Boneca Sem Cérebro

Setembro 2, 2011 § Deixe um comentário

Estefânia se sentou angustiada. Olhava para os lados o tempo todo, apertava a saia do vestido, tentando descontar ali o seu nervosismo. À sua frente, o belíssimo Gustavo falava de todas as suas aventuras no trabalho, enquanto comia fugazmente o seu bife.

-Está tudo bem com você Fani? – Camila perguntou a fim de fazer com que Gustavo a notasse.

Gustavo finalmente a fitou.

-É verdade, você está pálida, se sente saudável? – Gustavo com o único tom sensato que sabia fazer sair de seus lábios.

Camila gostaria que ele a olhasse mais do que fisicamente, de uma forma ou de outra, que talvez tivesse um pouco mais de sentimentalismo, que conseguisse enxergar o óbvio nos olhos de Estefânia. Não a culpem, caríssimos leitores, às vezes Camila se esquece que Gustavo é um médico e que leva sua profissão mais a sério que qualquer tipo de tendência à moda ou a sentimentalismo. No entanto, muito mais tola do que Camila, sem dúvidas, era Estefânia que ainda fazia-se acreditar num amor por Gustavo. Era o seu completo oposto, acreditava no seu amor porque a aparência de Gustavo a incentivava a fazê-lo. Estefânia é o estereótipo de amor visual, e a pior parte é que ela também acredita nisso.

-Eu te amo Gustavo…

Camila olhou a cena atenta, espantada. Em seguida sorriu, interessada. Limpou a boca no guardanapo e se levantou.

-Senta Camila, não é educado levantar sem pedir licença. – Gustavo falou sem tirar as atenções de seu bife.

Camila se sentou novamente. Abaixou a cabeça, pediu licença ao irmão e se retirou.

Gustavo terminou sua refeição. Limpou a boca em um guardanapo. Apoiou as costas na cadeira e se pôs a fitar Estefânia.

-Querida, faz ideia do que diz, quando saí voz dos seus lábios? – ele a encarou friamente. Talvez, sequer tivesse outra forma de encará-la.

-Mas… o quê?

Suspirou, cansado. Era essa a atitude que ele esperava de alguém como ela.

-Vamos para o meu quarto.

Ele não foi carinhoso, nem sensível. Não a proporcionou nenhum prazer especial. Não se comportou diferente do que era previsível. Afinal, nada nesta história o é (diferente).

Terminado, deitados à cama, Estefânia dormia como uma boneca sem cérebro deve fazê-lo. Gustavo pensou o suficiente para chegar à conclusão de que ela seria a mulher ideal.  Não precisaria mimá-la, ela se ilude com qualquer vidro. Não precisaria conquistá-la, havia feito antes mesmo de se dar conta. Não precisaria pedir por sexo, apenas ordenar. De qualquer forma ele tinha muito mais com o que se preocupar para perder tempo com uma mulher interessante de verdade.

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