O Verme

Junho 25, 2012 § Deixe um comentário

Como um verme, tão faminto quanto asqueroso, eu espero por você.

Parasita, me infiltro nas suas entranhas, absorvendo de você aquilo o que você mais precisa.

Como um verme, sempre rastejando aos seus pés numa tentativa de aproximação do qual você, enojada, se afasta.

Adoece por minha causa, febril e amarela, você implora por uma cura, ainda pode ser tarde demais.

Já pensou que isso pudesse ter sido evitado se você tivesse tomado as medidas preventivas?

Como um verme, você me chamou de repugnante, você se lembra disso?

Como eu verme, eu estou nos lugares onde você não quer pisar, nas fezes, mas você pisou até me deixar entrar, não é?

Como um verme, eu estou nos lugares onde você não quer sair pra jantar, nos alimentos contaminados, mas você comeu com vontade até se contaminar, não é?

Como um verme, comumente conhecido como solitário.

E os sintomas lhe vieram, você vomitou, teve tontura e insônia, tinha desejos estranhos e uma fome que não saciava.

Como uma esquistossomose, a barriga cresceu, você estava grávida, por que mais uma vez, como um verme, eu adentro seu corpo para deixar meus ovos.

Ah, minha querida, talvez fosse filária, você ficou com uma aparência monstruosa, mas eu, ainda como sendo um verme, a contemplo.

Eu, como um verme, aquilo o que você nunca cansava de deixar bem claro, eu a possui.

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