Henry, o esteta

Julho 1, 2011 § Deixe um comentário

A cabeça apinhada. Desprezava as coisas a serem levadas a sério, vivia inconstante pelas ruas Europeias e de mês em mês fazia uma viagem, as necessitava! Belle Époque e o movimento da arte pela arte, meus princípios se dissipam, em prazeres, prazeres os quais estão unicamente reservados ao entendimento de um culto, de um esteta! Por que nem todos podem entender, não, ela jamais entenderia, minha amada Sophie. Único amor humano da minha vida, único romance real! Sophie, minha obsessão, Sophie, o esteriótipo de perfeição. Eva sem pecado. Anjo puro e sorridente. Minha Sophie, minha amada Sophie, meu único amor, para sempre, para toda a minha vida! Será?! Um dia ela perceberia, oh, um dia perceberia que não a amava, amava sua semelhança às personagens, tão vívida. Ela estava realmente ali? Quem era de fato, Sophie? Onde estava, de fato, Sophie?

Cheguei em casa, procurei-a, gritando seu nome… “Sophie, minha querida! Sophie!” A voz se tornava um sussurro, onde ela estava onde poderia estar? E achei-a. Tão delicada, tão linda como sempre foi. Os cabelos, tufos de ouro, a pele, marfim, e os olhos azuis como o infinito céu de uma manhã que jamais brilhará novamente! Minha Sophie… O romance acabou para ti, mas jamais fecharei seu livro. Sophie, perdoe-me pela negligência… Sophie, não está apenas dormindo.

Nas mãos frias uma carta, dizia “Nunca me amou, eu sei disso e meu erro foi ter feito o contrário em demasia! Não posso ser uma personagem para sempre, mas este é um belo final, sei que vai gostar…”

Os lábios sensuais estavam manchados de vermelho pelo veneno, Sophie vestia seu melhor vestido e a atmosfera me preencheu por completo.

Com os olhos cheios de lágrimas, aplaudi o cadáver… Sophie provou o quão digna era de toda a admiração que prestava a ela, e toda a sua composição, tão minunciosamente preparada não passava de um presente à mim! O mais logo que pude, ou após transcorrido o tempo necessário para que eu me recuperasse do choque de esplendor, sentei-me à escrivaninha e pus-me  a escrever o romance da minha vida. Sophie ao meu lado, morta, era o poço de inspiração e desta forma tão depressa o terminei que o corpo ainda conservava seu aspecto.

Mas e agora? Que podia eu fazer? Jamais encontraria outra personagem como Sophie! É uma pena que tivesse a tendência à vida maior que a tendência a atuação! Seu mal foi viver demais! E tão bem viveu que teve que falecer para dar jus a tanta realidade! E agora acabou. Hora de começar outro livro, outro romance.

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