Necrofilia

Outubro 22, 2012 § 2 comentários

Tão dócil, tão fria
Não aproxima com beijos e súplicas
Não afasta com o desgosto típico
Não me convence pelo charme
Não repudia com deboche
Nunca
Nunca mais

A feição clara e limpa
Nos olhos, a vazies que me tem como todo
Eu permaneço

Tão dura comigo, oh, não se dá ao trabalho!
Mas nada me nega
De ti, tenho tudo e tudo mais
Não me envolve
Não me impede envolver
Não me beija
Nunca me impede beijar

Sempre tão quietinha, tão silenciosa
Não me nega nada

Tenho-lhe os braços, os beijos, as pernas,
e os suspiros, todos meus!

Não me julga pela falta de modos e ora, você também não os tem!
Mas eu a adoro e a adoro e a adoro por isso e tudo!
O tudo que não é mais seu e que não me nega!

Levo a mão ao seu rosto, lhe moldo um sorriso
Tão fria e sempre tão doce!

Por esse momento eu te adoro, tão cedo começa a feder
Solta, eu lhe adoro, solte já seus fluídos
Que eu também solto já os meus

Toco sua mão gelada
Me agarro ao momento para já esquecer
Com a efemeridade do nosso amor
Você me cede todos os seus encantos
No último beijo, a culpa
Na última palavra, a saudade da sua voz
Mas eu só pude te amar calada
Assim, como não deixará de ser
Fria e calada

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