Eu quero a paz na minha vulnerabilidade

Outubro 26, 2012 § Deixe um comentário

Escrevo agora sem intenções, sem inspirações, sem motivações.
Escrevo por que preciso escrever, ah, já é tudo tão simples, tão inexplicável, tão fisiológico.
Eu não quero o retorno que eu posso ver.
Eu não quero nada mais que a simples satisfação pessoal
A mesma satisfação em comer quando se está com fome
Uma necessidade simples e extrema,

Escrevo

Me deixe escrever, me deixe só isso fazer
Que eu tenho mais muitas outras necessidades calejadas
E a minha paciência já está dolorida
Me deixa, mundo, me deixa!
Que eu já não quero dinheiro
Nem sorrisos
Nem nada
Eu quero a paz na minha vulnerabilidade
Eu quero a mim mesma num monte de gente

Anúncios

Mad World

Outubro 23, 2012 § Deixe um comentário

Ao meu redor estão rostos familiares

Lugares estragados, rostos estragados

Claro e cedo para sua corrida diária

Indo a lugar algum, lugar algum

E suas lágrimas estão encharcando seus óculos

Sem expressão, sem expressão

Escondo minha cabeça,eu quero acabar com meu sofrimento

Não há amanhã, não há amanhã
E acho isso meio engraçado

Acho isso meio triste

Os sonhos em que estou morrendo

São os melhores que já tive

Acho difícil dizer isso pra você

Pois acho difícil de encarar

Quando as pessoas andam em círculos

É um mundo muito, muito louco
Crianças esperando pelo dia em que sentirão bem

Feliz aniversário, feliz aniversário

Feitas para se sentir da maneira que toda criança deveria

Sentar e escutar, sentar e escutar

Fui à escola e estava muito nervoso

Ninguém me conhecia, ninguém me conhecia

Oi professor, diga me qual a minha lição

Olhe através de mim, olhe através de mim
E acho isso meio engraçado

Acho isso meio triste

Os sonhos em que estou morrendo

São os melhores que já tive

Acho difícil dizer isso pra você

Pois acho difícil de encarar

Quando as pessoas andam em círculos

É um mundo muito, muito louco

Amplie seu mundo

Mundo Louco

Para o Personagem de Trás do Balcão

Outubro 22, 2012 § Deixe um comentário

Eu já havia me apaixonado por você muito antes de isso ser possível.
De forma a torná-lo muito mais irreal que a irrealidade revestida pelos meus olhos em lágrimas.
É sempre nublado na minha cabeça.
Corri a língua pelos lábios e fugi com um sorriso de faz-de-conta.
Você não me atraiu, não me afastou… Mas me mostrou os braços abertos.
Eu repousei.
E sem as lágrimas do cansaço, você se tornou mais acessível para os meus sentidos.
De olhos limpos, sua imagem se tornou finalmente nítida o bastante para eu não ver em você o monstro de todos.

Necrofilia

Outubro 22, 2012 § 2 comentários

Tão dócil, tão fria
Não aproxima com beijos e súplicas
Não afasta com o desgosto típico
Não me convence pelo charme
Não repudia com deboche
Nunca
Nunca mais

A feição clara e limpa
Nos olhos, a vazies que me tem como todo
Eu permaneço

Tão dura comigo, oh, não se dá ao trabalho!
Mas nada me nega
De ti, tenho tudo e tudo mais
Não me envolve
Não me impede envolver
Não me beija
Nunca me impede beijar

Sempre tão quietinha, tão silenciosa
Não me nega nada

Tenho-lhe os braços, os beijos, as pernas,
e os suspiros, todos meus!

Não me julga pela falta de modos e ora, você também não os tem!
Mas eu a adoro e a adoro e a adoro por isso e tudo!
O tudo que não é mais seu e que não me nega!

Levo a mão ao seu rosto, lhe moldo um sorriso
Tão fria e sempre tão doce!

Por esse momento eu te adoro, tão cedo começa a feder
Solta, eu lhe adoro, solte já seus fluídos
Que eu também solto já os meus

Toco sua mão gelada
Me agarro ao momento para já esquecer
Com a efemeridade do nosso amor
Você me cede todos os seus encantos
No último beijo, a culpa
Na última palavra, a saudade da sua voz
Mas eu só pude te amar calada
Assim, como não deixará de ser
Fria e calada

O Deus do Eu

Outubro 17, 2012 § Deixe um comentário

A religião muitas vezes nos fala de um deus que cria o universo, cria as pessoas do nada, dá-lhes uma razão de viver, as pune quando crê necessário, da mesma forma como as presenteia. Um deus cujo controle da realidade é absoluto e pleno. Um deus que está em todos os lugares a todo o tempo e sabe de todos os segredos mais profundos e secretos. Um deus misericordioso e por vezes, extremamente cruel e impetuoso. Um deus cujo mundo coordena à sua vontade, aos seus modos, a sua forma. Um deus do certo e errado. Um deus solitário, no total altruísmo da sua relação com os demais, se faz ser mais importante e relevante, um completo egoísta. Ora, sou deus. Pois crio e não vejo uma só característica acima da qual não seja partidária. Crio universos, rejo consciências e destinos. Estabeleço por mim as noções de certo e errado. Estou em todos os lugares, em todas as descrições, a todo o tempo. Me considero excelentíssima e o melhor de mim mesmo, numa posição que pode-se considerar, hm, de um modo ou de outro, altruísta. E principalmente sou eu e somente eu quem escrevo “fim” na última página daquilo o que crio.
Se existe um deus, ele está na terra e anda entre nós. Sabe tanto quanto nós e o é deus justamente por que, ainda que nessa condição, ele cria, move, e altera tudo aquilo o que é metafísico e espiritual nas pessoas com quem têm contato.
De mim para mim, e para todos aqueles que sentem, eu sou deus, que por inspiração e contato com demais deuses, me auto-considero única.

“não se pode contornar o vento”

Outubro 6, 2012 § 1 Comentário

Poucas verdades se renovam, trazendo consigo, de volta, um ciclo. Me deixei esperar por uma tangente, mas qualquer tentativa tende a ser fatalmente tediosa. Mais uma vez eu escrevo, tento vomitar palavras quaisquer para ondular a melancolia. Chamar atenção em meio a um monte de pessoas já mortas de expectativas. Não se pode contornar o vento, mas não há mais ninguém aqui sequer para dizer “eu avisei”. Só resta a melancolia no pote de doces, e eu, sozinha, tento mais uma vez me mover a caminho de qualquer lugar novo para renovar a minha estupidez com relação a tudo aquilo o que ainda me dou o direito de esperar, às vezes.

Where Am I?

You are currently viewing the archives for Outubro, 2012 at Old Consciousness.