Bastardos Pecadores (I)

Junho 19, 2011 § Deixe um comentário

Algum dia de chuva, uma musica tocava irrompendo o silêncio bruto. As cortinas de veludo vermelho e pesado, tiravam do quarto a pouquíssima iluminação que o crepúsculo poderia ceder ao ambiente. O quarto, encardido, amontuado de papéis, brinquedos, lápis, travesseiros sujos, cobertores rasgados, roupas, cigarros e garrafas vazias. O papel de parede estava descolando e as paredes por de trás deles, mofadas.

De repente, o disco parou. O único sonido era provinde dos pingos de chuva que batiam na janela da sacada do quarto e mesmo eles, tentavam ser cautelosos para serem audíveis demais.

E ele se mostrou ser a pessoa mais feia, num jardim dourado de rosas. Aqueles que amou, esqueceu, aqueles que odiou, guardou no coração. Vivia apenas numa sombra pulsante e sem alma. Estava perdido e por mais próximo que estivesse de casa, não poderia ver. Oh, estou cego, estou cego!, exclamava com um sorriso maligno nos lábios enquanto acariciava a pele macia do irmão refletida no espelho e ele chorava, chorava desesperado afogado no próprio ego. Amou e venerou o irmão gêmeo, que quando morto não pode mais satisfazer-lhe os desejos, então alimentou-se da própria carne.

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