Ao amor que não me foi dado

Junho 4, 2013 § Deixe um comentário

Entrei mais uma vez onde meus sonhos são só delírios inconsequentes, beijei as paredes e dormi nos tetos molhados. Tudo escorria e por todos os cantos eu podia sentir as paredes derreterem nos solavancos. Estava cansada, talvez já com frio demais para dormir ou para me levantar, permaneci por tempo o suficiente para apreciar a aparente falta que já me falava alto. Beijei as paredes e me apoiei no abrigo. Respirei minha alma, tomei banho, tomei um danone e tomei alguns remédios. Os dedos dos pés arrastando pela casa com um sonido inaudível e repreensível. Amei tanto e por tanto tempo que chorei até me afogar. Haviam peixes por todos os lados que acariciavam meus dedos, pude rir, mas as bordas continuavam se afastando mais e mais. As minhas principais ambições morreram, morri por alguns momentos em várias situações, me senti emocionada, me senti tocada, me senti intrínseca comigo mesmo por não saber quem sou e não ter ideia. Sempre um abismo do “eu” em mim. O amor vem tão violento quanto um soco. Eu estou chorando! Percevejos andam pelas minhas pernas arrepiadas de frio e de feridas abertas e brancas enquanto eu amo o amor que não foi me dado.

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