Constance no País das Maravilhas

Dezembro 30, 2011 § Deixe um comentário

Tenho a sensação de que não gostaram de minha última Alice, a Alice de Carroll.

-Sua Alice ou Alice de Carroll? Porque teima em sempre complicar as coisas?

-Nada complico, pelo visto nem mesmo você anda acompanhando meu trabalho!

-Se acompanho meu próprio trabalho logo me canso de trabalhar. O trabalho não deveria ser enfadonho.

-Fala belamente!

-Falo como Oscar Wilde em um livro importante e demasiadamente sério.

-Fala belamente!

-Tudo em Oscar a remete ao belo, Constance.

-Nisso devo, finalmente, concordar. Por fim, sinto-me desmotivada à escrita.

-Então porque está escrevendo agora, neste momento?

-Por que me sinto sozinha.

-Deve reavaliar seus conceitos de solidão. Começa a me dar pena!

-Isso pouco importa. Penso que não gostaram de minha última Alice.

-Se tanto insistes, pergunto. É uma pena que não saiba o quanto ficas patética quando insiste na aquisição de uma pergunta. Porque pensa que não gostaram, seja lá quem forem essas pessoas, de sua última Alice?

-Isto é óbvio minha cara! Porque ela é demasiadamente real!

-Desculpe-me, mas quem é a senhorita? – perguntou um homem atarracado e ruivo, tinha olhos verdes perdidos nas órbitas e uma cartola enorme.

-Constance. – respondeu com simplicidade.

-Vive olhando para os céus!

-Para os céus! – repetiu num grito estridente, uma lebre falante e maluca.

-Venho convidá-la para o chá.

-Não sinto-me convencida a participar do chá com um pedido tão medíocre. Convida a todas as jovens loiras que por aqui passam?

-Já convidei morenas, garotos e até um cavalo também, não se sinta exclusiva! Posso oferecer-lhe café.

-CAFÉ? – gritou a lebre.

-Naturalmente. – concordou Constance.

-Café. – sibilou a lebre.

-Café? – perguntou o chapeleiro.

-Prefiro, de qualquer forma, o chá. – respondeu Constance por fim.

-Não deve se deitar em chá com qualquer maluco, mesmo que este seja um chapeleiro, um ótimo chapeleiro, mas ainda assim um chapeleiro. – disse um ser metade homem, metade flor. Sua parte flor dava a ele um ar adorável e imbecil.

-Engula suas palavras! – esperneou o chapeleiro – é chá de excelentíssima qualidade!

-Não é culpa dele, são apenas efeitos de uma série de sessões de inalação de Mercúrio. – disse Constance para tomar ar de sensatez.

-Foi para Mercúrio? – pergunto o homem-flor.

-Prefiro Plutão aos sábados. – respondeu o chapeleiro.

-Não há nenhuma razão para ser diferente. Mercúrio dá uma bela cor ao chapéu, mas não oferece serviço de quarto! – concluiu filosoficamente o homem-flor.

-Talvez essa seja a falta de realidade que me estava faltando. – sibilou Constance, todos riram. – Mas tudo o que eu preciso são meias novas e um futuro próximo e não leitores contentes.

-Tão enfadonho é agradar! Ergh. – disse o homem flor tirando uma de suas pétalas. – Mal-me-quer, mal-me-quer, mal-me-quer. Todas as pétalas só sabem dizer isso!

-Comece arrancando-as pelo outro lado! – gritou Constance!

-Sim, sim, faz todo o sentido! – agradeceu o homem flor.

-Agora preciso voltar. – suspirou Constance.

-Para onde? – quis saber o homem-flor e o chapeleiro.

-Para Mercúrio, é claro.

-Plutão é muito melhor. – disseram o chapeleiro e o homem-flor juntamente.

-Mercúrio dá-me inspiração, sua inalação causa-me aquilo que preciso para compor, um pouco menos de consideração à realidade.

-Em Plutão despreocupa-se com a existência a existência. – argumentou o homem flor.

-Isso sem contar o serviço de quarto!! – berrou o chapeleiro conclusivamente.

1– Antigamente, Mercúrio era utilizado no processo de confecção de alguns chapéus, não sendo possível evitar a inalação desses vapores. Chapeleiros frequentemente sofriam de intoxicação, causando problemas neurológicos, incluindo desordem na fala e visão distorcida; Não era incomum aos Chapeleiros aparentarem perturbados e mentalmente confusos; muitos morriam cedo como resultado desta grave intoxicação.

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À Tudo Aquilo Que Remete ao Passado

Dezembro 29, 2011 § Deixe um comentário

Tudo aquilo que remete ao passado, nós procuramos. Tudo aquilo que nos proporciona falsa sensação de conforto, nós adaptamos para o presente. Tudo aquilo que tem pretensão a um pedido futuro, nós encaramos como uma súplica e tratamos de com ela, suplicar um ao outro. Tudo aquilo que remete ao passado intenso e impressionante, nós tratamos de vislumbrar como uma passagem para o futuro que jamais existirá.
Mais forte  e mais importante que o futuro é sempre o passado. E essas não são palavras que coincidam com os lábios de uma mulher sem a menor perspectiva de futuro, só que o passado vivido sempre será mais intenso que o amanhã cheio de expectativas.
Não importa o que nós vamos fazer um para o outro, não importa o quão ambos estejam dispostos a suplicar e ainda acreditar no amor, não importa, pois nós jamais acreditaremos no futuro, o passado tirou essa possibilidade de crença da gente.
Tudo aquilo que remete ao passado, nós encontramos. Tudo aquilo que remete ao passado nós enviamos um ao outro.
A saudade é a única certeza, mesmo que a saudade seja discreta e muitas vezes até pareça não existir diante do abismo que existe entre o hoje e ontem. A verdade é que ela sempre existirá na letra de uma música que remete o passado e implora pelo futuro, sempre existirá numa fotografia velha e cheia de encanto, sempre existirá em uma palavra: Sempre. E por mais que nós acreditemos no fim do significado sempre, existe uma eternidade na nossa crença e nas nossas saudades.
Eu acho que vou sentir pra sempre falta de sentir falta de você. É essa inclusive a minha eternidade que irá me manter presa a você, para sempre. Pode ser duro ou até difícil, a questão é que a verdade nunca é simples… No sentido mais clichê da frase.
Eu nunca me esquecerei de você.

Por Constance, constantemente em contato com o passado.

A importância de Ulysses

Dezembro 25, 2011 § Deixe um comentário

Tonight:
Franz Ferdinand is music of the night: to fling yourself around your room to as you psyche yourself for a night of hedonism, for the dance-floor, flirtation, for your desolate heart-stop, for losing it and loving losing it, for the chemical surge in your bloodstream. Its for that lonely hour gently rocking yourself waiting for dawn and it all to be even again.

Alex Kapranos

Capacidade interpessoal de perturbação [I]

Dezembro 23, 2011 § Deixe um comentário

Existem outros meios e outras formas com o qual posso manifestar este sentimento, no entanto, nenhuma dessas formas é capaz de à olhos alheios ser levada a sério, e exatamente por esse motivo que com palavras que demonstrem um pingo de sutileza, ouso manifestar estes já óbvios (pelas minhas feições faciais facilmente perceptíveis) sentimentos de angústia e implicação.

São tantas as pessoas capazes de, hoje em dia, tirar-me do sério. Lembro-me do tempo em que imaginava uma série de coisas por cima disto: por vezes desesperava-me acreditando tudo isso ser uma conspiração universal contra mim, outras vezes culpava alguma espécie de karma, o qual eu deveria passar e que me fazia acreditar ter vivido em uma vida anterior algum tipo de general de guerra cruel e impiedoso, e ainda culpava a mim mesma, chamando-me de intolerante, insuportável, anti-social, desinteressante, implicante, hipócrita, supérflua, medíocre. Enfim, todas as qualidades necessárias a alguém que não consegue encaixar-se em nenhum grupo social seja ele qual for. Tais conceitos foram superados e hoje apóio-me em apenas uma só ideologia: a capacidade interpessoal alheia de perturbação unida a minha percepção para com indivíduos concebidos de transtorno de ideias ou em palavras sonoramente gesticuláveis, babaquice, fazem com que a qualidade do meu envolvimento social diminua consideravelmente. Sinto-me perturbada com esse tipo de coisa, tento, por muitas vezes mostra-me simpática e até envolvente para com as demais pessoas, mas devo confessar o quão isso me parece difícil, pois a minha percepção aguçada impede-me de deixar fugir os detalhes e estes tantas vezes mostram-se ser os mais sórdidos e intragáveis movimentos de uma pessoa que merece com todas as minhas forças ser desprezada.

No fim, sei e tenho muita noção de que a solução para isso pode estar bem distante, talvez, eu não esteja tendo contato com as pessoas certas! Talvez todas as pessoas estejam de fato evoluindo suas capacidades interpessoais de perturbação com um sentido novo de irritabilidade o qual coincidentemente se adéqua a mim. Não importa, pessoas são pessoas e estão sempre demasiadamente sucessíveis a falhas, o meu problema talvez seja a determinação quase involuntária que possuo para com a captação dessas falhas. Quero um amigo perfeito. Assumo.

Ora, como se eu falasse de amigos apenas! Como se eu falasse de interação interpessoal apenas relacionada a mim! Como se eu falasse de assuntos subversivos! Como se eu quisesse realmente alcançar algum ponto com esse escrito!

Tenho paz! Pois sei que quando morrer, livrar-me-ei deste fardo! E a morte, como um descanso eterno, profundo e solitário nos é garantido! Serei feliz. Esta é a minha perspectiva daquilo que se deve chamar futuro, mas este assunto especificamente, deixo para outro dia.

Por Constance, constantemente perturbada.

A verdade do silêncio

Dezembro 21, 2011 § 1 Comentário

Eu disse uma vez, embora poucos acreditassem:
-Mais vale a sinceridade bem direcionada, que as falsas gentilezas!
Mas é claro, com outras palavras e em circunstancias as quais me fizeram ser interpretada com banalidade. Mas gosto quando esse tipo de coisa é visto dessa forma, pucha um ressentimento silencioso e inquieto, profundo e interno. É uma sensação deliciosa de se ocasionar nos outros. Aos leitores que já tiveram a oportunidade de dizer algo em tom de brincadeira, silenciosa verdade, e viu, pouco tempo depois o fruto dessa brincadeira se concretizar, imaginando na face de seu receptor a feição ocasionada por tais palavras, oh, sabe do que falo e sabe o quão gratificante é dizê-lo.

Constante sentimento ou estado de espírito

Dezembro 21, 2011 § Deixe um comentário

Não tenho nada de especifico para escrever. Uma atestada tristeza se priora em meu peito,  algo pequeno e intenso. Existem momentos em que esta tristeza ocasiona o desespero, outras, vaga sensação de liberdade, existem vezes ainda em que esta tristeza ocasiona ainda mais tristeza, mescla-se com acontecimentos recentes, pequenos ou grandes, mudando, enlouquece-me. É um sentimento que anda em círculos. Às vezes dá um salto, falsa sensação de escape, no entanto, tão logo volta ao seu ciclo.

Quem é Constance

Dezembro 20, 2011 § 1 Comentário

-Tantos são aqueles que me atormentam.

-Sei como se sente. Deseja então que todos eles morram, não?

-Não! Não é nada disso!

-Desculpe-me pelas mórbidas palavras.

-Desejo eu morrer.

-Isso é mórbido! Terrivelmente!

-Mas ameno.

-Qual a sua ideia de ameno?

-Não tenho ideia do que essa palavra signifique…

-Esposa de Oscar Wilde, como eu poderia esperar resposta diferente? Aquele homem e seus excessos!

-Oscar nada tinha em excesso se não o meu amor.

-Tudo bem Constance, melhor não entrarmos em detalhes com relação a isso, sempre é um assunto delicadamente extenso.

-Extensamente simples! O amo com todo o meu fervor, o amo com toda a minha alma, oh, sinto tanto sua falta… Não… não sei o que…

-Por favor, pare de chorar agora mesmo. Isso, recomponha-se. Logo ia começar a chorar e suplicar às saudades por Oscar.

-Nada suplico às saudades, suplico apenas à falta. Esta me escuta em excesso.

-Voltemos aos assuntos mórbidos, são menos intensos.

-Desejaria morrer hoje mesmo.

-Viu? Há simplicidade em suas palavras com relação a morte muitíssimo mais que quando refere-se a Oscar.

-Ora! Isso é a coisa mais óbvia já dita por um ser humano conhecedor da consciência viva de uma esposa desolada como eu!

-Constance, volte agora mesmo a dizer os motivos que te levam a esse desejo de morte, por favor.

-As pessoas! Irritam-me!

-Porque não as induz à morte? Tem potencial para tal.

-Não, de forma alguma. De nada adiantaria.

-Suas dores são, então, pessoais.

-Creio que sim ou que não.

-Explique-se.

-Mesmo que eu consiga induzir meia dúzia delas a morte sobraria ainda um mundo inteiro, você sabia? São aproximadamente sete bilhões de pessoas. Morrer eu mesma seria mais prático. Talvez as dores sejam minhas, internas, irremediáveis, incompreensíveis, talvez jamais serei curada, no entanto também existe a possibilidade de serem as pessoas, sim, todas elas, as sete bilhões e seus cerebrozinhos insuportáveis, irremediáveis, incompreensíveis! Prefiro postar-me a sofrer e desejar eternamente a morte até que ela se apresente a mim.

-Devo dizer que esta é uma criatura terrível para tais propósitos. Comparece apenas quando não é convidada e quando aclamada, desaparece!

-Esperá-la-ei enquanto sofro e falo-te sobre Oscar…

-Desejo então que a morte nunca apareça, pois assim espero que ela venha depressa! Nada mais denso e sufocante que ouvi-la falar sobre Oscar Wilde!

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