Por um Isqueiro

Maio 10, 2013 § 3 comentários

“Como está frio nesses últimos dias, minha pele não foi feita pra isso, minha pele não foi feita pra suportar nada, ela é toda sensível, vulnerável, crua, estável como uma respiração. Esse frio todo me deixa enjoada, me deixa distante, sem vontades, sem cura. Minha voz picota, e falharia ainda mais se eu quisesse, de fato, falar alguma coisa. E para quem? Não, não é o frio. Não é o vento. É a falta. Talvez a falta de mim em mim e um pouco mais, perdi o foco. Saí de casa com um blusa pouca e um livro, alguns cigarros e pés lentos. Voltei de um caminho e refiz a outro, virei numa esquina estranha, lugar fora do meu comum, sem benefícios, sem nem mesmo entretenimento inútil pra distrair os olhos, nada menos que nada e pra esse mesmo nada eu ia.

“Como se nada no mundo fosse capaz de conter a minha contenção, me sentei. Olhei para os lados, o suspeito de um crime bárbaro. Ele fuma. Olho na bolsa, o isqueiro amarelo tintila sob os meus olhos. Caminho lentamente. Me empresta o isqueiro?. Ele tira do bolso uma caixa de fósforos. É um teste. Você sabe acender um cigarro com fósforos nesse vento de Maio? Acendo. Obrigada! Ninguém parece fumar por aqui, que bom que eu te achei. O isqueiro continua na bolsa de ombro. As pessoas fumam sim, só que mais à noite. Ah… eu não costumo vir aqui à noite, mas o que você faz por aqui? Vou encontrar com alguém… preciso dar uma grana pra ele. Ah, então ele vem! Ha. As pessoas são tão filhas da puta comigo que me dão fora até quando é pra receber dinheiro! Dou mais uma risadinha. Você bebe? Ele perguntou, tão espontâneo. Respondi que sim agradecendo àquela caminhadinha impensada que já me trouxera alguns goles e algumas palavras.

“Comprou vinho. Andávamos com a mesma naturalidade com a qual contávamos nossos segredos um para o outro. Escurece e nos sentamos em algum lugar. As mãos vacilam de frio e pelo contato. Confessamos-nos um ao outro com o receio da recém descoberta e com o prazer do alívio reciproco. Seus olhos me pedem um beijo. A vulnerabilidade vestida em ebriedade, anarquia e catarros me encantam. Tanta grosseria para ocultar o mais sensível espírito.  Essa é verdade. O beijo e ele beija mais uma vez o beijo que lhe foi dado. Me sinto feliz pelas possibilidades. Ele exalta a sua conquista em si. Não esperava aquela dose de felicidade tão bem aplicada. Como se um pequeno amor nascesse através das vistas cansadas. Como se a dor tivesse sido levada com o vento e sido esquecida pela bebida. Dançamos nos corpos dos mortos tristes. Não para compartilhar à felicidade que vem como memórias já um dia após as comemorações dolorosas de beijos e partida. Espera já pelo próximo.”

The Bunker

And we shall hide together here
Underneath the bunkers in the row
I have water, i have rum
Wait for dawn and dawn shall come
Underneath the bunkers in the row
And we shall hide together here
Underneath the bunkers in the row

Where is my cigarette?

Janeiro 7, 2012 § Deixe um comentário

Por um acaso procurei por imagens referentes as antigas propagandas de cigarros e me surpreendi com o charme de sua comunicação visual, completamente propícia para o tipo de produto, tenho certeza de que convencia a muitos! Sou suspeita para falar por um milhão de motivos, mas é incrível de qualquer forma, para fumantes e não fumantes.

Where Am I?

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