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Abril 24, 2013 § Deixe um comentário

Aline Tedeschi

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Filha e Amante

Abril 18, 2013 § Deixe um comentário

Minha querida, vem, vamos pensar na vida e nas coisas, vamos ser razoáveis até onde a medida do possível nos permite ser presíssimos na sua liberdade. Eu estou aqui há tempo demais e você está lá para vir, mas nada a faz ver onde estão verdadeiramente os seus olhos. Canso fácil. Canso já. Vem aqui, me dá um beijo, me agarra nesses braços pontiagudos. Ah… se você soubesse. Se você soubesse o quanto o seu olhar me fita, se soubesse o quanto o seu abraço me afaga, se soubesse o quanto suas coxas me prendem, me quer todo seu e não me dá nada. Ou me dá coisa demais e quer de volta, deixa aqui vai. Nada há nada que você queira escrever-me que já não tenha dito com aqueles beijinhos, aquelas mãozinhas, aquelas caricias, aquele gemidos e sorrisinhos, e já nem é mais deboche, mas tudo é graça, tudo é graça!

Você vem ou vai, vem aqui, me deixa mais em mim. Tem tanto de mim em ti que quando se vai eu me perco em tudo aquilo o que eu já não mais sou, tudo aquilo o que você se apropriou para ti. Vem em mim nas lágrimas, no espirro, no esporro, vem sempre que quer, vem sempre, vem tanto que eu nem espero e ainda assim, não se faz minha mas me pega todo pra si.

Minha filha e minha amante, vem que eu te quero já, me renova na sua falta de senso, vem pra rir e acaba por chorar, vem abraçar meu braço, ficar no meu encalço, eu te presenteio, te adoro e escarneio, mas é só pra te manter aqui, só pra me manter em você e no seu interesse. Minha filha e amante vem pra eu te abraçar, beijar sua testa, abrir suas pernas, te fazer rir e gritar. Afagar seu cabelo e as suas pernas, apertar suas mãos e os seus seios, beijar sua testa e a sua boca. Minha filha e amante vem pra eu acalmar sua cabecinha histérica, ajudar a organizar suas ideias, acalmar-te das suas faltas, das suas dúvidas, dos seus remorsos. Vem pra eu tirar de você o controle da voz, do peito, de tudo aquilo o que eu posso tocar. Minha filha e amante, vem me falar dos seus meninos de ocasião, apresenta-me todos eles na sua voz de prazer e deboche, ostenta pra mim essa sua liberdade pra logo em seguida se livrar de todos eles e se prender em mim.

Minha menina, menina minha que tem tanto prazer de se fazer minha para os outros e que para mim só se entrega para ganhar. Adorando o prazer de estar onde não pode chegar, se faz toda minha na confiança da sua liberdade, na sua confiança na ferrugem nas minhas correntes em outras pessoas.

Vem à mim e me fala de tudo, dos seus segredos, das suas pessoas, das suas posses, da sua escrita, da sua fala, da sua briga, da sua sensação, da sua cabeleira, das suas amigas, da sua calma, da sua falta de sono, da sua bebida, da sua dor, do seu prazer, dos seus planos, de alguns nossos planos, mas nada nosso se permite levar a série no medo da evidência. Vem à mim e me pede, me pede pra ficar perto, me pede um beijo, me pede um livro, me pede um abraço, me pede um afago, me pede uma piada, me pede um ponto de vista, me pede um convite, me pede uma noite e outro e outro e mais um beijo.

Minha pequena você vem e um dia vai. Vai, mas volta. No seu medo do medo, medo de ter medo de mim, vem pra mim que para ti nada em mim é nocivo. Tudo o que eu quero para ti é estabilidade e o conforto conjunto. Como você mesmo dizia, “nós somos cumplices”, um pedaço um do outro que não pode deixar de ser.

Ode à Henry Miller

Abril 17, 2013 § 4 comentários

H. Miller et moi

Em tempos como estes que por uma questão de proteção ou de ataque bruto necessitamos nos agarrar a alguma crença para nos sentirmos vivos, eu decidi me agarrar a um deus terreno e muito maior que todos aqueles que já foram citados. Um deus pessoal? Um deus pessoal para mim. Pessoalíssimo.

A verdade encarnada, os sentidos, as sensações os sentimentos, as vontades e até mesmo a loucura e o prazer entregues à ele sem nenhuma pretensão se não almejá-lo inclinada.

São tempos difíceis para qualquer um que tente sentir de verdade. São tempos difíceis para os ultra sensíveis de tato e de intelecto. São tempos difíceis dentro de tudo aquilo o que se pode, de fato, acreditar com fervor. São tempos difíceis para aqueles que sonham com a liberdade e o manifesto dela e só dela. São tempos difíceis para aqueles que buscam a verdade naqueles que vivem de mentiras.

Me deito aos pés do meu deus por ocasião e sentido e com isso o beijo, me entrego completamente e seria capaz de dispensar-lhe minhas entranhas somente como agradecimento. Céus e mais uma vez eu penso, volto a você como uma manifestação escrita de tudo o que o tudo pode ser e não existem limites, nada à altura. Eu seria capaz de dispensar-lhe os meus pulmões, útero e unhas somente como agradecimento.

Toda a necessidade saciada pela manifestação da falta. Ele me espanca com palavras e luz.

Henry Miller, muito mais que uma descoberta literária. A cada frase que leio, eu choro, a cada parágrafo esperneio e a cada página me descontrolo. Ele é um espasmo vivo daquilo o que é impossível ser manifestado. E nenhuma descrição poderia ser mais específica para deus.

Henry Miller, aqueles que o chamam de pornógrafo são simplesmente insensíveis, o que ele escreve é tão grande, tão intenso, tão intrínseco que na debilidade de compreende-lo absorvem somente as palavras que lhes vêm à mente como místicas numa obscenidade infantil, o que pode ser mais natural que o sexo quando se deve falar sobre as coisas vivas? Quando tudo aquilo pelo o que se fala são sentidos, vida e dor?

Me agarro a necessidade da adoração deste deus que me completa, me representa, me corresponde, me liberta e me sensibiliza. Me agarro a adoração deste deus agora já invisível e inalcançável. Deste deus num delírio. Deste deus físico tanto quanto eu sou, pois é exatamente aqui onde todos eles estão e nada mais além disso o torna especialmente um deus. O meu deus pessoal. Pessoalíssimo.

Dia 11 de Abril de 2013

Abril 12, 2013 § Deixe um comentário

Era um barzinho confortável, desorganizado da melhor forma. Fechado com as portas destrancadas, qualquer um poderia entrar pra se fechar ali dentro. Cheirava a gente e movimento, tudo era vivo naquele lugar. Até as poucas cadeiras de madeira pareciam um atrativo pra gente por perto. A banda e os instrumentos já estavam ali, num canto. Os instrumentos em silêncio enquanto a gente toda conversava, fumava, discutia: uma evangélica defendia a sua alienação com argumentos camuflados em um vocabulário que incrivelmente não era assim tão ruim, mas automático. Havia espaço e calor. Conversei com uma música que estava por ali, tinha o sorriso mais simpático que eu já vi e aquilo me comoveu. Geralmente são as coisas mais pequenas nas pessoas mais simples que me fazem continuar tendo curiosidade e interesse nessa gente nova e cheia de particularidade. Não me venha com ideias monstruosas, não me venha com pretensões extensas, me venha apenas com um sorriso sincero e uma promessa de interesse mútuo e eu estarei entregue: num sorriso tão bonito ela me contou seus demônios passados. As pessoas ali pareciam todas cobertas dessa simplicidade exuberante, naquele momento, dentro daquele lugar, éramos todos um só, os que chegaram tarde e os que trabalhavam ali há anos, nos identificávamos pelo mero interesse comum em estar ali.

A primeira banda se ajeitou pra tocar. Alguns voltaram de seus jantares rápidos e improvisados, um aquecimento para o que viria a seguir, outros largaram uma conversa no ar. Os ouvidos atentos de todos procuravam um sinal, eles subiram no palco. Os instrumentos eram os únicos que falavam, em todo o canto, nem mesmo a poeira se mexia, receosa. A troca de papéis. Era um transe comunitário. Todos sentiam o mesmo fascínio manifestado individualmente no refutar dos sopros: uma flauta transversal, dois saxofones, um oboé, uma flauta doce, uma shinai, uma hulusi e um clarinete. Em cima do palco uma festa de improviso, os músicos ou seus instrumentos independentes conversavam entre si e nós captamos o que não é transigível. Os instrumentos ora gritavam, ora sussurram. Uma transferência só. De várias sensações, a eterna expectativa.

Finda apresentação, todos, incluindo os músicos mergulham numa atmosfera ainda pulsante. Sem reação ou com reação demais para uma manifestação prática, sopramos para dentro. O músico do sax e das flautas exóticas nos faz um breve parecer sobre as palhetas e dados culturais. Tudo muito bom, e os instrumentos voltam para os queises, e nós nos voltamos para os nossos cigarros, bebidinhas e comentários. A próxima banda se prepara e nós, do lado de cá, nos preparamos também.

Dessa vez são dois saxes, uma bateria e um violoncelo. Violoncelo que por muitas vezes reza o místico e volta com a maior das agressividades. É algo tão intenso quanto uma ferida e eu imagino que qualquer um capaz de apreciar aquilo é também muito capaz de apreciar a dor em tudo o que ela tem de mais belo e em tudo o que ela tem de mais pungente e sublime. Não há muito mais a se dizer aqui, o que houve naquele espaço é definitivamente o tipo de coisa que não se diz, que não nos dá esse espaço e que eu me atrevo. Como era conveniente a partir daí as improvisações giraram em torno de um jazz ou talvez não, a improvisação nos dá essa chave do indecifrável pra uma porta sem nome. Voltei para casa à pé. O mundo de ideias em mente. O contato com gente, eu me sentia bem. Um homem corria na praça em plena madrugada, só me perguntei por que ele estava usando um boné, talvez gostasse, só isso, nenhuma função prática.

Fiquei pensando na intensidade. Senti falta de alguém onde eu quase me sufoquei, mas eu ainda estou respirando e satisfeita. Depois de amanhã quem sabe… são diferentes formas de transe que me transportam de diferentes lugares para uma mesma aspiração.

 

Retirado do meu diário.

A Prostituta e o Empresário

Abril 11, 2013 § Deixe um comentário

“Você deveria ter um pouco mais de respeito com o meu desprezo, meu bem. Sabe que o que tenho que fazer é por uma mera questão financeira. O trabalho é bem remunerado por que é bem feito e não é fácil.”

“Não é difícil ser puta. Qualquer uma quer dar para alguém, é só uma questão de conveniência. Você dá por dinheiro e uma outra por qualquer outra coisa. Não me venha com esse papo de ‘só eu faço isso’.”

“Mas meu querido, o problema está na demanda e não nos meus interesses!”

“Você tem uma espécie de meta pra bater?”

“Quase isso… Se for com acréscimos, essas coisas que dão mais dinheiro, então eu posso me dar ao luxo de evitar um cliente… negócios. Você fala de promoções e impostos eu falo de uma vagina dilatada. Mas afinal, você vai querer?”

“Você tem um cafetão?”

“Não, é… sim, é tipo isso. Você tem um superior, mas não quer ter que chama-lo de chefe, né?”

“Então, como é? Você ganha salário? Ou é tipo… porcentagem…”

“Eu tenho uma série de benefícios, ganho isso por fora.”

“Que tipo de benefício? 13º? Auxilio transporta? Vale alimentação?”

“Não confunda as profissões, meu bem… eu tenho aquilo o que vocês devem chamar de… ajuda de custo.”

“O que?”

“Absorvente, cama, espermicida, camisinha e anticoncepcional de graça.”

“Mas isso não é… nada.”

“Meu bem, não confunda as profissões. A pior parte mesmo é esse salto.”

“Você não disse que era uma profissão difícil? Há…”

“Sim, e o mais difícil é esse salto.”

“Ele faz parte dos benefícios?”

“Sim, já que a única ocasião onde podemos usá-lo é no trabalho…”

“Na minha empresa as mulheres só podem usar roupas e sapatos sociais, mas não são um ‘benefício’ pra elas… quer dizer, nós não pagamos isso pra elas…”

“É por isso que eu sou puta… Aliás, acabaram os seus 15 minutos, meu bem, são 120 reais.”

“Mas… não! Eu não te comi!”

“Cada um usa os seus 15 minutos como quer… cada um e a sua curiosidade… até onde não fere o meu ego eu procuro não me pronunciar.”

“Mas… não!”

“Olha, eu sou só um produto. Como as máquinas que a sua empresa vende, foda-se se você pegou um micro-ondas pra usar de peso pra porta ou se cozinhar nele, tem que pagar…”

“Ah, e você vai chamar o que, o procon?”

“Meu bem… unf… quantas vezes eu vou ter que falar? Não confunda as profissões…”

(Trecho resumido e com cortes de Atmosfera)

Vale a pena ouvir

Abril 5, 2013 § Deixe um comentário

Sei que o título parece pretensioso, não é que, de fato, valha mesmo a pena ouvir as músicas que eu posto, mas eu gosto muito delas.

[“If you are aware of a state which you call ‘is,’

Or reality, or life, this implies another state called ‘isn’t.’
or illusion, or unreality, or nothingness, or death.There it is, you can’t know one without the other.
And so, as to make life poignant,
It’s always got to come to an end.
That is exactly, don’t you see, what makes it lively.
Liveliness is change, is motion.
And motion is going ‘nnnnnnneeeeeaaw!,’ like this,
See, they fall out.
You can see you are always at the place where you always are,
Only, it keeps appearing to change.”]

Nothing ever keeps you safe for sure 

No one ever dug down so far
We go
Where heroes dropped their bones outside
No one ever knew I made it
No one ever

Oh, bury us alive
Oh, bury us alive
Oh, bury us alive
Oh, bury us alive

Believe
Nothing ever rose up
Gone to see you through
No one even noticed
‘Till I crawled in slow 
A new world clouded out the sun
No one even lives (Place a touch of
Death to set me free)

transe

Abril 2, 2013 § Deixe um comentário

Aquilo era um sono, um sono leve, um sono letárgico de primavera em que não se distingue naquilo o que é uma reconstituição mental da realidade. A minha inconsciência muito acordada enquanto eu dormia. Nesse meio termo morno e indistinguível, você vem lento e suave, me larga aonde sua mão leva e eu permaneço pulsando a sensação do toque. Imaginando-o ou dando-o continuidade. Os beijos acabam e os meus lábios continuam abertos, no torpor da sensação do toque, recém recebido como que recém descoberto. É tudo muito lento ou muito invasivo. Gritei, suspirei em silêncio, abafei o silêncio, saliva na sua mão, mas todos os acontecimentos tão sensitivos quanto um cheiro.  Eu nunca soube o que estava acontecendo. A música me elevava ainda para este sentido. Me senti uma memória. Tudo era sobre carne e sentidos. Eu adormecia e acordava para a sensibilidade pura de cada toque. Tudo eram sensações e delírios.  Havia toda a minha suplica e o meu desespero. Beijei-o como se fosse vapor, trocávamos de estado, você desaparecia da minha percepção para voltar como um choque elétrico. Mais uma vez, era tudo sobre carne e sentidos. “Eu não vim preparada para isso”, houve um “disse”. Foi talvez um espasmo de lucidez. Eu não queria que fosse mais invasivo sem estar tão dentro de onde eu nem podia alcançar e você chegava. Eu nem conhecia quem era aquela que o recebia, tão desesperada ou receptiva. Foi um vício e durou uma eternidade. Foi uma restituição e eu perdi tudo. Eu gostaria de morrer ali pra me entregar aquilo que eu conheci como sensibilidade, pureza, absurdo e prazer. E nem mesmo mil orgasmos me levariam de volta aquilo. A música não parava, a palavra “transe” que vem aqui como a mais bela definição de um todo. Eu deixei de existir, de pensar, consegui viver o sentir. Foi uma respiração. Alcance ao etéreo. Mas muito mais do que eu posso dizer.

Where Am I?

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