Diferente Igual a Todos os Outros

Julho 27, 2012 § 1 Comentário

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Em casa, olho para a janela, começa a escurecer. Voltei-me para ela numa tentativa excedida de fazê-la reparar nos meus olhos levemente umedecidos.

“Você andou chorando?”

“Não, só estou com sono.”

A convivência nos obriga a ser óbvio, nada tira mais o encanto da subjetividade.

“Então vá pra cama.”

Em outro caso, algum mais distanciado, ela poderia ter me feito perder o sono, mas ela ainda tinha um maço de cigarros pra terminar e aquilo parecia mais interessante.

“Não vou pra cama, vou pra casa.” – disse.

Silêncio. Essa era sua forma de demonstrar insegurança a respeito das coisas que ela não sabia como lidar.  Permaneci sentado apesar da minha última fala.

“O que você está esperando? Sexo?” – ela perguntou depois de alguns minutos.

Levantei e peguei as chaves. Ela me beijou sensualmente.

Com o tempo você tem de aprender novos artifícios de se conseguir sexo quando não existe mais ninguém disponível.

Descaso Pendente

Julho 26, 2012 § Deixe um comentário

“Último Suspiro” – intitulou sua pressa, com o infame sorriso de sempre. Beijou sua esposa, um beijo desses que se dá como justificativa do descaso. E se foi. Mais uma vez tão depressa quanto deixaram suas pernas. Estava cansado, mas não o bastante para desistir de tudo. Suspirou mais uma vez, encolerizando-se consigo mesmo. Voltou e trocou o título da carta. Encolerizou-se consigo mesmo ainda mais uma vez, por que tinha a tendência a perfeição aos detalhes e muito pouco importava-se com as coisas que de fato merecem atenção: a fuga, deu-se por volta das 20h, quando o jantar já estava servido e a coisa toda.

Sem Mais

Julho 26, 2012 § Deixe um comentário

Abraço minha vazies sem esperança
Pelos poucos dias em que acreditei
Na possibilidade da falta
Encontro só mais um pedaço de auto mutilação
Naquilo o que remete às minhas tentativas de integração emocional

One Life Stand

Julho 21, 2012 § 1 Comentário

Hope it’s not my conscious
But it keeps complaining

Diferente Igual a Todos os Outros

Julho 21, 2012 § 2 comentários

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“Me diga, você me ama? Eu sei que isso entra na lista de coisas as quais  garotas como eu nunca devem dizer, mas…”

“Garotas como você? Não há garotas como você.” – respondi um pouco inseguro e preocupado.

Caso houvessem outras garotas como ela, não haveriam motivos para o qual lhe prestar a exclusividade de estar comigo.

“Eu não queria ter de dizer que realmente me importo com esse tipo de coisa, mas algumas coisas são apenas curiosidade e um pouquinho de afetação disfarçada. Eu não sou como as demais garotas apesar de tudo.”

Olhei para o lado, talvez ela pensasse que eu evitava o contato visual, mas o sol estava começando a me fazer arder os olhos.

“E então? Você me ama?” – perguntou ela mais uma vez.

“Não.”

“Ah, entendi.” – ela disse com um sorriso que parecia tranquilo. Talvez ela estivesse encenando, o simples perguntar já indicava a sua preocupação sobre o assunto.

“Todos temos algo em comum com a massa, não dá pra fugir muito disso.”

“Você tem toda a razão…” – isso quer dizer que ela se importava.

“Eu por exemplo,”  – uma pausa para atrair profundamente a sua atenção pela expectativa. – “também tenho algo muito forte em comum com a maioria dos outros caras a quem você provavelmente odeia”

“O que?” – perguntou. Ela já não podia mais se aguentar de curiosidade. A confissão de uma característica implícita em todas as pessoas normais é o que me torna diferente.

“Eu não estou nem ai. Só queria te levar pra cama desde o começo.”

Ela ficou sem reação, entre a linha tênue daquilo o que se pode chamar de admiração e repulsa.

Mais uma vez voltamos à rua. Ela decidiu cair na admiração só por que parecia interessante estar de braços dados.

Do lado de fora

Julho 4, 2012 § 1 Comentário

Espero até o último segundo e quando já não aguento mais, faço de tudo para trazê-la de volta ao lugar de onde nunca saiu. As ruas estão quentes, abafadas, vivas! Você anda de lá para cá, mas sempre de volta. A cama está quente, o som está alto, os passos, os sussurros, as moças. Suspiro, aliviado, ouvindo a todas aquelas historias que me fizeram voar, eu encontro uma nova forma de sair daqui quando já não posso, a respiração que de alguma forma me deixa, vai ficando cada vez mais escassa antes de toda a euforia que a acelera. Tocam os sinos. Escuto vez por vez as palavras que me mantêm nessa cama de hospital, sentindo o cheiro dos sonhos das histórias tão vivas quanto podem ser do lado de fora da janela. Suspiro, aliviado. Mais uma vez, fecho os olhos procurando uma nova forma de sair daqui quando já não posso. Ela vem e vai, mas sempre volta à minha cama de hospital.

(Um Conto Por Música:  Forks and Knives (La Fête), The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Where Am I?

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