Brilho Eterno de Uma Tarde Chuvosa de Sábado

Fevereiro 26, 2012 § Deixe um comentário

Não, não existe de fato o sentimento de contentamento humano. Não existe a amplitude do seu conformismo para com sua posição diante do mundo. Não existe felicidade crônica, não existe autenticidade, não existe o fim da agonia Não existe verdade, mal existem os sentimentos, programamo-nos para melhor adaptação de nossas próprias prioridades superficiais. Não existe linha de chegada para os nossos desejos, não existe ponto final para o nosso descontentamento. Estamos todos lutando contra nós mesmos numa corrida infinita em direção as nossas falsas noções de felicidade. Sempre que alcançamos um objetivo, seja qual for, colocamos a nossa frente, outro, ainda mais impossível e terrivelmente inalcançável, tudo pelo simples âmbito de nos sentirmos insatisfeitos com a nossa própria capacidade. A pior coisa em sofrer esse mal, é saber sofrê-lo.

Sábados, à tarde e chuvosos costumam ser, para mim, muito mais melancólicos do que qualquer outro dia. Talvez não por coincidência, todas as vezes em que esses dias chegam, me sinto estranhamente sozinha, tudo se esvai e o que permanece é uma lembrança solitária de tudo aquilo que está distante. Eu sinto como se eu mesma houvesse me abandonado, sinto-me estranhamente dentro de mim, pura, livre e suspensa.

Costumam dizer que nos dias ruins a tendência é de que tudo dê errado, essa concepção é tão relativa… Hoje o dia não foi em todo ruim. Foi um dia triste. Um dia solitário de eu mesma. O amaciante terminou quando fui lavar roupa, a carne queimou, o bolo embatumou, houve uma pequena lagoa dentro de casa devido as goteiras, mas economizei água lavando roupa, os riscos da carne mal passada foram eliminados, o bolo ficou parecendo um pudim e a lagoa molha meus pés, deixando-os refrescados. Meu dia só foi melancólico. Um daqueles dias que nos prendem a esse tipo de sentimento. Existe, no entanto, dias pressupostos a melancolia, como hoje. Dias em que as coisas que dão errado insistem em nos causar um grau quase infantil de frustração, apenas para vermo-nos sorrindo diante da nossa própria falta de sorte e talvez sorrindo ainda mais embaraçosamente por sorrirmos sozinhos. É uma melancolia profunda, é um sentimento delicado e muito sensível, algo que nos dá a impressão de ser e não ser simultaneamente. Um daqueles dias em que simplesmente achamos que deveríamos estar vivendo qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar, com alguém, é inclusive nestes momentos em que sentimos a simples falta de alguém. São nesses dias principalmente que achamos que a nossa vida está sendo desperdiçada e rimos, sim, nós rimos por estarmos sós e não podermos fazer absolutamente para mudar isso, ainda assim, existe um contentamento patético que nos diz estar pensando bobagens, o que nos torna ainda mais frustrados pela falta de atitude e indiretamente pela auto-aceitação de sermos aquilo o que não gostaríamos de ser, com o fundo melancólico da chuva e de um piano que serve para te alimentar daquele seu estado de espírito. De qualquer forma, eu gosto de me sentir assim. Me faz escrever coisas que eu julgo profunda, me faz gostar da minha reação diante de situações tão rotineiras, me faz me orgulhar da minha visão analítica para com essas coisas e dar a elas um fim poético. A melancolia é como ar de sonho em meio à realidade, transforma uma tarde de sábado em um vertiginoso sentimento. É uma doce tristeza que eu gosto de sentir nos dias chuvosos de sábado. Enquanto tomo meu café com canela e rio da minha solidão, ainda frustrada por rir sozinha. Existe uma linha tênue entre a felicidade e a tristeza. Nesses dias de sábado, eu me deito de olhos fechados sobre essa linha.

Tal tipo de melancolia costuma vir em temporadas, mas sempre quando vêm, habituo-me a entregar-me a ela. Tudo aquilo o que a estimula, direta ou indiretamente, eu utilizo para compor o meu dia. Esta manhã de sábado, para mim, ainda na cama, representava tal sensação, mas inconscientemente, me ocorreu de assistir a um filme que marcou significantemente a impetuosidade desta sensação. E é ai que surgem as coincidências que quase me fazem querer acreditar na palavra “destino”. Porque eu assisti a aquele filme, hoje? Percebi que existe tanto de mim naqueles personagens! Ambos! Tanto! Por um momento me perdi em mim mesma, sem saber quando ou quem eu já havia apagado da memória e quantas vezes… tudo isso sem nem mesmo ter ido à uma clínica, tudo isso sem nem mesmo a realidade existente no filme! E o que mais do que tudo me afetou, foi o simples fato de entre essas pessoas já esquecidas, não restar um “que” sequer de arrependimento, tampouco imaginar uma só pessoa por quem, em longo prazo, eu não faria essa cirurgia. Tudo se trataria de fazer novas amizades e como eu, ainda por cima, sou péssima com tal atitude, me afundaria mais e mais no profundo poço dos meus próprios desejos. Eu não sei, esse foi, talvez, apenas um dos meus muitos pensamentos relacionados ao filme. Eu gostaria de assisti-lo novamente, eu gostaria de ter um acompanhamento psicológico acerca da minha reação e motivos, mas a incerteza que me faz encontrar tantas ramificações talvez me ajude a chegar a algum lugar, mesmo que eu já saiba que no fundo, no fundo, tudo isso se trata de mera questão de solidão confortável a qual eu me adaptei. É vergonhoso, mas enquanto eu ainda não providenciei um caderno para ter como diário, não importa, o texto é grande o suficiente para que eu saiba que ninguém irá lê-lo.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

Volúpias de Poeta

Fevereiro 21, 2012 § Deixe um comentário

Sinto faltar

o farfalhar

da quimera

na realidade

aquilo espera

à insalubridade

que por coragem

saúde e chantagem,

abandonei:

os vícios,

os pecados,

volúpias de poeta

não mais sonhei

Movida por uma onda Simbolista, venho me arriscando à escrever alguns poemas inspirados. Sei que os resultados são terríveis, definitivamente não tenho a menor habilidade com poesia, de qualquer forma, me achei no simples direito de tentar por vontade. Aqueles mais críticos dirão que o meu poema não é nenhum pouco simbolista, mas de maneira alguma quis alcançar tal êxito! Só acho bela a forma como buscam sonhos em vícios e se viciam pela busca, mesmo que frustrante que se faz toda arte. Viva o ópio, viva as bebidas, viva a insalubridade produtora das artes. Viva ao pecado e viva a tudo aquilo capaz de inspirar. Muito antes conhecer paraísos em quimeras, trazendo delas versos eternos, que viver a mercê da realidade vazia e efêmera. O final é igual para todos e o que determina a vantagem não é o tempo vivido, mas o que foi deixado enquanto se viveu.

Por Constance, constantemente voluptuosa

Existe

Fevereiro 15, 2012 § Deixe um comentário

Existe alguma coisa de completamente doloroso naquilo que pensamos sozinhos, quando pensamos com demasiada intensidade.

Imperturbável

Fevereiro 15, 2012 § 1 Comentário

Perturba a imensidão do intocável

Com seus louros e vivos glamoures

A dor é insólita, ainda assim genuína

A paz, inalcançável, se posta atrás de mim

E com a crépida imagem daquilo que jamais vi

Fujo aos sentidos das sensações imagináveis

Beijo os lábios da incerteza

Aprofundo-me na imaturidade das minhas concepções

E em passos vertiginosos, eu caminho diretamente sem rumo

Para as águas rasas e ímpias dos meus sonhos, minhas loucuras

Por Constance, constantemente perdida em si mesma

Chuva numa madrugada de Sábado

Fevereiro 12, 2012 § Deixe um comentário

Não existem dúvidas de que a chuva me é extremamente inspiradora, principalmente nas madrugadas de sábado. Ultimamente estive empenhada em escrever artigos políticos, tanto para um maior conhecimento da minha parte sobre o assunto, quanto para sair da minha própria zona de conforto, no entanto, nada mais romântico do que a chuva numa madrugada de sábado para me fazer querer escrever algo mais sentimental.
Apesar da imensa propensão para tal, não me sinto melancólica, não me sinto nem mesmo melancólica pelo fato de não me sentir melancólica, como costumava ser antigamente, onde tudo era motivo para uma melancolia tocante que tanto fazia parte dos meus escritos. Desta vez escrevo sem nenhum fundamento sentimental ou romântico, apenas reflito logicamente sobre a influência da chuva nas madrugadas de sábado para escritores românticos como eu, que apesar de todas as minhas mudanças para com meus escritos, ainda me considero tal. Não banalizo os sentimentos sobre os quais já tanto escrevi, tampouco desejo parar de escrevê-los. Existe alguma coisa na natureza humana que me impede disso. Mas neste momento, apenas reflito de um ponto de vista muito mais racional a importância dos sentidos para com um todo e não só romântico, sentindo como se o som das gotas caindo no meio do silêncio sombrio da madrugada fosse capaz de inspirar a qualquer um, com qualquer propósito, tanto um matemático, quanto um músico, tanto um governador quanto um pensador político, tanto um filósofo quanto um médico. A chuva, o silêncio e a escuridão são extremamente inspiradores para qualquer um com o propósito de reflexão. Tudo fica mais belo, mais intenso, mais vivo nestas condições. A natureza humana une-se com as naturezas externas, criando um estado de criação propício a qualquer um com o simples desejo de refletir, criar e concluir. Oh, se todos pudessem ver e sentir como eu sinto. Se todos pudessem se deixar sensibilizar por este encanto… creio que o mundo precisa de profissionais mais sensíveis, creio que o mundo precise de um pouco mais de contemplação para com as coisas simples e simplesmente inspiradoras, estimular-se-ia o caráter e as ideias.

Por Constance, constantemente melancólica aos sábados

Cartas ao Oscar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

Meu caro,

Eu não queria escrever-lhe esta carta, mas necessito fazê-la, do contrário sinto que o acúmulo de todo esse sentimento seja capaz de conduzir-me ao mais profundo túnel da desolação. Hoje, depois de muito tempo, venho escrever-lhe e a sua preocupação não deve girar em torno dos motivos que me levam a escrever-lhe e sim os motivos pelos quais permaneci em silêncio por tanto tempo. Pode-lhe parecer estúpido, mas evitei o contato propositalmente, você bem sabe o quanto a rejeição me apavora, e escrever-lhe com a clara ideia de que não obterei respostas é muito frustrante para não dizer doloroso.

Esta manhã, tudo pareceu tranqüilo, o sol estava muito forte como raramente costumávamos vê-lo, lembrei-me de quando íamos ao parque, de como sorria nosso pequeno Cyril e tão logo me senti mal o suficiente para querer que todas essas coisas jamais tivessem acontecido. Não foi preciso muito mais tempo para que eu me mortificasse sobre tal pensamento, voltando à mim mais uma agonia, minhas languidas saudades!

A cada pensamento, a cada reflexão, tenho a mais clara ideia de que tudo o que se passou é tão palpável quanto os meus sonhos, mas que mesmo assim, esses sonhos me parecem ainda mais reais que a realidade que vivo. Sinto-me viva por uma questão insólita, não existe mais nada o que fazer, não existe mais nada o que esperar, o que havia para ser vivido, esperado, já aconteceu e hoje de tudo perdeu-se o valor, apenas o que me resta é a mórbida lembrança de tudo o que houve e não pode ser revivido, alterado. Se ao menos tudo tivesse acabado naquele momento!

Minha alma não mais espera poder viver ao seu lado, não, já me contentei com o contrário e muitas vezes sou bem realista quanto a esse ponto (seja lá o que realista queira dizer), e da mesma forma como desejo abandonar todas as lembranças passadas apenas para não mais sofrer em nome do passado, temo em dizer que minha única felicidade esteja em recordar o que tenho de ti.

Não tenho mais nada o que dizer, creio que eu não possa ter ainda mais o que dizer. A minha forma de amor por você, permanece a mesma, terna e silenciosa, seu amor por mim, posso sentir a sua sinceridade, mas ela jamais desfará o sofrimento que carrego e é somente por este sofrimento que pude identificar suas origens até mesmo hoje.

Termino por aqui esta simplória e ainda sim intensiva carta, sem esperanças de que você a leia, sem esperanças de que um dia eu possa obter alguma resposta, sem esperanças de com ela reavivar alguma sensação passada e perdida, apenas escrevo porque me é o que parece sensato fazer, e por que sinto que se o fizesse, acabaria perdendo-o, e a sua lembrança dentro de mim por pior que seja, é a única coisa que tenho, prefiro conservá-la a perdê-la.

Com todos os meus saudosos sentimentos, Contance.

Nada neste mundo poderá nos separar

Fevereiro 3, 2012 § Deixe um comentário

-Querido, tenho tanto medo de perdê-lo…

-Meu bem, o mundo é grande, imenso, gigante… e temo em dizer que nele existam desgraças demais, todas elas determinadas a nos separar. Furacões, terremotos, febre, a avareza de seus pais e a falta de um título que tanto assola a minha família e não embeleza o meu nome. Ainda existe a tentação e a morte.

-Eu… eu, eu não posso acreditar que o mundo possa ser tão terrível para conosco.

-Não chore meu bem, não chore… suas lágrimas afundam-me em melancolia e só no que quero pensar é em felicidade à nossa união.

-Querido, não estamos unidos, não por ora…

-Não pense em união de forma apenas matrimonial, oras, o que há de representar a formalização de nossos sonhos? Nada mais se não estarmos juntos como estamos agora.

-Você me encanta, sinto-me tão feliz contigo! Sinto-me entorpecida de felicidade quando estou com você! Oh, se pudéssemos ficar juntos, como agora, para sempre!

-Lhe prometo, juro! E isso se trata de nós, que nada neste mundo deverá nos separar. Nada, em absoluto, dou-lhe minha palavra: nada neste mundo conseguirá nos separar!

-Me beije, querido, você é tudo o que eu preciso!

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