Filha e Amante

Abril 18, 2013 § Deixe um comentário

Minha querida, vem, vamos pensar na vida e nas coisas, vamos ser razoáveis até onde a medida do possível nos permite ser presíssimos na sua liberdade. Eu estou aqui há tempo demais e você está lá para vir, mas nada a faz ver onde estão verdadeiramente os seus olhos. Canso fácil. Canso já. Vem aqui, me dá um beijo, me agarra nesses braços pontiagudos. Ah… se você soubesse. Se você soubesse o quanto o seu olhar me fita, se soubesse o quanto o seu abraço me afaga, se soubesse o quanto suas coxas me prendem, me quer todo seu e não me dá nada. Ou me dá coisa demais e quer de volta, deixa aqui vai. Nada há nada que você queira escrever-me que já não tenha dito com aqueles beijinhos, aquelas mãozinhas, aquelas caricias, aquele gemidos e sorrisinhos, e já nem é mais deboche, mas tudo é graça, tudo é graça!

Você vem ou vai, vem aqui, me deixa mais em mim. Tem tanto de mim em ti que quando se vai eu me perco em tudo aquilo o que eu já não mais sou, tudo aquilo o que você se apropriou para ti. Vem em mim nas lágrimas, no espirro, no esporro, vem sempre que quer, vem sempre, vem tanto que eu nem espero e ainda assim, não se faz minha mas me pega todo pra si.

Minha filha e minha amante, vem que eu te quero já, me renova na sua falta de senso, vem pra rir e acaba por chorar, vem abraçar meu braço, ficar no meu encalço, eu te presenteio, te adoro e escarneio, mas é só pra te manter aqui, só pra me manter em você e no seu interesse. Minha filha e amante vem pra eu te abraçar, beijar sua testa, abrir suas pernas, te fazer rir e gritar. Afagar seu cabelo e as suas pernas, apertar suas mãos e os seus seios, beijar sua testa e a sua boca. Minha filha e amante vem pra eu acalmar sua cabecinha histérica, ajudar a organizar suas ideias, acalmar-te das suas faltas, das suas dúvidas, dos seus remorsos. Vem pra eu tirar de você o controle da voz, do peito, de tudo aquilo o que eu posso tocar. Minha filha e amante, vem me falar dos seus meninos de ocasião, apresenta-me todos eles na sua voz de prazer e deboche, ostenta pra mim essa sua liberdade pra logo em seguida se livrar de todos eles e se prender em mim.

Minha menina, menina minha que tem tanto prazer de se fazer minha para os outros e que para mim só se entrega para ganhar. Adorando o prazer de estar onde não pode chegar, se faz toda minha na confiança da sua liberdade, na sua confiança na ferrugem nas minhas correntes em outras pessoas.

Vem à mim e me fala de tudo, dos seus segredos, das suas pessoas, das suas posses, da sua escrita, da sua fala, da sua briga, da sua sensação, da sua cabeleira, das suas amigas, da sua calma, da sua falta de sono, da sua bebida, da sua dor, do seu prazer, dos seus planos, de alguns nossos planos, mas nada nosso se permite levar a série no medo da evidência. Vem à mim e me pede, me pede pra ficar perto, me pede um beijo, me pede um livro, me pede um abraço, me pede um afago, me pede uma piada, me pede um ponto de vista, me pede um convite, me pede uma noite e outro e outro e mais um beijo.

Minha pequena você vem e um dia vai. Vai, mas volta. No seu medo do medo, medo de ter medo de mim, vem pra mim que para ti nada em mim é nocivo. Tudo o que eu quero para ti é estabilidade e o conforto conjunto. Como você mesmo dizia, “nós somos cumplices”, um pedaço um do outro que não pode deixar de ser.

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