Os objetos da vovó

Outubro 27, 2011 § Deixe um comentário

Vovó faleceu há pouquíssimo tempo, no entanto aquela pré-sensação de contentamento já fora obrigatoriamente imposta ao comportamento de todos, todos os poucos que foram ao seu enterro, mas pensando bem, no dia em que eu morrer, quero que seja da mesma forma. Amigos antigos, que há muito não a viam, foram. Familiares, pessoas que, sanguineamente deveriam ser consideradas essenciais, ignoraram o compromisso por negligência. Vovó era tão amável, aposto que ela teria ficado triste, mas se não pôde ver a sinceridade das pessoas naquele momento crucial, ora, então, jamais verá.

Entramos na casa vazia. Nela, uma lembrança, o fantasma da nossa memória dela perambulando em cada objeto. Na escova de dente, ela pela manhã; na escova de cabelo, oh, a sua enorme vaidade! Nas xícaras adornadas, sua visão para os detalhes e o quanto gostava de beber chá pela tarde. A sensação mais estranha! Ela já havia partido, ela jamais voltaria, enquanto todos aqueles objetos cheios de suas partes, permaneceriam ali…

Porque a possessão nos faz feliz? E se eu morresse agora, pensaria em toda a agonia que suportei trabalhando por uma dúzia de coisas para chamar de minhas, ora eu sou muito mais parte delas do que elas de mim. Ou deveria ser…

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