Cartas ao Oscar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

Meu caro,

Eu não queria escrever-lhe esta carta, mas necessito fazê-la, do contrário sinto que o acúmulo de todo esse sentimento seja capaz de conduzir-me ao mais profundo túnel da desolação. Hoje, depois de muito tempo, venho escrever-lhe e a sua preocupação não deve girar em torno dos motivos que me levam a escrever-lhe e sim os motivos pelos quais permaneci em silêncio por tanto tempo. Pode-lhe parecer estúpido, mas evitei o contato propositalmente, você bem sabe o quanto a rejeição me apavora, e escrever-lhe com a clara ideia de que não obterei respostas é muito frustrante para não dizer doloroso.

Esta manhã, tudo pareceu tranqüilo, o sol estava muito forte como raramente costumávamos vê-lo, lembrei-me de quando íamos ao parque, de como sorria nosso pequeno Cyril e tão logo me senti mal o suficiente para querer que todas essas coisas jamais tivessem acontecido. Não foi preciso muito mais tempo para que eu me mortificasse sobre tal pensamento, voltando à mim mais uma agonia, minhas languidas saudades!

A cada pensamento, a cada reflexão, tenho a mais clara ideia de que tudo o que se passou é tão palpável quanto os meus sonhos, mas que mesmo assim, esses sonhos me parecem ainda mais reais que a realidade que vivo. Sinto-me viva por uma questão insólita, não existe mais nada o que fazer, não existe mais nada o que esperar, o que havia para ser vivido, esperado, já aconteceu e hoje de tudo perdeu-se o valor, apenas o que me resta é a mórbida lembrança de tudo o que houve e não pode ser revivido, alterado. Se ao menos tudo tivesse acabado naquele momento!

Minha alma não mais espera poder viver ao seu lado, não, já me contentei com o contrário e muitas vezes sou bem realista quanto a esse ponto (seja lá o que realista queira dizer), e da mesma forma como desejo abandonar todas as lembranças passadas apenas para não mais sofrer em nome do passado, temo em dizer que minha única felicidade esteja em recordar o que tenho de ti.

Não tenho mais nada o que dizer, creio que eu não possa ter ainda mais o que dizer. A minha forma de amor por você, permanece a mesma, terna e silenciosa, seu amor por mim, posso sentir a sua sinceridade, mas ela jamais desfará o sofrimento que carrego e é somente por este sofrimento que pude identificar suas origens até mesmo hoje.

Termino por aqui esta simplória e ainda sim intensiva carta, sem esperanças de que você a leia, sem esperanças de que um dia eu possa obter alguma resposta, sem esperanças de com ela reavivar alguma sensação passada e perdida, apenas escrevo porque me é o que parece sensato fazer, e por que sinto que se o fizesse, acabaria perdendo-o, e a sua lembrança dentro de mim por pior que seja, é a única coisa que tenho, prefiro conservá-la a perdê-la.

Com todos os meus saudosos sentimentos, Contance.

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