Pequeno Henrique – Parte I – O Jardim

Julho 8, 2011 § Deixe um comentário

Eu ainda era uma criança, quando, debruçado no jardim, observava minunciosamente cada um dos passos dos insetos. Como era magnifico acompanhá-los e criar para eles uma narrativa patética e das mas criativas! Ali se dispunha George, o besouro, sempre tão amontoado em seus afazeres que por muitíssimo pouco não via sua família quase nunca. A senhorita Libelly, pequena joaninha, possuía bons enfeites mas nada que pudesse diferenciá-la, de fato de mais uns dos insetos medíocres em meio ao orvalho. “As pessoas dizem o tempo todo!” – ela exclamava o mais alto que podia sempre que conversava com alguém – “Veja, que insetinho adorável! As joaninhas trazem muita sorte, veja uma delas tocara-me!” – e depois abaixava a voz, fechava os olhos para tomar um ar muito sensato e finalizava “Ei de fazer a cada dia, o dia de alguém mais feliz, apenas tocando-a. Trazer sorte irei ao pobre desafortunado e assim pouco a pouco, acabarei com a fome e a tristeza do mundo!” Alguns insetos tolos ou muitíssimo incapacitados acreditavam-na e gritavam “Bravo! Libelly, amo-a, amo-a! Não existe nenhum outro inseto mais belo e sensato no mundo inteiro!”. E mesmo que alguns deles acreditassem na joaninha, todos acreditavam em Heleonour, a borboleta azul. Muito misteriosa e verdadeiramente sensata. Um tanto quanto exigente demais e muito determinada à si mesma. As formigas, classe trabalhadora e honesta, desprezada pelo restante da sociedade, que sem elas sofreriam terrivelmente de uma série de coisas, sendo a principal delas a impositoriedade,  a necessidade de um pedestal, nada mais que um complexo de auto-suficiência sem nenhuma suficiência. Mas e as formigas, o que ligam para isso?  Estão sempre feliz e unidas. Que dane-se o mundo a fora com frio, fome e todas as suas cores. Também haviam os gafanhotos, sempre silenciosos, andavam lentamente de um lado a outro, planejando algo maquiavélico e maior do que aquele pequeno jardim poderia oferecer. E por fim os louva-deus, que gritavam desesperadamente de um lado a outro com os longos braços para cima, anunciando o fim do mundo ou o simples pisar de um pé humano.

A cada dia eu realizava uma pequena anotação em meu diário. E a vida de todos aquele insetinhos eram minhas, eu podia fazer delas o que bem quisesse. Desde tornar a joaninha afável e sincera a matar a todos com uma lupa. Eu podia, colocá-los em um vidro, dar-lhes um final trágico ou um deixar que tivessem um fim feliz, livre e que sempre desejaram segundo os meus desejos. Eu poderia fazer o que bem quisesse, eu poderia, casar-lhes e abandonar-lhes, eu poderia fazer o que bem entendesse, criar para cada um deles uma vida fantástica. E tudo o que eu precisava, era escrever.

O ambiente a minha volta me consagrava, existia vida em todos os lugares para onde eu olhasse. Existia novas formas de vida a regenerando-se e constantemente vivendo! Existia tanta vida ao meu redor! Oh, o furor, o encantador por e nascer do sol, o riacho entre as colinas logo a frente e o orvalho que cobria a grama onde todos os meus personagens interpretavam.

E eu escrevia…

O tempo todo escrevia…

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