Reflexões na chuva

Janeiro 1, 2012 § Deixe um comentário

A chuva caindo fina e silenciosa bate na janela da minha sala. Estou sentada no sofá, uma música toca no fundo, é um ritmo lento e intenso, minha cabeça gira em torno de ideias sem nenhum fundamento. Eu queria fugir agora, mas até mesmo a fuga corre de mim. Olho para o céu pálido, com um suspiro encaro a realidade dos meus sonhos, eu jurei me desapegar a eles também, mas eles não desapegam de mim, ainda sinto falta de um sorriso direcionado à mim. Pode parecer bobagem, sim, é uma grande bobagem, mas sinto falta das grandes bobagens, sinto falta daquelas risadas no dia frio, de abraços quentes, de lágrimas pesadas. A chuva intensificou, parece agora cobrir a cidade com sua melancolia vertiginosa. Entre nós a semelhança da vazies de propósito e beleza da profundidade. A mesma chuva que temos aqui, temos também em toda parte. Um dia eu vou ir embora para bem longe, aqui vai restar alguma coisa de mim? A minha vontade de fugir tinha o princípio de abandonar a tudo, inclusive uma parte de mim que ficará aqui e que em nada me agrada, mas agora, como se eu já tivesse ido, como se eu já estivesse distante, sinto o peso da falta de lembranças, o abandono apesar de tudo, me fez pensar também que de mim, aqui não restará nem mesmo memórias, nem mesmo saudades. Durante todo esse tempo, eu fui uma sobra, vazia, inaudível, imensurável. Que bobagem! Novamente, quanta bobagem! Tudo isso acaba sendo dramático demais e talvez seja por isso que por tantos eu fui esquecida. A intensidade foi feita para ser explicita e não para ser profunda. Vivo procurando motivos para acreditar nas minhas verdades, mas nem mesmo eu as entendo, quando isso acontece, mais uma vez me sinto perdida. Sobre isso ninguém entende, ninguém quer ouvir, passa a ser então somente mais um pedaço de consciência, mas afinal, é bom sentir-se estar vivo e ainda ser humano, sentir falta das pequenas bobagens da vida, aquelas que ignorei para assumir uma posição mais sensata, a sensatez me encaminha para a verdade que muitas vezes me é tão dura que mal posso carregá-la, assim como a chuva, também tenho momentos banais em que me descarrego de toda essa carga emocional acumulada num rosto impaciente e intolerante, e um coração também, mas não deixa de ser uma essência de um todo. Verdade seja dita, tal melancolia incentivada pela chuva é provinde da minha ausência imediata. Não ainda me fui, mas a sensação para comigo e com todos a minha volta é inegavelmente a mesma, e já posso imaginar perguntarem por mim como alguém que já se ouviu falar e não mais se lembra o nome, vão dizer “ela se foi”, e a resposta será uma exclamação vazia e sem importância… e mesmo que eu queira ficar distante de todas essas pessoas, me doe saber que não existe mais ninguém aqui capaz de sentir verdadeiramente a minha falta e então por essa linha de raciocínio logo me vem a mente a solidão na qual me encontro e a insignificância da minha posição social por todo esse tempo. Quantas bobagens, em breve afogo-me na profundidade das minhas reflexões, a chuva delas não para dentro da minha mente como não para lá fora, na rua.

Por Constace, constantemente  inspirada pela chuva .

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