Uma Milha por Riso

Maio 20, 2012 § Deixe um comentário

Por três dias deitado, quando levantou sentiu as dores expiradas. Soluçou, mas não houve lágrimas, não mais. Envolto em calor, caminhou, continuou, e andou descalço em passos lentos pelas ruas frias, diretamente em rumo a lugar nenhum, encontrou: o nada existencial que tanto o enriquecia. Sorriu, sorria, sorriria sempre que fosse domingo e andando lento e descalço, envolto em calor, envolveu aquela que amava e com o mesmo calor, mas o calor dos seus braços. Rodeado pela célebre estação, o outono passa e transpassa, mas o verão do sol e seus incautos amores o mergulham na sua canção sorrindo, tropeçante, caminha uma milha por riso. Abandonou as dores e delas decidiu guardar apenas os finais, onde em uma igrejinha pintada de branco, os enterrou e rezou pela célebre despedida. Beijou sua amada mais uma vez, sorriu, foi beijado pelo sol, e no ósculo permaneceu até o cair da noite, andando tropeçante, uma milha por riso, cantava. Até o fim dos seus dias, até voltar à pequena igreja pintada de branco, uma milha por riso.

(Um Conto Por Música: A Sunday Smile, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

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