O Verme

Junho 25, 2012 § Deixe um comentário

Como um verme, tão faminto quanto asqueroso, eu espero por você.

Parasita, me infiltro nas suas entranhas, absorvendo de você aquilo o que você mais precisa.

Como um verme, sempre rastejando aos seus pés numa tentativa de aproximação do qual você, enojada, se afasta.

Adoece por minha causa, febril e amarela, você implora por uma cura, ainda pode ser tarde demais.

Já pensou que isso pudesse ter sido evitado se você tivesse tomado as medidas preventivas?

Como um verme, você me chamou de repugnante, você se lembra disso?

Como eu verme, eu estou nos lugares onde você não quer pisar, nas fezes, mas você pisou até me deixar entrar, não é?

Como um verme, eu estou nos lugares onde você não quer sair pra jantar, nos alimentos contaminados, mas você comeu com vontade até se contaminar, não é?

Como um verme, comumente conhecido como solitário.

E os sintomas lhe vieram, você vomitou, teve tontura e insônia, tinha desejos estranhos e uma fome que não saciava.

Como uma esquistossomose, a barriga cresceu, você estava grávida, por que mais uma vez, como um verme, eu adentro seu corpo para deixar meus ovos.

Ah, minha querida, talvez fosse filária, você ficou com uma aparência monstruosa, mas eu, ainda como sendo um verme, a contemplo.

Eu, como um verme, aquilo o que você nunca cansava de deixar bem claro, eu a possui.

Heathers

Junho 25, 2012 § Deixe um comentário

Hoje assisti a um filme que tende a ser o meu novo favorito.
Um pouco de psicopatia, garotas bonitas, mortes, revólver, um casal e anos oitenta.

Domingo e Chá

Junho 24, 2012 § Deixe um comentário

Domingo à tarde, sozinha, escrevo, bebo chá e escuto alguma balada tristonha para me inspirar. Excepcionalmente gostaria de citar a respeito do chá, especial, especialíssimo e o qual faz juz a minha temporada no País das Maravilhas.

Afogada Demais em Mim Mesma

Junho 14, 2012 § 1 Comentário

O sentimentalismo barato e verdadeiro não me aflige. Mais uma vez depois de tanto tempo a mesma sensação me traz aqui para escrever a respeito. Não posso viver para sempre com um peso tão grande de algo que possa me afetar sem escolha. É importante ter noção das coisas as quais me afetam e poder ordená-las. Sinto-me melancólica, mas, racionalmente melancólica. Não existirá uma só vez em que eu sofrerei sem pressupostos ou satisfação.

O que eu não daria para poder sumir? Desaparecer de mim para mim mesma, fugir, desencontrar tudo aquilo o que me aponta como sendo aquilo o que contexto, tudo aquilo que me faz ser quem sou. Queria poder sumir. Estou afogada demais em mim mesma.

Fade Together

Junho 14, 2012 § 1 Comentário

So far away, come on I’ll take you far away
Let’s get away, come on let’s make a get away

Once you have loved someone this much you doubt
It could fade despite how much you’d like it to
God, how you’d like it, you’d like to fade

Let’s fade together, let’s fade forever
Let’s fade together, let’s fade forever
Let’s fade together…

If we get away you know we might just stay away
So stay awake, oh, why the hell should I stay awake?
When you’re far away, oh god, you are so far away

(Quando tudo o que eu mais quero é sumir)

Por: Franz Ferdinand

O Baque – II

Junho 14, 2012 § Deixe um comentário

O fim tem de ser, obrigatoriamente, fatal. A tristeza tem de abater, a melancolia tem de envolver, fazendo com que a mente trabalhe interminavelmente. Para que isso ocorra, os casais sempre tratam de convenientemente traçar sonhos que nunca se realizarão, planos para um futuro que nunca chegará, expectativas que nunca serão excedidas. Tudo para que, nos dias que seguem ao término de um relacionamento, a cabeça do indivíduo tenha o que trabalhar suficientemente para que a tristeza o envolva em uma proporção relativa aos planos não realizados, o corte de ilusão, o baque.

O Julgamento

Junho 14, 2012 § Deixe um comentário

Como se fosse um dia remoto, nós acreditamos em todos os conceitos que já tanto estabeleceram. Unido-nos uns aos outros por tentativas de felicidade. Estou sob julgamento: “você é feliz?” Eu poderia ficar pelo fato de acreditar neles, embora não sinta. Eu tento, eu juro, tento… vamos tentar afundando cada vez mais na areia movediça da nossa obstinação forçada. Partimos pelas luzes sempre nas temporadas, unindo-nos um ao outro para chorar nossas dores, noite impraticável num amontoado de saudades, eu sinto! Ah, sentimos saudades das nossas dores de tanto forçar a felicidade nos outros que não encontramos nunca. Volto mais uma vez, criança crescida, é o que eu tenho de ser. Estou sob julgamento, mais uma vez: “você é feliz?”. É importante que sejamos, é no mínimo importante que façamos tudo para sê-lo, é o que sempre dizem… Mas mais uma vez me uno a você para chorar minhas dores, me uno a você para não sumir sozinha. Nossos pais lamentam esse dia, mas mais uma vez partimos pelas luzes sempre na temporada. Posso sofrer todas as dores à luz das temporadas.

(Um Conto Por Música: The Penalty, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Where Am I?

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