A Prostituta e o Empresário

Abril 11, 2013 § Deixe um comentário

“Você deveria ter um pouco mais de respeito com o meu desprezo, meu bem. Sabe que o que tenho que fazer é por uma mera questão financeira. O trabalho é bem remunerado por que é bem feito e não é fácil.”

“Não é difícil ser puta. Qualquer uma quer dar para alguém, é só uma questão de conveniência. Você dá por dinheiro e uma outra por qualquer outra coisa. Não me venha com esse papo de ‘só eu faço isso’.”

“Mas meu querido, o problema está na demanda e não nos meus interesses!”

“Você tem uma espécie de meta pra bater?”

“Quase isso… Se for com acréscimos, essas coisas que dão mais dinheiro, então eu posso me dar ao luxo de evitar um cliente… negócios. Você fala de promoções e impostos eu falo de uma vagina dilatada. Mas afinal, você vai querer?”

“Você tem um cafetão?”

“Não, é… sim, é tipo isso. Você tem um superior, mas não quer ter que chama-lo de chefe, né?”

“Então, como é? Você ganha salário? Ou é tipo… porcentagem…”

“Eu tenho uma série de benefícios, ganho isso por fora.”

“Que tipo de benefício? 13º? Auxilio transporta? Vale alimentação?”

“Não confunda as profissões, meu bem… eu tenho aquilo o que vocês devem chamar de… ajuda de custo.”

“O que?”

“Absorvente, cama, espermicida, camisinha e anticoncepcional de graça.”

“Mas isso não é… nada.”

“Meu bem, não confunda as profissões. A pior parte mesmo é esse salto.”

“Você não disse que era uma profissão difícil? Há…”

“Sim, e o mais difícil é esse salto.”

“Ele faz parte dos benefícios?”

“Sim, já que a única ocasião onde podemos usá-lo é no trabalho…”

“Na minha empresa as mulheres só podem usar roupas e sapatos sociais, mas não são um ‘benefício’ pra elas… quer dizer, nós não pagamos isso pra elas…”

“É por isso que eu sou puta… Aliás, acabaram os seus 15 minutos, meu bem, são 120 reais.”

“Mas… não! Eu não te comi!”

“Cada um usa os seus 15 minutos como quer… cada um e a sua curiosidade… até onde não fere o meu ego eu procuro não me pronunciar.”

“Mas… não!”

“Olha, eu sou só um produto. Como as máquinas que a sua empresa vende, foda-se se você pegou um micro-ondas pra usar de peso pra porta ou se cozinhar nele, tem que pagar…”

“Ah, e você vai chamar o que, o procon?”

“Meu bem… unf… quantas vezes eu vou ter que falar? Não confunda as profissões…”

(Trecho resumido e com cortes de Atmosfera)

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