis a falhas, o meu problema talvez seja a determinação quase involuntária que possuo para com a captação dessas falhas. Quero um amigo perfeito. Assumo.

Ora, como se eu falasse de amigos apenas! Como se eu falasse de interação interpessoal apenas relacionada a mim! Como se eu falasse de assuntos subversivos! Como se eu quisesse realmente alcançar algum ponto com esse escrito!

Tenho paz! Pois sei que quando morrer, livrar-me-ei deste fardo! E a morte, como um descanso eterno, profundo e solitário nos é garantido! Serei feliz. Esta é a minha perspectiva daquilo que se deve chamar futuro, mas este assunto especificamente, deixo para outro dia.

Por Constance, constantemente perturbada.

Á Festa do Chá

Agosto 11, 2011 § Deixe um comentário

Tenho que confessar que no meio da correria do dia-a-dia, café obrigatoriamente virou minha bebida número um, não por preferencia, por necessidade. Tive um tempo livre para relaxar no meio de semana o que me libertou dessa abstinência, o que possibilitou tomar uma xícara maravilhosa de chá antes de dormir, e ao chegar do trabalho. Me senti inspirada, então fiz uma festa do chá particular! Eu, minha xícara e minhas palavras… !

Em cima disso, decidi fazer a minha própria descrição da Alice, como tanta gente já o fez! Mas pareceu-me tão deliciosamente divertido que não resisti!

Alice era uma garota crua, fria, calculista. As bochechas rosadas e cheias de sardas, ocultavam todos os seus traços e ela mal sorria. Talvez por falta de hábito, talvez por que o peso das bochechas a impedisse. Tinha o cabelo enorme, repleto de cachos ruivos. Prendia-o com um lenço no topo da cabeça, assim como há de ficar uma tiara, para que não lhes caíssem aos olhos, que eram tão azuis quanto pode-se ser o mar visto da lua. Usava um vestido branco, repleto de bordados, rendas e gomos. Os pés descalços caminhavam pelo gramado, enquanto sua irmã lia um livro encostada à uma árvore, sem notar sua presença. O ar entediado, saía de sua respiração a cada bufada impaciente, o que era constante, dando-lhe o ar de criança mimada e consecutivamente amarga.  A verdade é que Alice não era curiosa, não era corajosa nem perseguidora de coelhos brancos. Só era uma menina chata demais para ter amigos que fossem reais.

Interprete para a sociedade

Julho 1, 2011 § Deixe um comentário

Estou cansada, mais uma vez estou aqui apenas para dizer isto… no entanto é um cansaço espiritual… tão profundo que sinto tocar-me na parte mais interna de meus sentidos, causando-me sensações demasiadamente intensas para serem descritas.

Uma rotina exaustiva me massacra, sim, e eu não estou cansada de dormir tão pouco, não estou cansada de tanto fazer coisas que não me trazem prazer, não estou cansada de dificuldade e contentamento relativos a minha insuficiência apontada por mim mesma.

Estou cansada de viver tão longe de mim… naquelas noites tão longas e solitárias eu e o meu contato comigo mesma me traziam uma plenitude e uma forma de compreensão que apenas eu posso ter para comigo mesma e agora, sem isso, sinto-me alheia em meu próprio mundo.

Estou cansada de sorrir sem vontade e viver num ambiente agradabilíssimo para com todos os benefícios que tenho em contrapartida a uma grande parte de todas as outras pessoas (inclusive as que tenho contato), sendo esse o fator que me prende tão bruscamente a essa rotina enfadonha.

Eu quero fugir pra um lugar solitário o suficiente para que eu possa me encontrar. Eu quero a paz, eu quero a morte do mundo para conquistar a minha vida, por que me sinto ser devorada por conceitos e ideologias. Céus, em pouco posso acabar me adaptando a elas!

Pelo visto eu estou enlouquecendo para mim mesma por estar me tornando tão comum na sociedade. Aos pouco, estou me encaixando e a verdadeira eu grita em alguma parte, me aclama! E eu a desejo, imensamente, a desejo! Esse “eu” me passa uma sensação imensa de ser muito mais útil quando não faço nada, como se todo o restante não fosse para mim e apenas para a sociedade e para a minha enorme arrogância que insiste em ter algo para apontar-se com superioridade.

Talvez eu esteja deixando de ser um personagem para ser um ser humano…

Por ora, ainda posso escrever. E em minhas palavras, posso ser alguém mais interessante do que a garota que acorda, estuda e trabalha, volta e dorme às vezes.

por Constance, constantemente escrevendo, constantemente enlouquecendo…

Where Am I?

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