O Baque

Maio 30, 2012 § Deixe um comentário

Pouco a pouco me deixei ser derrubada pela sua vontade de me afastar. Dancei, pendendo para os lados, oscilante no meu equilíbrio a alguns palmos do chão, embriaguei-me para ignorar, ignorei para não sentir, o baque.

Enfermidade Mútua

Maio 29, 2012 § Deixe um comentário

Eu vi nos seus olhos a tristeza indomável de uma doença inconsciente, por mil vezes eu tentei avisá-la, mas os seus sonhos a mantinham longe demais de qualquer desvio para a felicidade. Tão enfermo quanto você, pela sua falta, eu choro. Refugio-me nos sonoros melancólicos, tocando até a morte chegar, canto alto, até encontrar a melodia que te fará voltar, até encontrar a melodia que te tirará da cama dele, até encontrar a melodia que a trará de volta para os meus braços cansados. Ateio fogo nos departamentos do pensável, mais uma vez tento me refugiar fugindo, sem deixar nada para trás, mas sem você não posso carregar tudo daqui sozinho. Percorri milhas à sua lembrança, cantei, sobre as paredes de casa, cantei sobre as garrafas de vinho que deixamos no peitoril da janela, cantei sobre os anos que passam e doença que culmina, enquanto você envelhece triste. E, meu amor, o inverno que chega, oh frio que está próximo!

(Um Conto Por Música: Cliquot, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Os Subúrbios

Maio 25, 2012 § Deixe um comentário

Os sons que levam à loucura daqueles que belamente encaminham-se à perdição, numa roda rodeada de rédeas soltas, dançam. É meia-noite e naquela ruazinha fria, alguns choram, outros dançam, alguns suspiram, outros ainda se cansam, se deixam cansar pelos passos de dança. É meia noite e naquela ruazinha fria, os mais cautelosos com passos curtos e sombras altas se deixam levar pela pequena orquestra: um acordeão, um pianinho no máximo, os velhos que tocam para esquecer o frio, os jovens que dançam para se esquentar. Ele, então, levantou as sobrancelhas, oh! O estupor! A noite dos pobres.

(Um Conto Por Música: La Banileue, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Hipsters Ruin Everything

Maio 23, 2012 § Deixe um comentário

Para Onde Vão Todas as Coisas

Maio 23, 2012 § Deixe um comentário

Com um sorriso curto nos lábios eu me despedi de todas as minhas promessas. Procurei ser sincero mesmo enquanto sorria, mesmo enquanto dizia adeus. O seu pavor, esplendor ou horror foi um baque e eu pude ouvir de longe, mesmo ainda não aberta a porta da saída, a queda. E penso, me lembro, relembro de todas as preces, do meu coração; para onde vão todas as coisas quando elas morrem? Para onde vão… Os meus sentimentos, oh, todos os suspiros formam o vento no meu cabelo, uma nevoada fria que arrasta as minhas lágrimas, uma inundação dentro das… para onde vão todas as coisas? E por todo esse tempo, enquanto, eu sei, você esperava, era em seu rosto onde o vento batia, a nevoada que arrasta as lágrimas, eu não estava lá. Naquela igreja, no final da escada, eu te esperava inalcançável, no tempo certo, suas condenações, minhas correções feitas. Esperei até o momento certo em que você não queria mais estar lá, suas condenações, minhas correções feitas. Para onde vão todas as coisas?

(Um Conto Por Música: Guyamas Sonora, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Cavalos

Maio 20, 2012 § Deixe um comentário

Para tirar o clima textual do meu desalmado blog decidi postar algumas imagens inspiradoras. Cavalos, não sei se pelo físico esbelto, se pela influência do meu signo (sagitário), pelo apego que crianças normalmente têm para com eles, pelo simbolismo ligado a um cowboy texano, adoro-os.

Uma Milha por Riso

Maio 20, 2012 § Deixe um comentário

Por três dias deitado, quando levantou sentiu as dores expiradas. Soluçou, mas não houve lágrimas, não mais. Envolto em calor, caminhou, continuou, e andou descalço em passos lentos pelas ruas frias, diretamente em rumo a lugar nenhum, encontrou: o nada existencial que tanto o enriquecia. Sorriu, sorria, sorriria sempre que fosse domingo e andando lento e descalço, envolto em calor, envolveu aquela que amava e com o mesmo calor, mas o calor dos seus braços. Rodeado pela célebre estação, o outono passa e transpassa, mas o verão do sol e seus incautos amores o mergulham na sua canção sorrindo, tropeçante, caminha uma milha por riso. Abandonou as dores e delas decidiu guardar apenas os finais, onde em uma igrejinha pintada de branco, os enterrou e rezou pela célebre despedida. Beijou sua amada mais uma vez, sorriu, foi beijado pelo sol, e no ósculo permaneceu até o cair da noite, andando tropeçante, uma milha por riso, cantava. Até o fim dos seus dias, até voltar à pequena igreja pintada de branco, uma milha por riso.

(Um Conto Por Música: A Sunday Smile, The Flyind Club Cup, BEIRUT)

Where Am I?

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