Vivendo o nonsense

Junho 4, 2013 § Deixe um comentário

-Não demore, benzinho, se não você já sabe, pode dar tudo errado…

 

“Estamos todos perdidos. Sinto falta dos resquícios, até mesmo das cores e das palavras. Tudo parecia fazer sentido ao menos naquela época onde diziam que pouco importavam os pecados sórdidos que a nossa gente cismava em prativar. Não vou demorar, estou saindo agora mesmo para que tudo se acerte. Céus, existem dias em que a vida pode parar de acontecer. Estou no automático. Fazendo tudo por fisiologia ou necessidade bruta, nenhum prazer. Estou lambendo as orelhas alheias, nem tenho mais saliva para dizer as coisas que queria dizer de verdade, tudo tão perto de quebrar que escorrega das mãos, da língua, das pernas. Escorrega enquanto ainda está quente. Tão próximo da maldade quanto da irrealidade. Estamos vivendo o nonsense.”

 

-Estou indo meu amor, estou indo. Me espere pro jantar.

Ao amor que não me foi dado

Junho 4, 2013 § Deixe um comentário

Entrei mais uma vez onde meus sonhos são só delírios inconsequentes, beijei as paredes e dormi nos tetos molhados. Tudo escorria e por todos os cantos eu podia sentir as paredes derreterem nos solavancos. Estava cansada, talvez já com frio demais para dormir ou para me levantar, permaneci por tempo o suficiente para apreciar a aparente falta que já me falava alto. Beijei as paredes e me apoiei no abrigo. Respirei minha alma, tomei banho, tomei um danone e tomei alguns remédios. Os dedos dos pés arrastando pela casa com um sonido inaudível e repreensível. Amei tanto e por tanto tempo que chorei até me afogar. Haviam peixes por todos os lados que acariciavam meus dedos, pude rir, mas as bordas continuavam se afastando mais e mais. As minhas principais ambições morreram, morri por alguns momentos em várias situações, me senti emocionada, me senti tocada, me senti intrínseca comigo mesmo por não saber quem sou e não ter ideia. Sempre um abismo do “eu” em mim. O amor vem tão violento quanto um soco. Eu estou chorando! Percevejos andam pelas minhas pernas arrepiadas de frio e de feridas abertas e brancas enquanto eu amo o amor que não foi me dado.

Where Am I?

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